
Segundo o pesquisador, o avanço da inteligência artificial transformou a lógica do capital humano. Em vez de priorizar apenas a elevação da média educacional, o desafio passa a ser encontrar indivíduos capazes de criar soluções inéditas, impulsionar a inovação e multiplicar a produtividade. A partir dessa perspectiva, o livro propõe uma mudança na forma como o Brasil trata as altas habilidades.
"Nenhum país rico chegou lá elevando apenas a média. Todos dependeram de uma pequena elite de talento excepcional para romper a fronteira científica e tecnológica. Os países que prosperaram construíram mecanismos para encontrar essas pessoas cedo, onde quer que estivessem. O Brasil não construiu nada parecido - e trata isso como um detalhe, quando é uma escolha que decide o jogo", afirma o autor.
A publicação reúne evidências de que o potencial de altas habilidades está distribuído entre todas as classes sociais, mas acaba sendo perdido, principalmente na rede pública de ensino, onde, segundo o autor, não existem mecanismos de triagem capazes de identificar esses estudantes. Sem diagnóstico e atendimento adequado, crianças com elevada capacidade cognitiva seguem o mesmo percurso escolar dos demais alunos, sem estímulos compatíveis com seu potencial.
Na avaliação do pesquisador, essa ausência de políticas específicas representa a perda de um dos principais ativos estratégicos do país. Por isso, a obra propõe que o tema deixe de ser tratado apenas como uma pauta da educação especial e passe a integrar a agenda de competitividade nacional.
Entre as medidas defendidas pelo autor estão a identificação universal e precoce de altas habilidades, aplicada a todas as crianças, independentemente da condição socioeconômica, e a oferta de atendimento especializado que permita o pleno desenvolvimento desse potencial.
O prefácio é assinado pelo economista Marcos Lisboa, que define João Batista Araújo e Oliveira como um autor "arguto, incisivo e provocativo". Segundo Lisboa, o pesquisador reúne experiência prática, capacidade de execução e compromisso com evidências científicas, características que reforçam a principal discussão apresentada no livro.
Psicólogo, Ph.D. em Educação pela Florida State University e pós-doutor pela Stanford Graduate School of Business, João Batista Araújo e Oliveira atua há décadas na formulação de políticas educacionais e no estudo das relações entre educação, inteligência e desenvolvimento econômico. Ao longo da carreira, foi professor universitário, trabalhou em organismos internacionais e ocupou cargos de liderança nos Ministérios do Planejamento, da Desburocratização e da Educação.
Ficha técnica
Título: Inteligência - O Ativo Estratégico que o Brasil Não Pode Desperdiçar
Autor: João Batista Araújo e Oliveira
Editora: IDados
Lançamento: julho de 2026
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