
Dirigida por Eduardo Moreira, fundador do Grupo Galpão, a peça fica em cartaz até 31 de maio, com sessões às sextas-feiras, às 20h; sábados, às 18h e 20h; e domingos, às 18h.
O espetáculo parte dos diários escritos por Judith Malina em 1971, período em que o grupo Living Theatre foi preso em Minas Gerais pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), órgão de repressão da ditadura militar brasileira. Os textos, publicados à época no jornal Estado de Minas, serviam não apenas como registros do cotidiano, mas também como ferramenta de proteção política e comunicação com o exterior, ajudando a projetar internacionalmente a situação de repressão vivida no Brasil.
A pesquisa que deu origem ao espetáculo investigou a maneira como Judith Malina utilizava a escrita também como parte de sua atuação artística, escolhendo cuidadosamente o que poderia ser revelado, ocultado ou compartilhado naquele contexto de censura e perseguição política.
A montagem nasceu a partir de uma iniciativa do ator Jean Gorziza e vinha sendo desenvolvida desde 2025 em encontros com João Santos, Marina Viana e Teuda Bara. Pouco antes de morrer, Teuda convidou Eduardo Moreira para assumir a direção do trabalho.
Inicialmente, a proposta previa que a atriz conduzisse a leitura dos textos em cena. Com sua ausência, o processo criativo foi reformulado, mas a perda acabou incorporada à própria dramaturgia, que passou a lidar também com a ideia de continuidade artística entre diferentes gerações.
Em cena, a peça acompanha dois pesquisadores que mergulham nos registros deixados por Judith Malina para compreender não apenas os acontecimentos envolvendo o Living Theatre em Minas Gerais, mas também os ideais artísticos e políticos do grupo. Durante essa investigação, surge uma terceira figura: uma atriz que atravessa tempos, linguagens e memórias, funcionando como representação do próprio teatro e também da presença de Judith Malina.
Ao longo do espetáculo, os intérpretes também aparecem como artistas do presente, trazendo reflexões sobre os desafios da criação artística contemporânea, as condições atuais de trabalho e as possibilidades de permanência da arte diante de um cenário de transformações e adversidades.
A prisão do Living Theatre em Minas ocorreu às vésperas do Festival de Inverno da UFMG, em um contexto de perseguição a artistas e intelectuais durante a ditadura militar. Segundo a produção da peça, a acusação de posse de drogas utilizada para justificar a detenção do grupo evidencia o uso de mecanismos legais como instrumento de repressão política.
O espetáculo também dialoga com a memória do antigo prédio do DOPS em Belo Horizonte, atualmente alvo de reivindicações para transformação em espaço de memória. A montagem propõe uma reflexão sobre a preservação dessas histórias e sobre as disputas em torno da memória da repressão no Brasil.
Serviço
"Viagem pela Noite de Minas"
22 a 31 de maio de 2026
Sextas - 20h
Sábados (duas sessões) - 18h e 20h
Domingos - 18h
A sessão do dia 24 de maio terá interpretação em Libras
Teatro Francisco Nunes )Av. Afonso Pena, 1321 - Centro)
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
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