
Com referências à arte cinética, ao construtivismo latino-americano e aos escritos futuristas de Luigi Russolo, Villafañe desenvolve trabalhos que articulam percepção, movimento, luz e som. Em séries como “Paisajes Audibles”, a artista cria grandes composições geométricas que sugerem ondas sonoras e paisagens em transformação, enquanto obras como “Dinamismos” e “El Sonido del Tiempo” incorporam motores, luzes e estruturas programadas para investigar o tempo e a experiência perceptiva.
“Essa exposição reúne diferentes investigações que venho desenvolvendo nos últimos anos em torno da percepção, do movimento e da representação visual do som. Meu trabalho nasce de um profundo interesse pelos fenômenos sensoriais e pela maneira como o corpo percebe o tempo, a luz e a vibração no espaço. Nas obras cinéticas e nas pinturas, procuro construir paisagens sonoras visuais, onde a matéria parece entrar em estado de ressonância. Muitas dessas pesquisas foram influenciadas pelos escritos futuristas de Luigi Russolo e pela ideia de que os ruídos fazem parte da experiência contemporânea e do nosso cotidiano perceptivo”, afirma a artista.
Segundo Scovino, a produção de Villafañe reúne diferentes linguagens e propõe experiências abertas à interpretação do público. “Villafañe aproxima geometria, som, arquitetura e pintura em uma obra íntegra, porém esquiva porque está aberta, enquanto um jogo virtual, a especulações por parte do espectador. Não se tratam ‘apenas’ de pinturas, mas de paisagens que possuem um comprometimento com o som”, diz.
A exposição também inclui trabalhos como “Prototipo de experimentacion sonora”, em que motores e esferas metálicas produzem sons e movimentos contínuos, além de obras como “Habitar la máquina”, voltadas à investigação de espacialidade e percepção ótica a partir de estruturas motorizadas e superfícies reflexivas.
“Tenho uma expectativa muito especial para essa exposição, porque é minha primeira individual no Brasil e sinto que existe uma conexão muito forte entre meu trabalho e a sensibilidade do público brasileiro. Também estou muito feliz com o diálogo construído com a galeria e com a curadoria, que trouxe novas leituras e aprofundou aspectos importantes da minha pesquisa, especialmente a relação entre vazio, tempo e percepção”, completa Villafañe.
A mostra ainda apresenta séries como “Polifonias: Concierto para esferas metálicas”, “Tiempo de Retorno”, “Compás de espera” e “Distorsión envolvente”, ampliando a investigação da artista sobre geometria, movimento, espacialidade e som.
Para Scovino, a artista “promove uma mudança na duração perceptiva, pois, de modo geral, quando realizamos a experiência de nos conectarmos à sua obra o tempo parece se dilatar. Voltamos as nossas atenções para uma indagação mais estendida e aprimorada sobre o que está diante de nós. E isso não é pouco em um mundo regido pela fugacidade e competição. As formas ilusórias e a vivência do tempo-duração de Villafañe tornam aparente a imprecisão sobre classificar as coisas e o quão diversa é a nossa experiência no mundo”, afirma.
Serviço
Exposição “Das pinturas com luz às paisagens sonoras” – Mariana Villafañe
Curadoria: Felipe Scovino
Abertura: 23 de maio de 2026, das 11h às 14h.
Período de visitação: 25 de maio a 4 de julho de 2026
De segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados, das 10h às 14h
Local: Galeria Murilo Castro (Rua Saturno, 10 – Santa Lúcia)