Estado de Minas TEATRO

"O Pequeno Príncipe" ganha versão bilíngue com música, poesia e humor

Trupe Bambina leva clássico de Saint-Exupéry ao Teatro da Cidade em quatro apresentações nos dias 22, 23, 29 e 30 de agosto


postado em 18/08/2026 07:55 / atualizado em 18/08/2026 08:23

A partir da obra de Saint-Exupéry, a companhia constrói uma encenação que combina música, composição visual e jogo cênico(foto: Fernando Veloso Leão/Divulgação)
A partir da obra de Saint-Exupéry, a companhia constrói uma encenação que combina música, composição visual e jogo cênico (foto: Fernando Veloso Leão/Divulgação)
O clássico “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, ganha uma versão bilíngue nos palcos de Belo Horizonte. A Trupe Bambina estreia “The Little Prince - O Pequeno Príncipe” nos dias 22, 23, 29 e 30 de agosto, no Teatro da Cidade. Com diálogos em português e inglês, a montagem combina teatro, música, poesia e humor.

“Escolhemos montar O Pequeno Príncipe porque ele fala de temas muito simples e, ao mesmo tempo, difíceis: a capacidade de encantamento da infância, a disponibilidade para o encontro e a forma como escolhemos viver o nosso tempo. Além disso, a obra parece ter sido escrita para o teatro: cada planeta é um universo próprio, cada personagem encarna uma faceta muito humana e tudo convida ao jogo, à musicalidade e à invenção cênica”, afirma a diretora Carolina Duarte.

A montagem é resultado do trabalho desenvolvido pela Bambina Trupe, projeto de teatro bilíngue de Belo Horizonte fundado por Carolina Duarte e Júlia Galindo. Em 2026, o grupo completa nove anos de atuação com uma proposta que integra formação artística e duas línguas e acompanha alunos desde os 3 anos até a vida adulta.

Ao longo do processo de formação, os estudantes participam de montagens em português e inglês. Em “The Little Prince - O Pequeno Príncipe”, professores-artistas e alunos dividem o palco em uma criação colaborativa.

A partir da obra de Saint-Exupéry, a companhia constrói uma encenação que combina música, composição visual e jogo cênico. A adaptação mantém elementos tradicionais do teatro, mas também incorpora recursos performáticos e passagens lúdicas.

"O que diferencia esta versão é aquilo que chamamos de 'identidade Bambina'. Partimos do livro, mas adotamos uma linguagem física, imagética e assumidamente teatral. Muitos momentos surgem dessas licenças poéticas, ampliando o universo da história", explica Carolina.

A trilha sonora ocupa lugar de destaque na montagem. Com referências de diferentes países e culturas, as canções são utilizadas para estabelecer diálogos com a narrativa e aproximá-la de sensibilidades contemporâneas.

Outra característica da adaptação é a convivência entre os dois idiomas. A peça acontece majoritariamente em português, enquanto o inglês aparece pontualmente em diálogos, músicas e expressões. De acordo com a companhia, o recurso não tem finalidade didática, mas integra a linguagem artística da montagem. “Como a Trupe Bambina nasce de um projeto de teatro bilíngue, o inglês sempre fará parte da nossa linguagem. Nosso objetivo não é ‘fazer uma peça em inglês’, mas criar espetáculos em que português e inglês convivam de forma espontânea e a serviço da narrativa. É curioso perceber como essa mistura, que para nós sempre foi tão natural, rapidamente também se torna natural para quem está na plateia”.

Além das palavras, a história é conduzida por imagens, ações, músicas e pelas relações estabelecidas entre os personagens. A combinação dos idiomas também é explorada na construção do ritmo, do humor e da musicalidade da peça.

A cenografia foi concebida como parte da narrativa. O palco reúne compartimentos, portas e pequenas estruturas que são abertas ao longo da apresentação, revelando objetos e imagens e modificando o espaço diante do público. "Queríamos que o cenário também participasse da história. A cada abertura, um novo elemento surge, como se o palco guardasse pequenos segredos esperando o momento certo para aparecer. É uma forma, muito teatral, de manter viva a curiosidade e o encantamento que fazem parte da obra", conta Carolina.

A criação coletiva entre professores e alunos também orienta a montagem. Para a companhia, a proposta é estabelecer uma relação em que os participantes atuem conjuntamente na construção artística do espetáculo. "Não se trata apenas de alunos aprendendo com professores. São artistas trabalhando juntos em torno de uma criação comum. Alguns trazem anos de experiência em cena. Outros chegam com ideias que só seriam possíveis para quem ainda não aprendeu que 'não pode'. É dessa mistura que surge o inesperado e o singular", observa Carolina.

Ao levar a obra para o palco, a companhia pretende promover um encontro do público com a história e com a linguagem teatral. "Esperamos que o público leve não só uma releitura da história, mas também a sensação de ter participado de algo vivo, inusitado e construído diante dos seus olhos. Quem sabe, ao final, fique um pouco mais fácil enxergar com o coração", conclui Carolina.

Serviço
Espetáculo: The Little Prince - O Pequeno Príncipe 
Local: Teatro da Cidade (Rua da Bahia, 1341, Centro - Belo Horizonte)
Datas: 22, 23, 29 e 30 de agosto de 2026
Horários: Sábados às 16h e 18h - Domingos às 15h e 17h
Ingressos: R (inteira) - R (meia-entrada) 
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