
A residência, que teve início no dia 23 de março, reuniu 29 artistas de Belo Horizonte e da região metropolitana, tendo como proposta uma experiência intensiva de troca entre saberes afro-brasileiros e práticas contemporâneas, articulando treinamento corporal, investigação de movimento, criação coletiva e música ao vivo. “Mais do que um processo de transmissão, a residência se constrói como uma experiência de mão dupla, em que ensino e aprendizagem acontecem simultaneamente. Eu me coloco como um provocador, mas também sou atravessado pelos corpos e pelas vivências que estão presentes. A expectativa é que todos nós, participantes e proponente, saiamos mobilizados, tocados e transformados, levando e deixando um pouco de nós nesse encontro. A dança, nesse contexto, ativa um saber sensível que só se estabelece na troca, na presença e na escuta”, afirma.
A proposta também busca fortalecer redes entre artistas e fomentar a produção de conhecimento em dança, com atenção a práticas protagonizadas por pessoas negras e LGBTQIAP+. “Ao longo dos seis dias, participantes se dedicaram a processos de treinamento, investigação e criação, em uma experiência imersiva que priorizou a troca de saberes e a construção de redes entre artistas de Minas Gerais e da Bahia. O projeto também se destaca por fomentar a produção de conhecimento em dança e fortalecer práticas protagonizadas por pessoas negras e LGBTQIAP no campo artístico”, explica Carol Vilela, coidealizadora e coprodutora da iniciativa.
À frente da residência, Agnaldo Fonseca constrói uma trajetória que articula tradição e contemporaneidade nas danças afro-brasileiras. Com mais de três décadas de atuação, foi integrante do Balé Teatro Castro Alves, é mestre em Dança pela UFBA e atua como gestor do Departamento de Dança do Bloco Afro Malê Debalê, em Salvador, onde coordena projetos formativos voltados a crianças e jovens.
O projeto também conta com a participação da mestra Júnia Bertolino, referência nas danças afro-brasileiras em Minas Gerais, responsável por conduzir a prática de abertura da residência. Com mais de 26 anos de atuação em Belo Horizonte, ela fundou a Cia Baobá Minas, voltada à articulação entre performance e ritualidade.
Na construção sonora, a residência reuniu o percussionista convidado Valter Ouro, integrante da ala de canto do Ilê Aiyê, ao lado dos percussionistas anfitriões Italo Dias, Tadeu Moura e Pedroka (Pedro Alves), que atuam em diferentes frentes da música e das tradições afro-brasileiras, incluindo vivências em terreiros, formação acadêmica e participação em blocos culturais da capital.
A idealização e produção são assinadas por Bárbara Maia, artista e produtora cultural, bailarina da Cia de Dança Palácio das Artes, e por Carol Vilela, artista, pesquisadora e doutoranda em Artes pela UFMG, que desenvolve investigações voltadas à relação entre criação, memória e produção cultural.
Danças de matrizes afro-brasileiras: confluências entre Minas e Bahia
Compartilhamento público e roda de conversa
Data: sábado, 28 de março de 2026
Horário: 16h às 18h
Local: Funarte MG (Rua Januária, 68 – Centro)
Entrada: gratuita, sem necessidade de inscrição prévia