
Com entrada gratuita, mediante retirada de ingressos pela plataforma Sympla, o festival adota nesta edição o conceito “Colheita”, que orienta a seleção de trabalhos e a programação. O chamamento público realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 recebeu 85 propostas de artistas de Belo Horizonte e da região metropolitana.
“A maioria das propostas que recebemos são de coletivos, percebemos após a finalização da curadoria que muitas obras foram feitas por muitas mãos e isso se relaciona com a natureza da nossa associação também", comenta Letícia Bezamat, coordenadora de comunicação do festival e atriz, que complementa: "O diálogo com o conceito Colheita foi um dos critérios da nossa curadoria, portanto todos os trabalhos que compõem o festival tem algum ponto de contato com esse universo. Para nós da Coletiva Fanchecléticas, este evento é fruto da nossa colheita. Foram quase três anos para captar os recursos necessários deste festival, o que revela não só resistência da coletiva, mas o fortalecimento da nossa instituição e do nosso fazer artístico".
A programação reúne espetáculos teatrais, saraus literários, oficinas, shows, lançamentos de livros e sessões de cinema. Para a organização, o objetivo é estimular a circulação entre diferentes linguagens artísticas e criar um ambiente de encontro e convivência.
“Nossa programação é um convite ao encontro entre teatro, cinema, literatura e música. A ideia é que o público circule por diferentes linguagens em um mesmo dia. Queremos criar pontas, mas sem amarras; as artes ocupam o mesmo espaço e o público decide como se conectar e o que sentir com cada mistura. Nossa ideia é criar um ambiente de encontro e convívio, um clima de festival onde as pessoas queiram participar de mais de um dia, curtir as oficinas e fazer novas amizades”, afirma Letícia Bezamat.
A abertura do festival acontece nesta quinta-feira (5), com o Sarau Fancheclético, seguido pelo show Forró Torto, que revisita a tradição do forró nordestino a partir de uma formação composta exclusivamente por mulheres cis e pessoas não binárias. O grupo expande a formação clássica do gênero ao incorporar cavaquinho e violão de sete cordas à sanfona, zabumba e triângulo.
Entre os destaques da programação musical está a apresentação de Yukáh, artista experimental do Vale do Jequitinhonha, que celebra sete anos de trajetória com o espetáculo “YUKÁH” no dia 7 de março. Já no dia 12, o público poderá assistir ao show Interioranas, encontro entre a cantora e compositora Luiza da Iola e a poeta Nívea Sabino, seguido do pocket show Ferinas Sessions, em que a banda Ferinas Groove recebe artistas negras, periféricas e LGBTQIAPN+ da região metropolitana de Belo Horizonte.
A programação formativa inclui oficinas voltadas à experimentação artística e à troca de saberes. No sábado (6), a Coletiva NBAILE realiza a oficina “DJs – Do Plantio à Colheita”, que busca incentivar a presença de pessoas trans e não binárias na música. Também estão abertas inscrições para a oficina “Brincadeiras de Terreiro”, conduzida pela multiartista e arte-educadora quilombola Jocasta Roque no domingo (7), e para “Mergulho Drag Cuir”, atividade ministrada pelo artista Eli Nunes no dia 13 de março, dedicada à exploração de diferentes expressões da drag queer e king.
Nas artes cênicas, quatro espetáculos integram a programação. A Breve Cia apresenta, no dia 8 de março, “assuviá pra chamar o vento”, dirigido por Amora Tito. Já o Grupo NaLama encena “(En)tupir: Jequitinhonha”, no sábado (6), espetáculo que articula música ao vivo e elementos da cultura popular em uma dramaturgia centrada no protagonismo feminino.
Também fazem parte da programação “A terra dá, a terra quer – Mini Ball”, da House of Juicy Brasil, no dia 14 de março, e “Expedição Reversa”, da Coletiva Fanchecléticas, que encerra o festival no dia 15 de março com direção de Marina Viana.
A programação literária inclui o lançamento da Editora Artes Sapas, no domingo (7), com apresentação dos livros “Tia Nina Sapatão”, de Nádia Fonseca, e “O sumiço da cigarra”, de Mari Moreira, além de contações de histórias e performances literárias.
O festival recebe ainda o Sarau Avoa Amor – edição especial: colheitas do afeto, conduzido pelas poetas Thamara Selva e Joi Gonçalves, no domingo (7), e o Sarau Erótico, organizado pela Transmutar-se Coletiva no dia 13 de março.
No audiovisual, serão exibidas oito obras, entre elas o documentário “Marlene Silva Dança o Mundo”, de Elaine do Carmo, no dia 12 de março, e “A Fabulosa Nickary Aycker”, de jomaka, no dia 8 de março, que retrata a trajetória de uma mulher travesti preta e periférica que encontrou no trabalho uma nova perspectiva de vida.
Festival de Arte Fancha (FAFAN). 5 a 15 de março, na Funarte MG (Rua Januária, 68, Centro, Belo Horizonte). Entrada gratuita, com retirada de ingressos pela Sympla. Programação completa em www.fanchecleticas.com/fafan e no Instagram @fanchecleticas.