
Depois de passar pelos CCBBs de São Paulo e Brasília, a exposição chega à capital mineira com um novo recorte curatorial e um conjunto inédito de obras selecionadas especialmente para esta etapa da itinerância.
Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, com a colaboração do Museo Torres García, a mostra reúne mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos. Também integra a exposição a produção de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros que estabelecem diálogos com o legado do artista uruguaio.
Segundo Saulo di Tarso, a proposta é adaptar a exposição às características de cada cidade por onde passa. “A mostra se redesenha e procura incorporar a participação de artistas locais. Essa transformação museográfica que é implementada em cada cidade busca atualizar a presença de Torres García junto a artistas de grande potência no cenário contemporâneo”, destaca o curador.
Em Belo Horizonte, a montagem incorpora obras inéditas de artistas como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier, reforçando a relação entre a produção regional e o pensamento de Torres García. "Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira, mostrando como sua obra continua dialogando com questões de identidade, pertencimento e criação coletiva. O Sul, para ele, nunca foi apenas um lugar no mapa, mas uma forma de compreender o mundo", afirma.
A etapa mineira também apresenta um percurso curatorial voltado às relações entre o pensamento do artista, a arte popular e a cultura de Minas Gerais. Entre as novidades estão mapas históricos dos séculos XVII e XVIII de Pieter Goos e Jodocus Hondius, inseridos para ampliar os debates sobre identidade cultural e perspectivas decoloniais.
Outro destaque da exposição é o eixo educativo, inspirado na visão de Torres García sobre a infância e a formação artística. O artista defendia a experimentação e a criação de símbolos como parte do processo de aprendizagem, ideia que orienta as visitas mediadas e as atividades destinadas a públicos de diferentes idades. “Já na década de 1910, García ministrava aulas de arte e de civilização africana para crianças em ateliês, uma iniciativa extremamente arrojada para a época, que evidenciava a importância da infância em seu pensamento e em sua prática artística”, afirma Saulo.
“Ele defendia uma educação artística baseada na experiência e na invenção, em que o principal estímulo estava na criação de símbolos e na organização das percepções. Nesse contexto, desenvolveu brinquedos de madeira com caráter formativo e incorporou à sua pintura uma linguagem sintética, próxima ao traço infantil, valorizando a habilidade das crianças de compreender e estruturar o mundo por meio de signos simples e universais”, destaca o curador.
O percurso também destaca a contribuição de Torres García para aproximar as vanguardas europeias das culturas latino-americanas e evidencia o Universalismo construtivo, escola artística criada por ele e desenvolvida pelo grupo Taller Torres García, cuja influência permanece presente nos debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.
Entre as obras em destaque está "América Invertida", considerada uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana. Raramente exibida fora do Museo Torres García, em Montevidéu, a obra propõe uma mudança de perspectiva sobre o lugar da América Latina no mundo.
Para a organizadora da exposição e diretora da Cy Museum, Cynthia Taboada, a itinerância faz com que cada montagem tenha características próprias. "É uma exposição única pela multiplicidade de conexões e pela reunião de obras de qualidade excepcional. Em Belo Horizonte, o público encontrará uma nova experiência, porque a mostra se transforma em cada cidade, seja pelo recorte curatorial ou pelo desenho arquitetônico de cada espaço de exposição", diz.
Segundo Cynthia, a passagem pelo CCBB Belo Horizonte representa mais uma etapa de um projeto desenvolvido a partir de pesquisa, cooperação internacional e produção museológica. "Cada montagem permite experimentar novas percepções e sensações que se completam ao caminhar pelo espaço expositivo, sempre diferente entre as cidades de uma itinerância. É um projeto que busca produzir conhecimento, agregar conexões e ampliar o acesso ao pensamento de um dos grandes nomes da arte latino-americana", complementa.
A exposição reúne centenas de obras inéditas no país, incluindo desenhos, manuscritos e empréstimos de instituições e coleções nacionais e internacionais. “Museus como MACBA (Museu d'Art Contemporani de Barcelona), IVAM (Institut Valencià d'Art Modern), MSSA (Museo de la Solidaridad Salvador Allende), MASP, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Galeria Sur e coleções privadas importantes cederam obras fundamentais de Torres García e da seleção de artistas propostos pela curadoria. Todos abraçaram o projeto em torno da celebração dos 150 anos do artista, momento único que permite gerenciar essa quantidade enorme de acordos em torno de um propósito singular e de uma riqueza ímpar”, completa.
Serviço
Joaquín Torres García – 150 anos
Local: Galerias do 3º Andar e Pátio – CCBB Belo Horizonte (Praça da Liberdade, 450, Funcionários)
Período: 15 de julho a 12 de outubro de 2026
Ingressos: Gratuitos, mediante retirada em ccbb.com.br/bh ou na bilheteria do CCBB BH
Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h.