Estado de Minas TRIBUTO

Circuito Alaíde Costa estreia com shows gratuitos em BH

Projeto começa em 8 de março, na Lagoinha, e leva artistas mineiras aos centros culturais com homenagem à ícone da bossa nova


postado em 26/02/2026 07:47 / atualizado em 26/02/2026 08:07

A cantora Júlia Deodora se apresenta na abertura do circuito(foto: @netun/Divulgação)
A cantora Júlia Deodora se apresenta na abertura do circuito (foto: @netun/Divulgação)
Belo Horizonte recebe, a partir do dia 8 de março, a primeira edição do Circuito de Música Alaíde Costa, iniciativa que homenageia a cantora e ícone da bossa nova por meio de shows gratuitos realizados em Centros Culturais Municipais da capital e da Região Metropolitana. 

Idealizado pela atriz, musicista, produtora e educadora Thâmara Mazur, a proposta vai além da celebração de um nome histórico da música brasileira. Segundo a idealizadora, o circuito nasce como uma ação voltada à valorização da produção artística local e à ampliação do acesso à cultura. “É um projeto que nasceu do desejo de fortalecer a música mineira, ampliar o acesso à produção artística local e enfrentar desigualdades históricas que ainda marcam a presença de mulheres e pessoas trans na cena musical”, explica. 

Ao todo, serão seis apresentações distribuídas por seis equipamentos públicos da cidade, contemplando diferentes regiões, inclusive áreas de maior vulnerabilidade social. A abertura ocorre no dia 8 de março, às 16h, no Centro Cultural Liberalino Alves, na Lagoinha, com a cantora, compositora e instrumentista mineira Júlia Deodora. A entrada é gratuita em todos os shows.

Thâmara Mazur destaca que o circuito se estrutura como uma ação articulada entre música, diversidade e território. “O ponto de partida é o grupo de instrumentistas, que foi criado exclusivamente pela nossa diretora musical para o festival e tem participação majoritária de mulheres e pessoas trans. A cada show, essa banda convida uma artista diferente, criando encontros inéditos, trocas de repertório e novas narrativas no palco, num movimento de mulheres que se inspiram”, explica.

A direção musical é assinada por Luiza Larmara, e a banda reúne as instrumentistas Babi Lómaz, Carol Ramalho, Jô Silva e Luísa Martins. Um dos diferenciais do projeto é a decisão de manter a banda em evidência no palco, reforçando o protagonismo dessas profissionais. “É uma forma de valorizar a presença das instrumentistas e dar protagonismo a quem historicamente ocupou espaços secundários nas rodas de samba e demais atrações culturais da capital. O gesto é simbólico e político: naturaliza a presença de corpos diversos na linha de frente da criação musical”, diz Thâmara Mazur, ressaltando a natureza do projeto.

Ao reunir uma banda formada exclusivamente por mulheres e pessoas trans e equipes majoritariamente compostas por esses grupos, o circuito assume um posicionamento claro em favor da equidade de gênero e da diversidade. A ocupação democrática dos centros culturais também integra a proposta, que atua de forma pedagógica ao ampliar repertórios e questionar imaginários sobre quem pode ocupar o palco.

Programação

A estreia, em 8 de março, será conduzida por Júlia Deodora, cuja obra transita entre a canção popular brasileira e experimentações contemporâneas, com forte presença da palavra, da memória e do afeto. O repertório reúne 21 músicas, entre composições autorais, releituras e a canção “Me deixe em paz”, de Milton Nascimento em parceria com Alaíde Costa.

O segundo encontro acontece em 11 de abril, às 16h, no Centro Cultural Venda Nova, com Jeh Senhorini, artista belorizontina com 21 anos de trajetória, cuja sonoridade mistura pop rock, MPB e forró. Pessoa não binária desde 2021, vive nova fase criativa e prepara lançamento para 2026.

No dia 9 de maio, às 14h, o Centro Cultural Vila Santa Rita, no Barreiro, recebe Bahia, artista independente que transita entre o pop e ritmos afro-brasileiros e articula arte e psicologia em sua produção, abordando temas como racismo e LGBTfobia.

Em 13 de junho, às 16h, o Cultural Usina da Cultura, no Ipiranga, sedia o show “Sampagode”, de Ana Hilário, cantora, atriz e trancista que valoriza samba, pagode e axé como expressões centrais da cultura preta brasileira.

O quinto encontro acontece no dia 11 de julho, às 16h, no Centro Cultural Salgado Filho, com Vitória Pires, cantora, percussionista, atriz e compositora com forte atuação no samba, na MPB e no Carnaval de rua de Belo Horizonte.

Encerrando a primeira edição do circuito, Thâmara Mazur sobe ao palco no dia 8 de agosto, às 16h, no Centro Cultural Raul Belém, no bairro Alípio de Melo, com o show “Malditas”. No espetáculo, revisita trajetórias de mulheres que desafiaram imposições de gênero e sexualidade ao longo da história, reunindo canções de artistas como Cássia Eller, Angela Ro Ro, Zélia Duncan, Marina Lima, Maria Bethânia e Leci Brandão.

Ao assumir o palco também como cantora, a coordenadora sintetiza a proposta do projeto. “O encerramento, com a banda de instrumentistas em evidência no palco, reafirma o compromisso do festival com a visibilidade, a formação de público e a transformação social por meio da arte”, reafirma.

SERVIÇO
Circuito de Música Alaíde Costa 
Show Júlia Deodora  - 8 de março, às 16h
Centro Cultural Liberalino Alves  (Av. Antônio Carlos, 821 – Dentro do Mercado da Lagoinha)
Entrada gratuita

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