
Ao todo, serão seis apresentações de choro, seis espetáculos de palhaçaria, três oficinas formativas e duas mostras, em uma agenda que convida o público a experimentar a arte de forma coletiva, entre música, humor e convivência.
Nascendo como um gesto de memória e continuidade, a iniciativa homenageia a artista Mari Carvalho, a palhaça Esmeralda, pandeirista de choro e fundadora da Cia Caxangá ao lado de Lori Moreira. Mari faleceu em 2023, mas havia idealizado o projeto ainda em 2015. A realização do festival concretiza esse desejo e mantém viva a proposta de aproximar música e comicidade.
“A ideia do festival surgiu durante o Encontro Cultural de Milho Verde, em 2015. Numa noite estrelada, pisando o chão de terra, a Mari me disse: ‘e se a gente fizesse um encontro do choro com o riso? ChoradaRia!’. A ideia já nasceu com nome e tudo”, relembra Lori Moreira, atriz, palhaça e coordenadora geral do festival.
O projeto foi estruturado em 2019 e aprovado em 2023 pelo Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, no nome de Mari Carvalho. Pouco depois da aprovação, a artista faleceu. “Com a partida dela, eu prometi realizar esse sonho. É o cumprimento de uma promessa, uma homenagem feita de dor e alegria profundas. É o meu muito obrigada a tudo que vivemos juntas”, afirma Lori.
A proposta do festival parte de uma afinidade entre o choro e a palhaçaria: ambos se constroem na roda, no encontro e na escuta. Enquanto o choro, surgido no século XIX, combina virtuosismo técnico e improviso coletivo, a palhaçaria se apoia na presença, no risco e na relação direta com o público.
“O choro tem partitura e improviso. A palhaçaria tem roteiro e presença no agora. Ambos dependem da relação viva com quem está ali”, explica Lori. “Um solo de cavaquinho e uma gag cênica têm algo em comum: precisão técnica e espaços de liberdade”, completa.
Essa aproximação também busca promover um encontro entre diferentes gerações. “O choro costuma ser muito acessado por pessoas mais velhas, que trazem a memória afetiva desse repertório. A palhaçaria tem forte apelo com o público infantil e jovem. Ao reunir essas duas forças, a praça vira território de convivência real. Queremos que quem venha pelo riso descubra a riqueza do choro. E que quem venha pela música se permita rir”, sublinha.
A curadoria do festival prioriza a diversidade e o protagonismo feminino. A maior parte dos grupos foi selecionada por meio de convocatória aberta, com critérios que consideram tanto a qualidade artística quanto a presença de mulheres nas formações. A seleção é assinada por Adriana Morales (Grupo Trampulim), Raíssa Anastásia (Abre a Roda Mulheres no Choro), Lori Moreira (Cia Caxangá) e Iara Carvalho.
Programação
A abertura, no Dia Nacional do Circo (27 de março), traz o espetáculo “Manotas Musicais”, do Grupo Trampulim, seguido da roda “Brasil de Compositoras”, do coletivo Abre a Roda Mulheres no Choro. Nos dias seguintes, a programação reúne apresentações que combinam música e comicidade, como “Fuzuê: um Show Musiclown”, do Trio Bocó, e “Na Roda de Choro: Música é brincar com o tempo”, do Duo Prestíssimo.
Ao longo de abril, o festival promove oficinas que aprofundam o diálogo entre as linguagens, incluindo atividades de improvisação, prática musical e técnicas de palhaçaria, culminando em uma mostra conjunta com trilha ao vivo para cenas cômicas. A programação segue com espetáculos como “Chorando de Rir”, “Girô” e rodas de choro com grupos da capital.
O encerramento acontece em 23 de abril, Dia Nacional do Choro, com o espetáculo “ParaChicos”, do Grupo Maria Cutia, e a apresentação do grupo paulistano Choronas, referência na cena do choro feminino.
Festival ChoradaRia – O Encontro do Choro com o Riso.
De 27 de março a 23 de abril, em praças e centros culturais de Belo Horizonte.
Gratuito.
Programação completa em: ciacaxanga.com.br
Gratuito.
Programação completa em: ciacaxanga.com.br