
Em cena, as atrizes Janamô, Josy.Anne, Júlia Sanchez, Julia Tizumba, Sara Chaves, Sara Hana e a convidada Naruna Costa se alternam para interpretar diferentes fases da vida da cantora. Além de viverem Elza Soares em múltiplas versões, elas também dão vida a personagens importantes de sua trajetória, como familiares, amigos e figuras marcantes, entre elas o apresentador Ary Barroso e o ex-jogador Garrincha.
Naruna Costa integra a montagem desde a temporada de 2025. Atriz, cantora, diretora artística e diretora musical, ela é vencedora do Prêmio Shell 2024 na categoria Melhor Direção Musical e acumula indicações e premiações em diferentes áreas da cena artística brasileira.
Com texto de Vinícius Calderoni e direção de Duda Maia, o espetáculo conta com direção musical de Larissa Luz. Os arranjos de clássicos do repertório de Elza Soares foram criados pelo maestro Letieres Leite (in memoriam), responsável por novas leituras para canções como “Lama”, “O Meu Guri”, “A Carne” e “Se Acaso Você Chegasse”. A idealização e produção artística são assinadas por Andrea Alves.
Embora revisite episódios marcantes da vida da cantora, o musical se afasta da estrutura tradicional das biografias musicais. A narrativa não segue uma ordem cronológica e distribui a personagem entre diferentes intérpretes. No repertório, sucessos de diferentes momentos da carreira se misturam, reunindo canções como “A Mulher do Fim do Mundo”, “Maria da Vila Matilde”, “Se Acaso Você Chegasse”, “Malandro”, “Lata D’Água” e “Cadeira Vazia”.
Embora aborde acontecimentos difíceis da vida da artista, como a perda de filhos, a morte de Garrincha, episódios de violência doméstica e situações de intolerância, a produção busca retratar a personalidade vibrante da cantora.
“A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada”, conta Vinicius Calderoni.
Produção
O espetáculo foi desenvolvido em um momento de reconhecimento renovado da carreira de Elza Soares, impulsionado pelos álbuns “A Mulher do Fim do Mundo”, lançado em 2015, e “Deus é Mulher”, de 2018. Os trabalhos ampliaram o alcance da artista e consolidaram ainda mais sua posição como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.
Outro aspecto central da montagem é o processo coletivo de criação. Segundo Calderoni, a construção do texto envolveu trocas constantes com a diretora e o elenco durante os ensaios. “Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço”, conta o dramaturgo.
A colaboração também se estendeu à criação musical. Atrizes, musicistas e diretores participaram conjuntamente do processo de ensaio, que contou ainda com oficinas conduzidas por Letieres Leite. A experiência resultou na criação de duas canções inéditas presentes no espetáculo: “Ogum”, de Pedro Luís, e “Rap da Vila Vintém”, de Larissa Luz.
Além das apresentações, a sessão de domingo, dia 28, contará com um bate-papo entre o público e o elenco após o encerramento do espetáculo.
Serviço
Musical Elza
Data: 27 e 28 de junho - sábado, às 20h e domingo, às 17h (bate-papo com o elenco, após a apresentação de domingo)
Local: Grande Teatro – Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046)
Ingressos: A partir de R$ 25 (meia-entrada)
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