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Espetáculo "Olympia" comemora 25 anos com temporada no Palácio das Artes

Peça inspirada em personagem que viveu nas ruas de Ouro Preto retorna a Belo Horizonte para quatro apresentações


postado em 03/08/2026 08:04 / atualizado em 03/08/2026 08:09

Peça fica em cartaz de quinta-feira (6) a domingo (9)(foto: Daniel Renna Pereira/Divulgação)
Peça fica em cartaz de quinta-feira (6) a domingo (9) (foto: Daniel Renna Pereira/Divulgação)
Um dos espetáculos mais longevos do teatro mineiro, "Olympia", do Grupo Teatro Andante, completa 25 anos de trajetória com uma temporada especial em Belo Horizonte. Entre quinta-feira (6) e domingo (9), o solo protagonizado por Ângela Mourão será apresentado no Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes, em quatro sessões que celebram a trajetória da montagem, inspirada na história real de Sinhá Olympia, personagem que viveu nas ruas de Ouro Preto.

"É uma alegria e, digamos, uma honra, constatar a vida de um espetáculo por 25 anos. Penso na força da dramaturgia, inspirada em uma pessoa tão interessante como Sinhá Olympia (como era conhecida), mas também em uma linguagem teatral potente, que coloca para dialogar uma inspiração dramatúrgica tradicional com técnicas e expressões do teatro contemporâneo", resume Ângela Mourão.

Para a atriz, manter a montagem em cartaz por tanto tempo exige o mesmo comprometimento da estreia. "É um espetáculo que exige preparação, dedicação, exige que eu esteja com o corpo em dia, a voz preparada. Tem técnicas de dança, teatro físico, diferentes timbres de voz, canto e uma precisão muito grande nos movimentos e nos elementos cênicos. Por isso, pede muita dedicação, o que faço com muita alegria e muito rigor. Afinal, são 25 anos em cartaz, é quase uma vida", salienta.

Segundo o diretor Marcelo Bones, a essência da encenação permaneceu preservada ao longo dessas duas décadas e meia. "Mudou muito pouco. Houve um aprofundamento da atuação, da compreensão da dramaturgia e, principalmente, da relação com o público. Mas o desenho do espetáculo permanece fiel à criação inicial", conta.

Inspirada em uma figura que se tornou lendária em Ouro Preto entre as décadas de 1950 e 1970, a peça constrói uma personagem que transita entre a sanidade e a loucura, a casa e a rua, a tradição e a liberdade.
 Para Ângela Mourão, parte da força do espetáculo está justamente nas perguntas que ele continua despertando. "O espetáculo traz uma dramaturgia que se inspira na história da Olympia, mas ao mesmo tempo traz questões atuais, que dizem respeito a todos e a todas nós”, destaca.  

A atriz lembra que a montagem tem percorrido teatros, praças, festivais e espaços alternativos no Brasil e no exterior, encontrando públicos de diferentes culturas que, curiosamente, estabelecem relações muito semelhantes com a personagem. "Uma das coisas que sempre me dá prazer de ouvir é, ao final das apresentações, pessoas dizendo: 'Eu sou um pouco essa Olympia'; 'Na minha cidade tem uma Olympia'; ou 'Eu tinha uma tia parecida com ela'. Ouvi isso em Buenos Aires, na patagônia argentina, em Rondônia, na Colômbia, em Portugal, na Espanha... Aos poucos compreendemos que partimos de uma história muito local, mas que essa personagem toca um arquétipo humano", afirma Ângela.

Ela conta ainda que a montagem também passou a ser apresentada em espanhol durante as turnês internacionais do Grupo Teatro Andante. "Compreendemos que o espetáculo precisava ser feito em espanhol para que todas as pessoas pudessem acompanhar plenamente a história. É uma experiência muito rica viver essa personagem em duas línguas. Isso também exige preparação e dedicação".

Ao abordar temas como o lugar da mulher na sociedade, a ocupação do espaço público, a liberdade e os limites entre normalidade e desvio, "Olympia" continua dialogando com questões contemporâneas. "Até hoje duas perguntas permanecem para nós: Olympia era louca ou não? Olympia fazia teatro quando ocupava a Praça Tiradentes contando histórias para turistas? Essas perguntas continuam abertas e talvez estejam entre as razões pelas quais ela continua despertando tanto interesse", reflete Ângela.
 
Serviço
Espetáculo “Olympia” – 25 anos
Data: 6 a 9 de agosto
Horários: quinta e sábado, às 20h; sexta, às 20h30; domingo, às 19h.
Local: Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Belo Horizonte)
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
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