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Mostra Vertentes ocupa rua no Cachoeirinha com atrações gratuitas

Evento da Associação Campo das Vertentes terá shows, oficinas e espetáculos para todas as idades neste domingo (31), em Belo Horizonte


postado em 29/05/2026 09:13 / atualizado em 29/05/2026 09:19

A cantora Bia Nogueira é uma das atrações da Mostra(foto: Lorraine Smith/Divulgação)
A cantora Bia Nogueira é uma das atrações da Mostra (foto: Lorraine Smith/Divulgação)
A Associação Campo das Vertentes (ACV) promove neste domingo (31), em Belo Horizonte, a terceira edição da Mostra Vertentes. Pela primeira vez em formato presencial, o evento ocupa a rua em frente à sede da associação, no bairro Cachoeirinha, na região Nordeste da capital, com uma programação gratuita voltada para diferentes públicos e faixas etárias.

Das 9h às 19h, a rua Senhora do Brasil, número 707, recebe shows, espetáculos cênico-musicais, oficinas e brincadeiras. Entre os destaques da programação estão apresentações do Grupo Serelepe, Pereira da Viola, Negra Mina e Bia Nogueira, além de atividades voltadas às infâncias. Segundo a organização, as linhas de ônibus que dão acesso ao bairro serão gratuitas no domingo.

A programação infantil abre a mostra pela manhã com atrações como “Caracol”, espetáculo dirigido por Eugenio Tadeu e idealizado pela cantora, instrumentista e compositora Irene Bertachini. A montagem acompanha a trajetória de um caracol em busca de sua casa e mistura música, poesia e humor com referências afro-brasileiras e latino-americanas. O evento também marca o lançamento do álbum do espetáculo.

Outra atração inédita é “Filhos da Terra do Sol”, do Coral Araras Grandes, de Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. Inspirado no universo poético de Manoel de Barros, o trabalho reúne teatro, música e poesia em uma proposta voltada ao imaginário infantil.

Já o espetáculo “Locotoco”, do Grupo Serelepe, traz canções e brincadeiras tradicionais recolhidas em diferentes regiões do Brasil e da América Latina. Instrumentos como viola caipira, tambores e percussões conduzem o público em experiências interativas voltadas para crianças, jovens e adultos.

Ao longo do dia, o público também poderá participar de oficinas promovidas pela Casa das Trocas, com Mestre Faria e Mestra Amâncio, além da atividade “Vivência com Barro”, conduzida pelo figurinista e cenógrafo Rodrigo Cohen. A proposta utiliza argila em experiências táteis voltadas especialmente para crianças e idosos.

Na programação musical, a multiartista Bia Nogueira apresenta o show inédito “Boteco da Marília”, dedicado ao repertório de Marília Mendonça. “Esta é uma homenagem profundamente pessoal. Para mim, o apelo popular da obra da Marília Mendonça encontra uma ressonância direta com esse gesto da ACV de levar a arte para a rua. É um convite para que todos, da Cachoeirinha e além, possam se aproximar, trocar e se inspirar junto conosco”, comenta Bia Nogueira.

Também se apresenta a cantora Michele Oliveira, agora sob o nome artístico Negra Mina, em show de lançamento do álbum “Música Preta”, trabalho que reúne referências de soul, jazz, blues, reggae, rock, pop, MPB e samba.

Encerrando a programação, o cantor, compositor e violeiro Pereira da Viola sobe ao palco com repertório que reúne músicas da carreira e do álbum “África Interior”, lançado em 2025.

A edição deste ano marca ainda a primeira vez em que a Mostra Vertentes acontece presencialmente. Criada durante a pandemia, a iniciativa teve as duas primeiras edições realizadas de forma virtual. Segundo os organizadores, o objetivo agora é ampliar o diálogo com o território onde a associação atua desde 2015.

“O Cachoeirinha é um bairro importante para a cidade de Belo Horizonte, com vida comunitária pulsante, que acolheu a sede da ACV. A Casa da Cachoeirinha é o nosso lar de ensaios, encontros e espaço de criação. Fazemos ali entregas artísticas há anos e, agora, levar tudo isso para a rua é criar uma ponte entre as paredes onde trabalhamos e a cidade”, comenta Bia Nogueira, que também é integrante da Associação Campo das Vertentes.

A cantora Titane, fundadora da associação, afirma que a mostra surgiu da vontade de apresentar a diversidade artística do coletivo. “Havia o desejo de realizar uma mostra que apresentasse a diversidade da produção atual do coletivo de artistas da ACV, contemplando públicos de diferentes faixas etárias. Assim, a Mostra Vertentes nasce expressando a diversidade e a inquietude da ACV: um coletivo de artistas e colaboradores, que compartilha afinidades éticas e estéticas, dispostos a inventar nas mais variadas vertentes do teatro, dança, e, sobretudo, da música. Desejamos que a Mostra Vertentes cresça e passe a integrar o calendário cultural da cidade de BH, ganhando continuidade”, afirma.

A artista também destaca o interesse crescente da associação em produções voltadas à infância. “A ACV está em atividade há quase duas décadas e nesse tempo, fomos amadurecendo enquanto coletivo, em nossas pesquisas e escolhas artísticas dentro da linguagem cênico-musical, e também como sujeitos. Naturalmente vieram outras gerações. Com a chegada dos filhos, despertamos para a importância de explorar e nos aproximar também de uma arte produzida para e com a  infância, na perspectiva da fruição e também do resgate da brincadeira como ponto de partida para formação do olhar sensível, do equilíbrio lúdico, da vitalidade sensorial. Tudo isso apostando no  convívio entre adultos, crianças e idosos. Então, estão todos convidados”, diz.

Além da programação artística, a Mostra Vertentes também pretende fortalecer vínculos com a comunidade do entorno. “Vamos registrar e difundir relatos de história oral sobre a escola infantil que funcionava onde hoje é a sede da ACV. É uma forma de nos aproximar da comunidade do bairro e construir junto o entendimento de que a arte pode ser um lugar de encontro, memória, fruição e reflexão coletiva”, afirma Titane.

Serviço - Mostra Vertentes 2026
31 de maio, domingo 
9h às 19h
Local: Rua Senhora do Brasil, 707, bairro: Cachoeirinha BH/MG
Em frente à sede da Associação Campo das Vertentes 

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