
Inspirado em Carolina Maria de Jesus, BITITA — apelido de infância da autora e título de um de seus diários — nasce como um gesto de reconhecimento à potência de uma escritora que transformou a própria experiência de vida em literatura. Nesta edição, o projeto amplia sua proposta ao investigar a palavra expandida em diálogo com a luz, a imagem e o audiovisual.
Segundo a realizadora Luciana Salles, a segunda edição representa um aprofundamento conceitual do projeto. “Nesta edição da BITITA, propomos pensar a palavra em diálogo com a luz, com o cinema e com as artes visuais, ampliando as formas de leitura, fruição e reconhecimento da palavra como elemento disparador de muitas realidades”, afirma.
Ela lembra que, na primeira edição, o foco estava voltado para a formação de leitores, especialmente do público infantojuvenil. “Agora o projeto avançou para a ideia da palavra expandida em diferentes formas de expressão. A homenagem à Carolina segue absolutamente atual porque fala de uma mulher cuja palavra é matéria viva. Hoje, sua vida e obra se multiplicam em diferentes formas de expressão, reaparecendo no cinema, no teatro, nas artes visuais, na música, nas ruas e nos encontros coletivos. Nessa pluralidade, Carolina tornou-se figura polifônica e multifacetada”.
Para o curador-geral do projeto, Renato Negrão, a proposta desta edição é proporcionar uma experiência imersiva ao público. “BITITA propõe uma experiência em que a palavra se torna luz, imagem e movimento. A programação reflete um fazer artístico híbrido, antropofágico, que atravessa linguagens e tensiona narrativas hegemônicas. É um convite à escuta, ao olhar e à construção de sentidos a partir da pluralidade”.
A diretora de Comunicação e Marketing da Cemig, Cristiana Kumaira, destaca o potencial transformador da iniciativa: “reconhecer a potência da palavra em todas as suas formas é, de fato, transformador. A Cemig tem o orgulho de, mais uma vez, apoiar a BITITA Festa da Palavra, que nesta edição celebra como a palavra transcende a escrita, reverbera nas artes visuais e amplia nossos modos de sentir e criar. Como a maior incentivadora de cultura de Minas, buscamos apoiar iniciativas como esta, que iluminam trajetórias, fortalecem a diversidade e seguem inspirando, conectando e transformando pessoas”.
Exposição
Um dos destaques da programação é a exposição “A primeira vez que voei foi na pág. 35”, primeira individual da artista Maré de Matos em Belo Horizonte. A mostra já está em cartaz na Galeria Mari’stella Tristão, no Palácio das Artes, desde o dia 10 de março e segue aberta ao público até 26 de abril, integrando a programação da BITITA.
Artista transdisciplinar, Maré de Matos desenvolve uma pesquisa que articula artes visuais, literatura e audiovisual, atravessando temas como memória, corpo, afetos e linguagem. Durante o evento, ela também participa de sessões de cinema e de uma mesa de debate dedicada à leitura de sua obra.
Mostra de cinema
Outro eixo central da programação é a mostra de cinema, com curadoria da Pimenta Filmes, assinada por Alexandre Pimenta e Beatriz Goulart. A seleção reúne clássicos do cinema brasileiro, produções contemporâneas, filmes experimentais, mini documentários e videopoemas que dialogam com literatura, artes visuais, memória, corpo, identidade e ancestralidade.
Para Alexandre Pimenta, o cinema ocupa um lugar estratégico dentro da proposta do evento. “O cinema está no centro desta edição da BITITA porque é um campo privilegiado de encontro entre palavra, imagem e política. A mostra articula obras de diferentes épocas e formatos para evidenciar como o audiovisual pode reescrever histórias, dar visibilidade a vozes silenciadas e ampliar as formas de narrar o mundo a partir de perspectivas plurais e insurgentes”.
Já Beatriz Goulart ressalta o caráter sensível da curadoria. “A curadoria da mostra de cinema da BITITA parte do entendimento da palavra como um território vivo, que se desloca, se fragmenta e se reinscreve nas imagens. Reunimos filmes e trabalhos audiovisuais que pensam a palavra para além do texto escrito, como memória, corpo, gesto e invenção, propondo ao público uma experiência sensível e crítica sobre as narrativas que constroem o imaginário brasileiro”.
Serviço
Bitita: Festa da Palavra (Luz–Palavra–Imagem)
19 a 22 de março de 2026
Palácio das Artes – Belo Horizonte
Entrada gratuita
Exposição “A primeira vez que voei foi na página 35” – Maré de Matos
10 de março a 26 de abril de 2026
Galeria Mari’stella Tristão – Palácio das Artes