
A arquitetura afetiva está na ordem do mundo atual e, portanto, gera desejo de um novo sentido de morar. Acolhimento, segurança, bem-estar, equilíbrio, inovação, natureza, sustentabilidade e tecnologia foram os desafios entregues a arquitetos, designers e paisagistas que vão traduzir a vida contemporânea e o lar do agora.
Eduardo Faleiro e Juliana Grillo, diretores da Casa Cor, trabalham a todo vapor para que tudo esteja perfeito para os visitantes que virão prestigiar os 31 anos da mostra em Minas. “O tema faz conexão entre a emoção e a razão, além de estabelecer uma ligação forte com a natureza e o futuro do habitar, com sustentabilidade, sendo tudo isso tratado na edição de 2026. É a visão da casa como um casulo, um lugar de acolhimento”, destaca Eduardo Faleiro.
Para Eduardo, o propósito da mostra é buscar o equilíbrio entre o natural e o tecnológico. A chamada casa inteligente recheada de iluminação e climatização automatizada, fechaduras biométricas, robôs aspiradores, chamadas de voz, monitoramento de câmeras, tudo gerenciado por aplicativo, precisa buscar um balanço, frear a frieza para não deixar o ambiente estéril. “A proposta é mostrar a importância de elementos naturais, da biofilia, das plantas. A tecnologia, claro, estará atrelada porque vivemos em mundo conectado, mas vai estar acompanhada de uma interpretação da casa mais natural e com leveza para o morar. A casa é o lugar mais importante da nossa vida, lugar da família, para estar ao lado de quem amamos, do descanso e vamos refletir sobre tudo isso na Casa Cor”, enfatiza o diretor.
Já para Juliana Grillo, o tema também é fio condutor das propostas desafiadoras colocadas nas edições passadas. “Ele não é só coerente com o andar dos temas anteriores, mas é realmente o que vivemos hoje. É pensar no que é importante para você, o que lhe satisfaz. A Casa Cor, para além da mostra de arquitetura e design de interiores, tem a preocupação de extrapolar e estar aliada com a verdade do agora. Ao chegar em casa o que é essencial? Um ambiente acolhedor e um espaço que atenda às necessidades. O coração pede aconchego, o mundo inteiro está em um processo de ter responsabilidade sobre seus atos. Então, o que estamos usando hoje em dia é sustentável? Os materiais que ponho na minha casa, o que descarto sem necessidade. É ter aliado à mente e ao coração este viver do dia a dia, se comprometendo com o que compra, usa e descarta ao mesmo tempo que tenha satisfação e paz. A casa não deixa de ser o extrapolar da arquitetura e este tema liga tudo isso. Evidentemente, cada profissional terá uma leitura, sua linguagem e intenção, o que faz o evento dinâmico, rico e diverso”.
E ao se materializar em um prédio histórico, valorizando o patrimônio arquitetônico e a cidade, o evento exalta a temática de 2026. Juliana lembra que a Casa Cor, "em cerca de 20 edições", foi criada em ambientes tombados ou em processo de tombamento. “A mostra sempre entrou como aliada dos órgãos responsáveis contribuindo com o restauro ou recuperação destas edificações. Fizemos boa parte das obras no ano passado e, este ano, junto com a PUC, continuamos com a recuperação e o restauro do imóvel, que estava muito deteriorado, para deixá-lo pronto e para ser, oficialmente, aberto à PUC Minas em 2027”.
Para o arquiteto Alexandre Rousset, presente em cinco edições da Casa Cor, desenvolvendo principalmente projetos de cenografia, instalações e galerias, o tema deste ano é oportuno porque “ressoa com os desafios contemporâneos, a sociedade atual, com seus estímulos intensos e presentes em vários níveis, especialmente digitais, nos pressionando. E este olhar, atento ao equilíbrio entre mente e coração, deve inspirar a arquitetura nesta experimentação que fazemos na Casa Cor, que é um território para desenvolver experiências que num contexto da vida real não conseguimos levar às últimas consequências. Mas, na mostra, com este impulso de liberdade, podemos ir adiante. E quem a visita pode fazer suas interpretações e se apropriar de cada ambiente como inspiração”.
