
Com ilustrações de Suzane Lopes, finalista do Prêmio Jabuti 2023 pelo livro “Óculos de cor”, a obra propõe um diálogo entre infância e memória ancestral. Após o lançamento, o livro também estará disponível na loja virtual da Associação Artes Sapas.
Em um país onde mais da metade da população é negra, segundo o IBGE, a autora propõe uma narrativa voltada à representatividade. “Acredito muito na importância de que essas crianças possam se reconhecer nas histórias que leem. Que possam se encontrar nas páginas dos livros, sentir-se representadas, ver refletidas suas belezas, suas ancestralidades e suas potências. Isso significa também acessar narrativas que falem de nós para além da dor, histórias que celebrem nossa existência, nossa imaginação, nossa relação com a natureza, com o universo, com as grandezas e as pequenezas do mundo. Se o livro puder abrir esse espaço para os pequenos leitores e leitoras, então ele já estará contribuindo muito”, comenta a autora.
Em “Dinari”, Éle Fernandes resgata memórias da infância em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para narrar um encontro simbólico sob a sombra de uma árvore. “Dinari nasceu de um sonho, mas também das minhas lembranças de infância. Eu cresci em um bairro onde havia uma pequena praça feita de pequenos tijolinhos. Um dia eu sonhei com essa praça e com uma senhora ancestral, uma mulher negra, sentada debaixo de uma árvore. Alguns meses depois, vi novamente aquela praça e fiquei completamente encantada ao perceber que ela já não era tão grande quanto parecia na minha infância, mas também não era tão pequena assim. Foi então que comecei a escrever Dinari, nessa brincadeira entre a pequenez e a grandeza, entre a miudeza das coisas e a força dos elementos da natureza”, revela. “Aquele sonho, para mim, foi um chamado ancestral, como se ela me convidasse a escutar histórias que estavam guardadas ali, como se ela me convidasse a olhar para o meu ‘futuro ancestral’”, completa.
A obra também propõe um encontro entre diferentes gerações, ao valorizar tanto a perspectiva da infância quanto a sabedoria da velhice. Segundo a autora, a narrativa busca aproximar esses dois momentos da vida, frequentemente desvalorizados.
Além da versão impressa, o projeto inclui um audiolivro com audiodescrição e tradução em Libras. A iniciativa também prevê a distribuição de 300 exemplares para escolas e bibliotecas públicas de Belo Horizonte e região metropolitana.
Lançamento do livro "Dinari"
Data: 11 de abril de 2026 (Sábado)
Horário: 13h30
Local: Livraria Aluá (R. Mármore, 654 - loja 06 - Santa Tereza, BH)
Gratuito