
Com entrada gratuita, o evento marca o início de uma série de atividades previstas para 2026, incluindo oficinas de arte com materiais reutilizados da quimioterapia, rodas de conversa e feira de artesanato. Na ocasião, também serão distribuídas 150 mudas de plantas, por ordem de chegada.
Idealizado por Clarice Fonseca, o projeto surgiu a partir da experiência pessoal da artista durante seis meses de tratamento quimioterápico realizado pelo SUS em Belo Horizonte. Segundo ela, a proposta é oferecer apoio emocional a mulheres que enfrentam a doença, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.
“Muitas mulheres passam pelo tratamento sozinhas. Sabemos que as redes de apoio são fundamentais durante o tratamento oncológico. Mas é preciso lembrar que, além de todo o sofrimento inerente à doença, o câncer é muito mais cruel para as mulheres em situação de vulnerabilidade social. Para essas, as redes de apoio são, muitas vezes, inexistentes, pois a família precisa trabalhar, não há como estar disponível em todos os momentos, isso sem falar naquelas que são abandonadas pelos companheiros logo após o diagnóstico”, comenta Clarice.
Durante o tratamento, a artista encontrou na produção artística uma forma de enfrentamento dos efeitos físicos e emocionais provocados pela doença. “Nos dias em que eu estava mais debilitada pelo tratamento, a TV não me interessava, não suportava música ou qualquer tipo de som, não tinha concentração para ler, não tinha vontade de fazer absolutamente nada, a não ser ficar na cama. Mas quando os efeitos colaterais melhoravam, eu ia para o ateliê. Essa pequena movimentação, por menor que fosse, era importante para a minha recuperação”, lembra.
Nesse período, Clarice passou a utilizar pigmentos naturais extraídos de vegetação do cerrado, como urucum, cúrcuma, casca de árvore e folhas secas, substituindo materiais considerados mais tóxicos. Ela também começou a reaproveitar materiais utilizados durante a quimioterapia, como bulas, caixas de remédio e gazes de curativos, transformando-os em gravuras, desenhos e colagens.
“A arte me dava tanta força para seguir que tive vontade de dividir essa experiência curativa com outras mulheres e seus familiares, que estão vivendo momento semelhante. O que mais falta nessa hora é companhia, afeto. O SUS hoje dá todo o suporte, mas faltam ainda iniciativas que proporcionam esse tipo de acolhimento”, diz.
A proposta do Aconchego é ocupar mensalmente diferentes espaços da cidade com oficinas artísticas, feira de artesanato e ações voltadas ao fortalecimento emocional e à capacitação de mulheres que desejam construir novas possibilidades profissionais após o tratamento.
“O pós-câncer não é fácil e a sociedade precisa entender as particularidades de uma mulher que finalizou o tratamento, mas não conseguiu voltar às suas atividades habituais ou ao mercado de trabalho. Muitas não conseguem retornar. Para elas, a vida não é, e não pode mais ser como era antes da doença”, comenta.
Além das oficinas e feiras, cada encontro inclui com palestras temáticas conduzidas por profissionais das áreas de saúde, arte e meio ambiente. O projeto conta ainda com a parceria da Casa Umbigo, do espaço Asa de Papel, das livrarias Ramalhete e Literíssima e da Casa de Apoio Aura, que participará do desenvolvimento de ações culturais vinculadas à iniciativa.
Serviço
Lançamento do projeto
20 de junho, sábado – 10h
Roda de Conversa “O medo no contexto da oncologia”
Com Cláudia Gersen e Clarice Fonseca
Local: Livraria Ramalhete -- Rua Pernambuco, 1.000, Savassi.
@livraria_ramalhete
Acesso gratuito
Feira Aconchego
27 de junho, sábado – 10h às 14h
Exposição de obras de arte, artesanato e plantas ornamentais.
*Haverá distribuição de mudas (ornamentais): apenas 150 unidades, por ordem de chegada.
Local: Asa de Papel Café & Arte -- Rua Piauí, 631, Santa Efigênia.
@Asa de Papel Café & Arte
Acesso gratuito