Estado de Minas TEATRO

Espetáculo leva o ECA às ruas com humor e linguagem da palhaçaria

Instituto Hahaha apresenta "Tá no Estatuto!" neste fim de semana, em Santa Tereza, para abordar os direitos de crianças e adolescentes.


postado em 30/06/2026 08:48 / atualizado em 30/06/2026 08:53

Produção aposta no humor como ferramenta para discutir a garantia e a violação de direitos de crianças e adolescentes(foto: Carol Reis/Divulgação)
Produção aposta no humor como ferramenta para discutir a garantia e a violação de direitos de crianças e adolescentes (foto: Carol Reis/Divulgação)
No mês em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos, o Instituto Hahaha leva aos palcos o espetáculo de rua "Tá no Estatuto!", que utiliza a linguagem da palhaçaria para apresentar ao público os direitos previstos na principal legislação voltada à infância e à adolescência. As apresentações gratuitas acontecem neste sábado (4) e domingo (5), na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte.

A montagem também marca os 14 anos de atuação do Instituto Hahaha e aposta no humor como ferramenta para discutir a garantia e a violação de direitos de crianças e adolescentes. “É pelo viés da arte da palhaçaria e pelo teatro na rua que trazemos o ECA para o centro da roda. Precisamos intensificar o diálogo com a sociedade sobre a infância e a adolescência e acreditamos na arte e no riso como um caminho potente. Por isso, nestas apresentações, estamos comemorando os 36 anos do ECA e celebrando mais uma conquista para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes: o ECA Digital, uma ferramenta que amplia o acesso ao Estatuto por meio das tecnologias digitais", diz Eliseu Custódio, cofundador do Instituto Hahaha e conselheiro do CMDCA/BH.

Com texto e direção de Vinícius de Souza, o espetáculo foge da estrutura narrativa tradicional e é construído a partir de performances que combinam música, dança, improviso e interação com o público. A encenação aborda seis capítulos do Estatuto da Criança e do Adolescente, selecionados durante um processo coletivo de criação. 

A dramaturgia é formada por quadros independentes, conectados pela personagem Dodote Bololô, interpretada por Margareth Serra. Na história, a palhaça organiza uma assembleia e recebe convidados que apresentam diferentes capítulos do Estatuto. “É claro que existe um roteiro pré-estabelecido, mas em vários momentos os artistas têm liberdade para improvisar e jogar com a plateia. Mas esses improvisos não são aleatórios, partem de estudos sobre o ECA que foram desenvolvidos por todos, para o espetáculo. O repertório é imenso, mas a todo o momento, tanto na dramaturgia quanto na direção, trabalhamos de forma que a estrutura da montagem não restrinja a espontaneidade dos palhaços”, diz Vinícius de Souza.

Segundo Gyuliana Duarte, gestora de execução artística e cofundadora do Instituto Hahaha, a criação do espetáculo buscou valorizar diferentes formas de abordar o conteúdo do Estatuto. “Cada palhaço recebeu um capítulo e teve de dar conta dele. Assim, cada um está investindo numa linguagem, que parte da própria experiência como artista. Tem alguns que estão explicando o capítulo pelo desenho, outros por uma conversa informal, ou por um humor bem delirante”.

A trilha sonora também tem papel importante na construção da peça. Sob direção musical de Gladson Braga, o espetáculo utiliza sons, ruídos e improvisações para acompanhar as cenas e reforçar a comicidade. “A proposta musical vem do que reflete cada personagem. Para cada movimento do palhaço e da palhaça, eu criei sonoridades. E a própria improvisação traz muitas sonoridades diferentes, que não são consideradas musicais, como ruído, o timbre….”, explica Gladson Braga.

O diretor musical acrescenta que apenas um refrão se repete ao longo da apresentação. “Porque eles também irão improvisar a partir dos elementos da plateia”.

Além da música, o figurino, assinado por Marcos Hill, busca romper com a estética tradicional da palhaçaria ao incorporar referências urbanas e da adolescência. O cenário, criado por Luiz Dias, segue a mesma proposta ao reunir elementos ligados tanto ao universo do palhaço quanto ao cotidiano de crianças e adolescentes.

O espetáculo conta com a parceria do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Para Gyuliana Duarte, a iniciativa dialoga com a atuação do Instituto Hahaha, que há 14 anos desenvolve ações de palhaçaria em espaços de saúde e de vulnerabilidade social. “Sentimos a necessidade de trazer as leis que regem o ECA, que desde 1990, quando foram criadas, estão tão engessadas no papel, para uma produção artística que chegue às ruas da cidade”, afirma.

“O Hahaha tem uma presença continuada na construção de políticas públicas para crianças e adolescentes do município de Belo Horizonte. Por meio do trabalho de palhaçaria nos hospitais, garantimos o direito e acesso à arte e cultura. E não para por aí: somos entidade conselheira no Conselho Municipal dos Direitos de Crianças e Adolescentes (CMDCA), estamos juntos a outras entidades da sociedade civil e poder público na luta e defesa dos direitos das crianças e adolescentes”, acrescenta Eliseu Custódio .

Na avaliação da presidente do CMDCA/BH, Nádia Costa, o espetáculo contribui para ampliar o conhecimento da população sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. “Ao utilizar a arte, o humor e a linguagem acessível, o espetáculo aproxima o Estatuto da Criança e do Adolescente da população, contribuindo para a disseminação de informações e para o fortalecimento da cultura de garantia de direitos. Por isso, é uma alegria ver projetos como este alcançando crianças, adolescentes, famílias e comunidades, promovendo reflexão, conhecimento e cidadania. Parabenizamos o Instituto Hahaha pela realização do espetáculo e reafirmamos o compromisso do CMDCA/BH com o fortalecimento de iniciativas que contribuam para que os direitos de crianças e adolescentes sejam cada vez mais conhecidos, respeitados e efetivados”, sublinha Nádia.
 
Serviço
Espetáculo “Tá no Estatuto!”
Dias 4 e 5 de julho, sábado às 16h e domingo às 10h30 
Praça Duque de Caxias – Bairro Santa Tereza

Gratuito - Sem a necessidade de retirar ingresso 

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