
Com dramaturgia inédita de Pedro Kosovski e direção de Inez Viana, o espetáculo acompanha diferentes momentos da vida de Monique, mãe do autor francês, em uma narrativa que aborda violência de gênero, desigualdade social e emancipação feminina. No elenco, estão Malu Galli e Tiago Martelli, também idealizador do projeto.
A peça parte das duas obras literárias de Édouard Louis que abordam a trajetória de sua mãe sob perspectivas distintas. Em “Lutas e Metamorfoses de uma Mulher”, publicado em 2021, o escritor reconstrói a história da mãe a partir de suas memórias sobre uma vida marcada por pobreza, trabalho exaustivo e um relacionamento abusivo. Já em “Monique se Liberta”, lançado em 2024, a própria Monique assume a narrativa e relata sua experiência de sobrevivência e resistência.
Na adaptação teatral, Pedro Kosovski aproxima as vozes de mãe e filho em cena, explorando os conflitos, afetos e marcas sociais presentes na relação entre os dois. Segundo o dramaturgo, a proposta busca traduzir para o palco a dimensão emocional e política da escrita autobiográfica de Édouard Louis.
“A dramaturgia planifica as tramas sobrepostas de duas obras literárias de Édouard Louis, cujo protagonismo está na relação ‘impossível’ que enlaça e desenlaça mãe e filho. Busquei a ação emocional da escrita autobiográfica de Louis, uma ação que rompe decisivamente com o estado de anestesia que muitas vezes marca existências em nossa sociedade. Entre dívidas e reivindicações, algo do impossível desse encontro entre mãe e filho pronuncia imperativamente um chamado emocional: é urgente que se façam sentir as existências neste mundo, apesar desse mundo”, afirma Kosovski.
A montagem também conta com participação do próprio Édouard Louis em voz off, em uma cena de conversa telefônica entre ele e a mãe. Para o escritor, a história retratada na obra ultrapassa a dimensão pessoal.
“A história da minha mãe é a história de uma vida roubada e, portanto, também a história de uma juventude roubada, como foi a vida e a juventude de muitas mulheres e é por isso que me pareceu importante escrever este livro, rebelar-me contra isso”, afirma o autor.
Na direção, Inez Viana aposta em uma encenação que aproxima literatura e performance para discutir temas contemporâneos. Segundo ela, a obra evidencia como a violência e o apagamento de mulheres da classe trabalhadora ainda permanecem presentes na sociedade.
Para Malu Galli, que interpreta Monique, a personagem representa milhares de mulheres invisibilizadas. “Monique é uma mulher comum: dona de casa, mãe de cinco filhos. E, como toda mulher comum, Monique é uma mulher extraordinária. Uma mulher com uma força gigantesca, um amor pela vida e uma coragem de leoa. Basta dar a ela a oportunidade de ser quem é para que todos possam comprovar isso. E, quando falamos de oportunidade, falamos de autonomia. E, quando falamos de autonomia, o dinheiro está sempre no centro”, destaca a atriz.
“Na obra de Édouard Louis, encontrei uma narrativa que nos confronta com a coragem, a vulnerabilidade e a reinvenção de uma mulher que se recusa a desaparecer. Esta adaptação é um gesto de cuidado, um ato político e uma homenagem a todas as mulheres que lutam para reconquistar suas próprias vozes”, pontua Thiago Martelli, idealizador do projeto.
Serviço
“Mulher em Fuga”
Dias 30 e 31 de maio, sábado às 21h e domingo às 19h
Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro)
Ingressos: sympla.com.br e na bilheteria do teatro
Valores: Ingressos a partir de R$ 25 (meia-entrada) e R$ 150 (inteira)