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Retrospectiva de Jandyra Waters reúne mais de 50 obras em BH

Primeira individual da artista na capital mineira percorre produção de 1962 a 2016 e destaca sua trajetória na abstração geométrica brasileira


postado em 12/08/2026 09:14 / atualizado em 12/08/2026 09:34

Com trabalhos que exploram a geometria, a simetria e o uso da cor, Jandyra desenvolveu ao longo de décadas uma linguagem própria dentro da abstração brasileira(foto: Tina Carvalhaes/Divulgação)
Com trabalhos que exploram a geometria, a simetria e o uso da cor, Jandyra desenvolveu ao longo de décadas uma linguagem própria dentro da abstração brasileira (foto: Tina Carvalhaes/Divulgação)
A trajetória de Jandyra Waters, artista que se destacou na abstração geométrica brasileira, é tema de uma retrospectiva inédita em Belo Horizonte. Em cartaz até 4 de setembro na Errol Flynn Galeria, em Lourdes, a exposição reúne mais de 50 obras produzidas entre 1962 e 2016, com curadoria de Errol Flynn Júnior.

A mostra marca a primeira exposição individual de Jandyra na capital mineira e apresenta diferentes momentos da produção da pintora, escultora, gravadora e poeta, que morreu em janeiro de 2025, aos 103 anos.

"A exposição Jandyra Waters, agora apresentada pela Galeria Errol Flynn, é uma homenagem à artista que, até os 103 anos de idade, manteve ativa e vigorosa produção artística e literária, vindo a falecer em janeiro de 2025", detalha Denise Mattar, curadora e crítica de arte.

Com trabalhos que exploram a geometria, a simetria e o uso da cor, Jandyra desenvolveu ao longo de décadas uma linguagem própria dentro da abstração brasileira. Para o marchand Leonardo Reis, a exposição também integra o trabalho da galeria de ampliar o acesso à produção artística nacional. “A importância da exposição para a galeria é dar sequência no trabalho de difusão da cultura brasileira em outro espectro”, afirma.

A trajetória e a relevância da artista são abordadas ainda no catálogo da exposição, que reúne textos dos críticos Denise Mattar e Enock Sacramento. “Ao longo de seis décadas, Jandyra construiu uma obra pictórica de alta intensidade formal e cromática, reconhecida por críticos como Mário Schenberg, Geraldo Ferraz, José Geraldo Vieira, Olívio Tavares de Araújo e Theon Spanudis. Suas pinturas integram acervos como o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da USP, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu de Arte Brasileira da FAAP”, ressalta Denise Mattar.

Segundo a crítica, embora vinculada à tradição construtiva, a produção de Jandyra não se enquadra propriamente no concretismo e se aproxima da chamada Geometria Sensível, marcada por uma abordagem mais intuitiva das formas. “A presente exposição não apenas celebra a longevidade e a coerência de uma obra, mas evidencia a capacidade de Jandyra Waters de transitar entre linguagens e tendências, mantendo sempre a cor e o tempo como núcleos de sua pesquisa visual”, afirma.

Para Enock Sacramento, membro das Associações Paulista, Brasileira e Internacional de Críticos de Arte, a trajetória da artista também chama atenção para a presença de mulheres na história da abstração geométrica, frequentemente menos destacadas pelas narrativas construídas em torno do Concretismo e do Neoconcretismo. “Nesse contexto, sua obra vem sendo progressivamente reavaliada como uma contribuição relevante para a ampliação do campo da abstração geométrica no Brasil”, salienta.

De acordo com Sacramento, a produção de Jandyra também ocupa espaço na história da arte construtivista brasileira e latino-americana. “A maioria das obras que compõem esta exposição é de caráter construtivo, fase mais fecunda de sua produção artística”, relata.

Da figuração à abstração

Nascida em Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto, Jandyra Waters iniciou sua trajetória artística com a pintura figurativa. Posteriormente, passou a trabalhar com a abstração geométrica, incorporando à produção elementos como simetria e contrastes cromáticos.

Depois de estudar na Inglaterra, retornou ao Brasil e aprofundou os estudos em diferentes técnicas artísticas. Ao longo da carreira, participou de exposições como a Bienal de São Paulo.

A presença feminina na abstração geométrica também é abordada pela pesquisadora Talita Trizoli, que aponta a marginalização histórica de artistas mulheres nas narrativas sobre movimentos protagonizados majoritariamente por nomes masculinos. “Nesse contexto, sua obra vem sendo progressivamente reavaliada como uma contribuição relevante para a ampliação do campo da abstração geométrica no Brasil”, cita Trizoli em um de seus artigos.
 
Serviço:
Período expositivo: Até 4 de setembro
Horários: segunda a sexta - 10h às 19h / Sábados - 10h às 15h
Local: Errol Flynn Galeria de Arte - Rua Curitiba, 1862, Lourdes - Belo Horizonte 

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