
Nesta edição, as atividades se concentram na sede da Sobrilá Cia de Teatro e no Centro Cultural José da Costa Sepúlveda, com apresentações abertas ao público e bate-papos com artistas e curadores após os espetáculos. Parte da programação também ocorre em Belo Horizonte, no Teatro da Fumaça.
O ponto de partida do Colisão é promover o encontro entre o público, artistas e grupos, para criar um espaço de conhecimento, reconhecimento, compartilhamento e investigação. A proposta é, segundo a curadora Carolina Cândido, “ser um espaço de intercâmbio cultural, que estimula a prática, a reflexão e a troca de experiências artísticas, em busca de fomentar uma rede de articulação entre as localidades”.
A abertura acontece no dia 8 de abril, às 20h, com o espetáculo “Colóquio Sentimental”, no Centro Cultural José da Costa Sepúlveda. A peça, de Mônica Ribeiro, com atuação de Camila Felix e Gabriel Corrêa, aborda a relação desgastada de um casal e propõe reflexões sobre diálogo e empatia. O espetáculo também terá uma sessão fechada para estudantes no dia seguinte.
“O ‘Colóquio Sentimental’ é uma obra muito potente, tanto estética quanto tecnicamente, além de ser atemporal na sua temática e abordagem, ao falar do rompimento. É como se o espetáculo fosse o ‘alicerce’ do Colisão deste ano, pois quando confirmamos a sua apresentação, percebemos a necessidade de trazer mais trabalhos nessa mesma tessitura: que usassem o conceito de rachadura”, diz o ator e diretor Anselmo Bandeira, um dos curadores do evento.
No dia 9, a sede da Sobrilá recebe “Peixes”, de Ana Regis, que apresenta a narrativa fragmentada de uma professora internada em um manicômio judiciário. Já o encerramento da programação de espetáculos ocorre no dia 12, às 18h, com “Mineral Ibsen”, montagem do Teatro da Fumaça em parceria com a Sobrilá, com direção de Marina Arthuzzi. A peça retrata uma comunidade do interior de Minas Gerais marcada por uma “rachadura” que simboliza, ao mesmo tempo, progresso e ruína.
“A companhia Sobrilá possui um belo trabalho em repertório, além de ser um grupo que pensa o teatro de intercâmbio, que atua em parceria com outros coletivos, e que promove formação artística. O trabalho do grupo está muito alinhado ao Colisão”, afirma Bandeira.
A curadoria do festival parte de um recorte temático que busca refletir sobre as tensões contemporâneas e processos de desumanização. “O ‘Colóquio Sentimental’ traz isso dentro de uma relação doméstica, na incapacidade de certas relações, principalmente como consequência do machismo. ‘Peixes’, de todos, é aquele que nos convida a uma experiência íntima e social diretamente associada a um grupo de pessoas: todo um contexto que atravessa o feminicídio e abuso sobre corpos femininos. E ‘Mineral Ibsen’, por sua vez, reflete como, além de nos desumanizar, também nos distanciamos, desassociamos e nos ‘apoderamos’ da natureza, da vida que existe no nosso entorno”, detalha o curador.
Além dos espetáculos, o festival promove, no dia 10 de abril, uma atividade de intercâmbio entre artistas no Teatro da Fumaça, em Belo Horizonte. A ação é fechada ao público e tem como objetivo estimular a troca de experiências entre os participantes.
“Não é incomum no meio artístico ouvirmos colegas dizerem que sentem falta de espaços para a troca, para novas vivências e aprendizados, que permitam se enxergar no outro. O intercâmbio permite ampliar esse conhecimento, reconhecimento e as oportunidades. Esse é o momento do Colisão para que os artistas possam compartilhar as suas experiências e resultados, o seu jeito de fazer teatro, e fomentar uma rede de articulação”, explica Bandeira.
A programação inclui ainda a oficina “Corpo e Ritmo na Cena”, no dia 11, das 14h às 17h, na Sobrilá Cia de Teatro. Ministrada pelos atores Camila Felix e Gabriel Corrêa, a atividade propõe a criação de sequências de movimento a partir de estruturas rítmicas, abertas ao público em geral.
Durante o festival, também estão previstas visitas a pontos culturais de Sabará, com o objetivo de valorizar a história local e fortalecer a cadeia produtiva do setor. “O objetivo é impactar mutuamente os territórios envolvidos por meio da produção artística de cada localidade, mas também turística. E essa cadeia criativa, que também é produtiva, se desdobra em valor cultural e socioeconômico. Ou seja, a troca proposta se dá em vários níveis: artístico; cultural; social; e econômico”, explica Carolina Cândido.
Serviço
08/04 – “Colóquio Sentimental”, às 20h - Centro Cultural José da Costa Sepúlveda
Bate papo com os curadores do Festival após a apresentação
Ingressos: R$ 10. Vendas no site Sympla
09/04 – “Peixes”, às 20h - Espaço Sobrilá
Bate papo com os curadores do Festival após a apresentação
Ingressos: R$ 10. Vendas no site Sympla
11/04 - Oficina “Corpo e ritmo na cena”, às 14h - Espaço Sobrilá
Aberto ao público geral.
Gratuita. Inscrições pelo link
12/04 - Mineral Ibsen, às 18h, no Espaço Sobrilá
Bate papo com os curadores do Festival após a apresentação
Ingressos: R$ 10. Vendas no site Sympla