Economia criativa
Eduardo Faleiro reforça ainda o poder do evento para a economia da capital. “Em 2026, serão 50 ambientes assinados, estimamos de 70 a 80 profissionais do setor, é uma economia gigante, uma cadeia grande, com cada profissional trazendo sua equipe e, no final, serão milhares de pessoas envolvidas fomentando o mercado criativo. Desta forma, teremos cada vez mais profissionais no mercado. A Casa Cor gera cultura, gera educação e impulsiona a economia circular no setor”.
Movimentos que envolvem diversidade de personagens. “Queremos que a Casa Cor seja cada vez mais democrática e plural”.
O professor Carlos Barreto Ribas, pró-reitor adjunto da PUC Minas Lourdes, esteve presente no open house e destacou o valor da parceria com a Casa Cor: “É a experimentação e a conexão entre diferentes áreas do conhecimento. Receber novamente a Casa Cor reafirma essa vocação. A mostra dialoga de forma natural com nosso propósito institucional e com a atmosfera que buscamos proporcionar aos nossos estudantes e visitantes. Renovamos uma parceria que foi bem-sucedida e é reflexo do êxito compartilhado entre profissionais, visitantes e toda a comunidade que circula pelo nosso campus”.
Vale registrar que a PUC Minas Lourdes comporta 7,2 mil alunos, 16 cursos de graduação, entre eles arquitetura, em sete áreas de conhecimento das 10 que a universidade tem, além de oferecer mestrado, doutorado e formação lato sensu. “É um campus vivo, com a área tombada ainda com projetos a serem implementados, mas que celebra 10 anos em 2026, tempo marcado pela inovação, formação e diálogo com a cidade”, completa o pró-reitor.
Os investidores
A Casa Cor Minas Gerais é realizada pela Multicult, e conta com o patrocínio master da Deca. Os fornecedores oficiais desta edição são: Coral Tintas, ArcelorMittal. Entre os patrocínios locais, estão: PUC Minas, OOH Brasil, Brastemp, OOH Brasil e Philco.
A energia oficial é fornecida pela Click Livre. A 31ª conta ainda com os apoios do Sebrae, CAU/MG, Portinari, Guararapes, Divinal e Detronic.
Legados de 2025
- A edição de 2025 da Casa Cor, quando celebrou 30 anos, deixou um legado para a mostra de 2026, montada no mesmo lugar: o prédio da PUC Minas Lourdes, no Circuito Liberdade. Houve intervenções estruturais, como restauração dos pisos de madeira, recuperação da pintura interna, limpeza e início do restauro da fachada frontal, novo projeto de iluminação externa, melhorias de acessibilidade, revitalização das áreas de circulação e implantação de novos banheiros públicos.
- A criação do Espaço de Formação do Arquiteto e Urbanista CAU/MG e PUC Minas, concebido para se tornar um auditório permanente da universidade, com cerca de 120 m² e capacidade para aproximadamente 100 pessoas. Projetado com arquibancadas em madeira, o espaço tem piso acarpetado e soluções acústicas e de iluminação adaptáveis para palestras, apresentações e debates.
- Projeto de iluminação da fachada, assinado pela arquiteta, urbanista e lighting designer Mariana Novaes, fundadora da Atiaîa.
Serviço
Evento: Casa Cor Minas Gerais 2026
Evento: Casa Cor Minas Gerais 2026
Local: Rua da Bahia, 2020 — Lourdes — Belo Horizonte (MG)
Datas: 15 de agosto a 27 de setembro de 2026
Informações: https://casacor.abril.com.br/mostras/minas-gerais/