Trauma na infância pode estar ligado a alguns tipos de câncer

Isso segundo estudo realizado na Unesp

por Encontro Digital 06/08/2018 11:26

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(foto: Pixabay)
Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostra que episódios traumáticos na infância precisam ser levados em conta em pacientes com os tipos mais comuns de câncer de cabeça e de pescoço. O estudo reuniu avaliações clínicas, dados biocomportamentais e psicológicos de 110 pacientes com câncer de boca, orofaringe ou laringe do Centro de Oncologia Bucal da Unesp, em Araçatuba (SP). Os resultados foram publicados nesta segunda, dia 6 de agosto, na revista científica Cancer, da Sociedade Americana de Câncer.

Na pesquisa, os cientistas detalharam os níveis de trauma psicológico que os pacientes passaram na infância, por meio de questionários com perguntas específicas para cinco subtipos de trauma: negligência física (omissão de cuidados); negligência emocional (indiferença em relação às demandas emocionais da criança); abuso físico (comportamentos que levam a agressões corporais); abuso emocional (humilhações, insultos e agressões verbais); e abuso sexual (estupro).

Cerca de 95% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço relataram terem vivenciado pelo menos um evento traumático nessa fase da vida. O principal tipo de trauma na infância reportado pelos pacientes foi a negligência emocional, como a ausência de afeto ou de apoio emocional. Pela primeira vez, foi demonstrada uma associação entre os diferentes subtipos de trauma na infância com dados clínicos, biocomportamentais e psicológicos de pacientes com câncer. Além disso, o estudo foi o primeiro a avaliar a influência do trauma infantil sobre os níveis de ansiedade em pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

A pesquisa aponta ainda que o trauma na infância foi fator de risco para sintomas emocionais dos pacientes oncológicos. Aqueles que relataram maior ocorrência de eventos traumáticos na infância apresentaram quase 12 vezes mais chances de apresentarem níveis elevados de depressão após o diagnóstico do câncer e antes do início do tratamento. Já os pacientes que relataram maior ocorrência de negligência física na infância tiveram quatro vezes mais chances de terem níveis aumentados de ansiedade.

Além disso, maior ocorrência de negligência emocional foi associada a um histórico do paciente de maior consumo de álcool. O alcoolismo, juntamente com o tabagismo, são os dois principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço. O estudo também encontrou que os pacientes com a doença em estágio avançado relataram maior ocorrência de negligência emocional na infância em relação aos pacientes com a doença em estágio inicial.

"Nosso estudo representa um importante passo para uma melhor compreensão dos mecanismos envolvidos no abuso do consumo de álcool e na ocorrência dos sintomas de ansiedade e depressão em pacientes diagnosticados com câncer. Além disso, fica cada vez mais consolidado que eventos traumáticos experimentados na infância podem influenciar aspectos psicológicos e comportamentais em fases posteriores da vida”, diz a psicóloga Bruna Sarafim-Silva, autora do estudo.

(com Unesp Agência de Notícias)

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