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Cine Humberto Mauro revisita legado de Jerry Lewis

Mostra gratuita exibe sete filmes e destaca a influência do diretor, que completaria 100 anos em 2026, na história da comédia e da linguagem cinematográfica


postado em 22/06/2026 09:24 / atualizado em 22/06/2026 09:39

"O Professor Aloprado" é um dos filmes da mostra (foto: Jerry Lewis)
O Cine Humberto Mauro dedica sua próxima mostra a um dos nomes mais influentes da comédia cinematográfica. Entre os dias 27 de junho e 5 de julho, o espaço recebe “A Invenção do Caos: Jerry Lewis”, programação gratuita que celebra o centenário de nascimento do ator, diretor, roteirista e produtor norte-americano, que completaria 100 anos em 2026.

A seleção reúne seis filmes realizados entre 1960 e 1965, período em que Jerry Lewis conquistou maior liberdade criativa dentro da indústria de Hollywood e consolidou uma filmografia marcada pela experimentação formal e pela reinvenção da linguagem cômica. A programação inclui ainda “O Rei da Comédia” (1982), dirigido por Martin Scorsese, no qual Lewis interpreta o apresentador de televisão Jerry Langford, alvo da obsessão de dois fãs.

Nascido em 1926, Jerry Lewis iniciou sua trajetória artística ainda na infância e passou por diferentes formatos de entretenimento, do vaudeville à televisão. A fama veio inicialmente ao lado de Dean Martin, com quem formou uma das duplas humorísticas mais populares dos Estados Unidos. Após o fim da parceria, no final dos anos 1950, desenvolveu uma carreira autoral como cineasta, assinando obras que ajudaram a redefinir os limites da comédia hollywoodiana.

Entre os títulos exibidos na mostra estão “O Mensageiro Trapalhão” (1960), “O Terror das Mulheres” (1961), “O Professor Aloprado” (1963), “O Otário” (1964) e “Uma Família Fuleira” (1965). Em comum, os filmes apresentam personagens desajeitados inseridos em situações absurdas, construídas a partir do colapso de ambientes, falhas mecânicas, tropeços e confusões que transformam o cotidiano em caos.

Para Vítor Miranda, gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, a originalidade de Lewis está diretamente ligada às experiências acumuladas antes de sua chegada ao cinema. “É importante falar sobre duas tradições que ele pegou antes de levar para o cinema. No vaudeville, ele aprendeu a trabalhar com o corpo enquanto instrumento, com gestos exagerados, acrobacias e mudanças de voz. Na televisão, ele aprendeu a se comunicar com o público, a improvisar e a encenar o que sabia no vaudeville. No cinema, ele junta essas duas coisas e transforma isso em algo mais rebuscado, porque, como ator-diretor, é ele quem vai coreografar a mise en scène e vai se transformar nesse grande comediante, nesse grande autor, deixando seu legado para o futuro. Os filmes dele são grandes e sofisticadas elaborações cômicas, com cenas super coreografadas, longas e que dependem muito do espaço e do corpo. Além disso, ele também foi um diretor que usou muito da tecnologia a seu favor. Então, dá para ver que, nos filmes dele, há essa preocupação com a técnica, como planos-sequência, uso de grua e o pioneirismo na utilização do video assist”, afirma.

Além de homenagear a trajetória do artista, a mostra busca destacar a influência exercida por Lewis sobre diferentes gerações de cineastas. Nesse contexto, a inclusão de “O Rei da Comédia” funciona como uma ponte entre sua obra e produções posteriores.

Segundo Vítor Miranda, o filme de Scorsese ajuda a compreender a dimensão do legado do artista dentro da história do cinema. “A inclusão de ‘O Rei da Comédia’ aponta um pouco para o legado de Jerry Lewis. Ele foi um diretor muito celebrado e muito investigado pela [revista francesa] Cahiers du Cinéma e pelo arcabouço crítico da França. Além disso, o legado dele chega a outros momentos da história do cinema. Por exemplo, na obra de Scorsese. Mesmo não tendo sido dirigido por Lewis, há uma marca do seu legado em um filme que faz uma reflexão amarga sobre o entretenimento. Há quase um comentário sobre sua trajetória e seu impacto cultural. É uma forma muito legal, também, de estabelecer essa ponte de Jerry Lewis com uma certa modernidade, porque esse filme serviu de inspiração para outros, como ‘Coringa’ (2019), por exemplo”, pontua.

Serviço
Mostra “A Invenção do Caos: Jerry Lewis”
Datas: De 27 junho a 5 de julho
Horários: Variados
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro)

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