
Ativo na capital mineira desde 2017, o Humaitá nasceu de pesquisas e vivências no campo das culturas populares e tradicionais brasileiras. A partir de 2019, passou a ocupar as ruas durante o Carnaval, articulando percussão, canto e dança como ferramentas de transmissão de musicalidade, história e resistência.
“Apostamos numa construção na qual o tocar anda lado a lado com a história, a geografia, bem como com a militância contra o racismo, a homofobia e qualquer espécie de injustiça, opressão ou discriminação. Nesse sentido, nos orgulhamos de ser agente cultural importante no país, contribuindo fortemente no processo de colocar BH como polo de circulação de mestres e mestras das culturas populares, tendo trazido mais de 40 mestres para apresentações, shows e vivências no último ano”, afirma Pedro Gontijo, coordenador do projeto.
O cortejo marca também o início das inscrições para novos integrantes. Atualmente, o Humaitá reúne cerca de 300 pessoas em oficinas semanais de percussão, canto e dança, além de promover encontros com mestres e mestras, sessões de cinema, shows e seminários, consolidando uma atuação contínua que vai além do período carnavalesco.
Tema e homenagem
Neste ano, o cortejo tem como tema Oyá, também conhecida como Iansã, orixá associada aos ventos, tempestades e raios, simbolizando movimento, transformação e ancestralidade. Na tradição nagô, Oyá é a única orixá capaz de adentrar o ìgbàlè, espaço sagrado de culto aos Égún, dançando entre eles. Seus movimentos reproduzem o vento, considerado seu mensageiro, enquanto o irukerê afasta os maus espíritos.
A celebração presta homenagem ao Afoxé Oyá Alaxé, referência histórica das culturas afro-brasileiras, com a participação da mestra Maria Helena Sampaio, fundadora, presidenta e cantora do grupo. Yalorixá do Terreiro de Mãe Amara, na zona norte do Recife, Maria Helena é ativista do movimento negro, mestra da cultura popular, musicista, bailarina nagô e arte-educadora. Foi uma das primeiras mulheres a atuar publicamente com a percussão de terreiro e a primeira a fundar um afoxé em Pernambuco, construindo uma trajetória marcada pela articulação entre espiritualidade, criação artística e atuação política.
De origem nagô, o Afoxé Oyá Alaxé tem sede no Pátio de São Pedro, no Recife, território histórico de resistência do povo negro. A palavra afoxé resulta da junção de ofó, som ou palavra de força, e axé, energia vital, configurando uma manifestação que leva o Candomblé para a rua a partir das tradições religiosas e culturais da comunidade de terreiro à qual pertence. Além dos cortejos, o grupo atua como articulador de projetos sociais e de valorização da cultura negra, orientado por uma perspectiva antirracista.
Serviço
Cortejo de Carnaval do Humaitá. 22 de fevereiro de 2026 (domingo), das 15h às 21h. Rua Pouso Alegre, 521, Floresta, Belo Horizonte. Participação gratuita. Informações: instagram.com/humaitacultura