
Com curadoria de Sarah Ruach, a exposição apresenta obras marcadas pela liberdade formal e pela intensidade cromática, características centrais da produção de Quim. Radicado na capital mineira, o artista constrói um universo visual que parte de elementos reconhecíveis, como paisagens, figuras humanas, animais e cenas do cotidiano, reorganizados sob uma lógica própria, em que memória e imaginação coexistem.
Segundo a curadora, a aparente espontaneidade das telas revela uma estrutura interna rigorosa. “Existe uma organização sensível muito clara”, afirma Sarah Ruach. “Mesmo quando a composição parece inconsciente, há um equilíbrio entre memória, gesto e cor que sustenta a pintura”, observação que inspira o título da mostra.
Associada frequentemente à produção autodidata, a arte naïf valoriza a espontaneidade criativa, o uso expressivo das cores e formas próprias de organizar cenas e espaços. No trabalho de Quim, essa linguagem se manifesta na construção de composições intuitivas que partem da experiência cotidiana e revelam identidade visual consistente.
O galerista e colecionador Costantino Papazoglu destaca a força expressiva da obra ao afirmar que, em sua pintura, encontrou “autenticidade sem cálculo, diversidade sem artifício e uma criatividade inesperada”.
A trajetória do artista também chama atenção por sua origem fora dos circuitos tradicionais das artes visuais. Antes de se dedicar à pintura, Quim atuou como pintor de paredes, percurso que, para o colecionador Alexandre Miranda, reforça o caráter universal da criação artística. “A arte pode estar em qualquer lugar; ignora origens e rótulos, revela-se a quem transforma o ver em sentir”.
A exposição estabelece ainda um diálogo entre as obras e o espaço que as abriga. Projetado por Oscar Niemeyer, o Palácio das Mangabeiras integra um dos conjuntos modernistas mais emblemáticos da cidade e, atualmente, funciona como espaço cultural aberto ao público, inserido na paisagem da Serra do Curral.
O entorno do Parque do Palácio, com jardins amplos e vista panorâmica da capital, amplia essa relação entre arte e natureza — elemento recorrente na produção do artista, em que cidade e paisagem aparecem como territórios afetivos.
“Inconsciente Preciso” marca não apenas a estreia individual de Quim, mas também a afirmação de uma produção que valoriza o gesto espontâneo e a experiência cotidiana como matéria estética. Nas palavras do colecionador e estudioso da arte popular Rildo, “Quim nasceu pronto”.
Serviço
Horário de funcionamento do Parque do Palácio:
Quarta a sexta-feira: 10h a%u0300s 18h
Sábado e domingo: 9h a%u0300s 18h
Enderec%u0327o: Rua Professor Djalma Guimarães, 161 – Portaria 2, Mangabeiras, Belo Horizonte – MG, Brasil
Ingressos: R (inteira) e R (meia). Entrada gratuita Codemge às quartas, quintas e sextas-feiras mediante retirada pelo Sympla