Quem tem prótese pode sofrer com excesso de cromo e cobalto no corpo

Metais podem ser liberados por próteses mais antigas e causar danos à saúde

por Da redação com assessorias 10/08/2018 10:50

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Edward Olive/Dreamstime/Reprodução
(foto: Edward Olive/Dreamstime/Reprodução)
Nem todos sabem, mas quem passou por cirurgia de implante de prótese pode estar correndo risco. De acordo com o médico ortopedista Lafayette Lage, muitas pessoas que possuem próteses antigas de quadril, por exemplo, podem sofrer os efeitos tóxicos do excesso de cromo e cobalto no organismo – elementos que se desprendem ao longo dos anos e que podem causar uma série de efeitos adversos, como déficit cognitivo, perda de memória, depressão, doenças pulmonares, reações inflamatórias e impacto no sistema imunológico.

"Pouquíssimos médicos solicitam exames para analisar os níveis de cromo e cobalto no organismo de pacientes que usam próteses de metal, mas é importantíssimo. Níveis elevados de cobalto podem desencadear uma infinidade de sintomas, incluindo cardiomiopatia, hipotireoidismo, disfunção cognitiva, neuropatia e fadiga. Principalmente quem usa prótese há mais de cinco anos deve ter aquelas peças inteiras, que substituíam não só a parte do osso que estava causando dor. Hoje em dia, com o avanço da Ciência e muitos estudos empreendidos, utilizamos próteses bem menores nas cirurgias. Mas ainda há paciente com prótese que foi retirada do mercado há alguns anos", comenta o médico.

Esse tipo de prótese foi bastante usada entre os anos de 2007 e 2012, mas com o tempo, se provou um verdadeiro fracasso, porque apresentava problemas. Evidentemente, ela já foi retirada do mercado, mas alguns pacientes ainda correm risco e precisam trocá-las mesmo que não tenham apresentado qualquer sintoma adverso. "A má reputação da 'big head' [nome da prótese antiga] acabou respingando injustamente sobre a prótese de resurfacing [usada no quadril]. Ambas são de metal, mas, enquanto a primeira é uma peça grande, vulnerável a riscos que poderiam liberar ainda mais metal e oxidar com o tempo, a prótese de resurfacing é pequena, do tamanho de uma lâmpada de LED", afirma Lafayette Lage.

Ainda conforme o especialista, as próteses mais modernas são feitas de uma liga de cromo-cobalto e molibdênio, extremamente resistentes ao desgaste e a impactos, podendo ter uma "sobrevida" superior a 95% após 20 anos de uso. "Além de preservar a maior parte da articulação e ser bastante resistente, permitindo ao paciente retornar às suas atividades físicas habituais, outra vantagem é a facilidade de uma eventual cirurgia de revisão para a substituição da prótese, diferentemente da convencional. E tem mais: quando bem colocada, essa prótese expõe o paciente a um nível muito mais baixo de cromo e cobalto do que as tradicionais, tendo mostrado redução dos casos de luxação e de infecção", afirma o médico.

Os metais

Consumido por meio de alimentos como carnes, grãos (feijão, soja e milho) e alimentos integrais, como massas e açúcar mascavo, o cromo é um elemento químico importante para o organismo, ajudando a regular os níveis de colesterol e glicemia (açúcar no sangue). Já o cobalto é parte da vitamina B12 e é encontrado no leite e seus derivados, em vegetais de cor verde escura, carne vermelha, fígado, ostras e mariscos. Ele ajuda na formação dos glóbulos vermelhos, combate a anemia e mantém saudável o tecido nervoso.

Para aumentar a absorção do cromo e do cobalto durante as refeições, é ideal que os alimentos sejam consumidos juntamente com fontes de vitamina C, como suco de laranja, acerola ou abacaxi. Lafayette Lage às pessoas portadoras de próteses de metal que façam a dosagem de cromo e cobalto sérico (no sangue) e alerta que, antes do exame, o paciente deve ficar pelo menos três dias sem ingerir cerveja – já que o sulfato de cobalto é utilizado na fabricação da bebida como estabilizador da espuma.

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