Estado de Minas ARQUITETURA

CASACOR define tema de 2026 e anuncia data da mostra em Belo Horizonte

Conceito orienta reflexões sobre o morar contemporâneo e foi apresentado no evento anual de tendências da plataforma, em São Paulo


postado em 21/01/2026 07:36 / atualizado em 21/01/2026 08:27

Iluminação do Edifício Izabela Hendrix foi um dos legados deixados pela última edição da CASACOR em Minas(foto: Jomar Bragança/Divulgação )
Iluminação do Edifício Izabela Hendrix foi um dos legados deixados pela última edição da CASACOR em Minas (foto: Jomar Bragança/Divulgação )
A CASACOR definiu Mente e Coração como o tema que vai orientar sua proposta criativa em 2026. O conceito foi apresentado durante o Eixos CASACOR, evento anual de tendências realizado no Sesc Pompeia, em São Paulo, que reuniu representantes das edições que integram a rede CASACOR no Brasil e no exterior. A direção da CASACOR Minas participou do encontro e já anunciou que  31ª edição da mostra no estado será realizada entre os dias 15 de agosto e 27 de setembro, em Belo Horizonte.

Maior plataforma cultural de arquitetura, paisagismo, arte e design de interiores das Américas, a CASACOR construiu o tema a partir de estudos de cenários e tendências conduzidos por sua equipe curatorial. A apresentação contou com participações da arquiteta potiguar Viviane Telles, do líder espiritual guarani Carlos Papá e da psicanalista Maria Homem, que abordaram diferentes dimensões das inteligências orgânica, manual, ancestral e emocional, alinhando o debate às reflexões que a marca pretende aprofundar nos próximos anos.

A proposta criativa para 2026 convida profissionais e marcas a repensarem a casa como espaço de cura, acolhimento e autocuidado, em resposta ao excesso de informações e às angústias provocadas pela hiperconectividade e pela presença cada vez mais intensa da inteligência artificial no cotidiano. Entre os fenômenos observados está a Síndrome de FOMO, do inglês fear of missing out, caracterizada pelo medo de perder experiências, eventos e informações relevantes.

O tema tem como base a pesquisa anual de macrotendências da CASACOR, que aponta para uma relação cada vez mais íntima entre o ser humano e os espaços que habita. Nesse contexto, a casa surge como um lugar que acolhe fragilidades e promove equilíbrio, em contraste com a lógica das redes sociais, que tende a expor apenas recortes idealizados da vida.

Segundo Livia Pedreira, presidente do conselho curador, a pesquisa reforça a ideia da casa como refúgio físico e psíquico. “Nosso manifesto destaca que a reconexão com a morada experimentou um ápice no começo dos anos de 2020. Porém, a ideia da casa como porto seguro perdura e, agora, simboliza uma era ambígua, que nos empurra à exposição, mas demanda recolhimento. Nos vemos diante de um panorama de conflitos, desigualdade, eventos climáticos extremos e insegurança com o avanço da inteligência artificial. Ao passo que a angústia castiga a saúde mental, nosso abrigo se firma como território sagrado da busca pelo equilíbrio entre fora e dentro, corpo e espírito. No império da hiperconectividade, a casa coloca-se ainda como contraponto à exaustiva exigência por produtividade”.

O Manifesto da CASACOR aprofunda esse entendimento ao sintetizar a proposta para 2026. “O casulo protege, mas também transforma. Sempre que nos abrigarmos nele, será possível trilhar o caminho da cura. Rodeados de móveis, objetos, lembranças, tradições e histórias cheias de sentido, nos reabastecemos de confiança para seguir. O resgate das inteligências psíquica, ancestral, orgânica e manual energiza e devolve o que é artificial para a caixa de ferramentas. Mais que isso, nos prepara para atuar em um planeta em burnout, que não suporta tantas dissociações. E convida a fazer convergir duas grandes forças que nós, humanos, carregamos conosco e funcionam muito melhor se pulsarem juntas: a mente e o coração”.

Legado da CASACOR Minas 2025

A 30ª edição da CASACOR Minas, realizada entre agosto e outubro, deixou um conjunto de intervenções permanentes no Edifício Izabela Hendrix, que passará a abrigar a sede da PUC Minas Lourdes. Entre as melhorias realizadas estão a restauração dos pisos de madeira, a recuperação da pintura interna, a limpeza e o início do restauro da fachada frontal, a implantação do projeto de iluminação da fachada, a revitalização parcial dos jardins, a atualização dos vãos de portas, melhorias em acessibilidade, a revitalização de áreas externas e a implantação de novos banheiros de uso público.

Também foi construído o Espaço de Formação do Arquiteto e Urbanista CAU/MG e PUC Minas, concebido para permanecer como auditório da universidade. Com 120 m² e capacidade para cerca de 100 pessoas, o ambiente foi projetado com arquibancadas em madeira, piso acarpetado e soluções acústicas e de iluminação que permitem diferentes configurações para palestras, apresentações e debates.

A iluminação da fachada foi uma das intervenções de maior destaque da edição. O projeto é assinado pela arquiteta, urbanista e lighting designer Mariana Novaes, fundadora da Atiaîa. "Foi uma alegria fazer parte desta edição! Eu não imaginava que teria a oportunidade e a honra de iluminar a fachada do saudoso Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, onde estudei, e assim retribuir um pouco de tudo que recebi. O resultado do projeto ficará como legado para a PUC e para a cidade”.

Outro espaço que permanece como legado é o Banheiro: Curvas do Interior, Texturas do Tempo, assinado por Bruna de Sá e Chico Casarões, inspirado nas curvas da Serra do Curral e projetado para uso contínuo pela comunidade universitária.

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