
O lançamento ocorre no ano em que Petroianu celebra 50 anos de carreira na medicina. Nascido na Romênia e naturalizado brasileiro, o médico é professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desde 1978 e professor titular desde 1992. Antes de “Emigrados”, publicou 27 livros nas áreas de Ciências, Medicina, Ética e Didática.
Com 484 páginas, o romance parte das memórias da família do autor para abordar deslocamentos motivados por conflitos e perseguições políticas, étnicas e religiosas. A narrativa percorre Ucrânia, Romênia, Egito, Austrália, Áustria, Itália, Alemanha, França, Israel, Portugal e Brasil. Segundo o autor, os personagens são pessoas reais, identificadas pelos próprios nomes, e os episódios narrados foram preservados nas memórias familiares.
“Desde criança, seguindo o exemplo de toda a minha família, sempre fui leitor e apreciador da arte literária e recentemente surgiu-me, inexplicavelmente, a vontade de escrever um romance histórico. Ainda sem compreender-me, sentei à frente do computador e comecei a redigir sem saber exatamente o que iria escrever. Surpreendi-me com a história que estava sendo contada sobre a minha família, iniciada na Ucrânia exatos 200 anos atrás. O livro foi se escrevendo como se cada um dos personagens que eram incluídos contasse a sua própria história de vida”, relata Petroianu.
Ao longo da obra, o médico aborda episódios relacionados às migrações da família e à experiência de comunidades judaicas em diferentes países. O livro também passa por acontecimentos históricos envolvendo os colonialismos russo, turco, alemão e francês, a criação do Estado de Israel e diferentes períodos da história brasileira.
“Dentro desse mistério foi escrito o livro Emigrados que é um romance histórico verdadeiro em todos os seus aspectos. Os seus personagens foram reais e tudo o que é contado aconteceu de fato. Por intermédio desse livro é possível compreender a alma das pessoas obrigadas a emigrar para sobreviverem. O livro conta a rotina de famílias judaicas que viviam obrigatoriamente em uma tradição e isoladas do restante da população por conceitos firmados ao longo de milênios. Há relatos que valem ser lido sobre os colonialismos russo, turco, alemão e francês. Compreende-se por este livro como foi a criação do Estado de Israel e os motivos que levaram aos muitos conflitos com os países árabes vizinhos. Há principalmente uma visão peculiar do Brasil desde a era Vargas passando pelo regime militar até os dias atuais, com explicações sobre fatos menos estudados. Este é um livro que vale a pena ser lido e o seu autor se sente honrado em abrir-se para ser conhecido pelos leitores e quem desejar saber mais sobre ele”.
“Emigrados” também foi traduzido para o hebraico e publicado em Israel e ganhou edição em inglês, lançada nos Estados Unidos.
Da medicina à literatura
Petroianu concluiu o curso de Medicina em 1976 e possui doutorados em Cirurgia e em Fisiologia e Farmacologia. Também realizou formação no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, e atuou no Departamento de Cirurgia da State University of New York (SUNY).
Ao longo da carreira acadêmica e científica, publicou 585 artigos em revistas médicas e científicas, além de mais de 188 capítulos de livros. Entre eles está “The Spleen”, publicado no “Gray’s Anatomy”. Petroianu também é membro correspondente da Academia Nacional de Medicina, membro titular da Academia Mineira de Medicina e membro emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.
A estreia na ficção surgiu após décadas dedicadas principalmente à escrita científica e acadêmica. Para Petroianu, o processo de elaboração de “Emigrados” foi diferente daquele experimentado em seus trabalhos anteriores.
“Não me percebi como escritor, mas como o primeiro leitor de uma obra que estava sendo construída à minha frente sem que eu tivesse participação alguma. Diferentemente de tudo que havia escrito racionalmente em ciência e didática, sempre fundamentado em conhecimento profissional e em literatura científica, esse livro era arte. Por seu intermédio, percebi a criação artística. Por mais estranho que pareça, compreendi que não é o artista quem cria a obra, mas é a arte que se utiliza do artista como seu instrumento para evidenciar-se. Assim surgem as músicas por intermédio dos compositores, as pinturas e esculturas artesanalmente e os textos literários em poesia e prosa das mão de escritores”.