Estado de Minas ROMANCE

Andy Petroianu estreia na literatura com romance "Emigrados"

Aos 50 anos de carreira na Medicina, autor parte da história da própria família para narrar dois séculos de migrações judaicas


postado em 25/09/2026 11:37 / atualizado em 25/09/2026 11:43

Romance parte das memórias da família do autor para abordar deslocamentos motivados por conflitos e perseguições políticas, étnicas e religiosas(foto: Acervo Pessoal)
Romance parte das memórias da família do autor para abordar deslocamentos motivados por conflitos e perseguições políticas, étnicas e religiosas (foto: Acervo Pessoal)
O médico e professor Andy Petroianu estreia na literatura com “Emigrados – relatos de uma família”, romance histórico baseado em acontecimentos vividos por seus familiares ao longo de dois séculos. Publicada pela Editora Del Rey, a obra acompanha diferentes gerações de uma família judaica desde suas raízes na Ucrânia, no início do século XIX, e as sucessivas migrações por países da Europa, Oriente Médio, Oceania e América do Sul.

O lançamento ocorre no ano em que Petroianu celebra 50 anos de carreira na medicina. Nascido na Romênia e naturalizado brasileiro, o médico é professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desde 1978 e professor titular desde 1992. Antes de “Emigrados”, publicou 27 livros nas áreas de Ciências, Medicina, Ética e Didática.

Com 484 páginas, o romance parte das memórias da família do autor para abordar deslocamentos motivados por conflitos e perseguições políticas, étnicas e religiosas. A narrativa percorre Ucrânia, Romênia, Egito, Austrália, Áustria, Itália, Alemanha, França, Israel, Portugal e Brasil. Segundo o autor, os personagens são pessoas reais, identificadas pelos próprios nomes, e os episódios narrados foram preservados nas memórias familiares.

“Desde criança, seguindo o exemplo de toda a minha família, sempre fui leitor e apreciador da arte literária e recentemente surgiu-me, inexplicavelmente, a vontade de escrever um romance histórico. Ainda sem compreender-me, sentei à frente do computador e comecei a redigir sem saber exatamente o que iria escrever. Surpreendi-me com a história que estava sendo contada sobre a minha família, iniciada na Ucrânia exatos 200 anos atrás. O livro foi se escrevendo como se cada um dos personagens que eram incluídos contasse a sua própria história de vida”, relata Petroianu.

Ao longo da obra, o médico aborda episódios relacionados às migrações da família e à experiência de comunidades judaicas em diferentes países. O livro também passa por acontecimentos históricos envolvendo os colonialismos russo, turco, alemão e francês, a criação do Estado de Israel e diferentes períodos da história brasileira.

“Dentro desse mistério foi escrito o livro Emigrados que é um romance histórico verdadeiro em todos os seus aspectos. Os seus personagens foram reais e tudo o que é contado aconteceu de fato. Por intermédio desse livro é possível compreender a alma das pessoas obrigadas a emigrar para sobreviverem. O livro conta a rotina de famílias judaicas que viviam obrigatoriamente em uma tradição e isoladas do restante da população por conceitos firmados ao longo de milênios. Há relatos que valem ser lido sobre os colonialismos russo, turco, alemão e francês. Compreende-se por este livro como foi a criação do Estado de Israel e os motivos que levaram aos muitos conflitos com os países árabes vizinhos. Há principalmente uma visão peculiar do Brasil desde a era Vargas passando pelo regime militar até os dias atuais, com explicações sobre fatos menos estudados. Este é um livro que vale a pena ser lido e o seu autor se sente honrado em abrir-se para ser conhecido pelos leitores e quem desejar saber mais sobre ele”. 

“Emigrados” também foi traduzido para o hebraico e publicado em Israel e ganhou edição em inglês, lançada nos Estados Unidos.

Da medicina à literatura

Petroianu concluiu o curso de Medicina em 1976 e possui doutorados em Cirurgia e em Fisiologia e Farmacologia. Também realizou formação no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, e atuou no Departamento de Cirurgia da State University of New York (SUNY).

Ao longo da carreira acadêmica e científica, publicou 585 artigos em revistas médicas e científicas, além de mais de 188 capítulos de livros. Entre eles está “The Spleen”, publicado no “Gray’s Anatomy”. Petroianu também é membro correspondente da Academia Nacional de Medicina, membro titular da Academia Mineira de Medicina e membro emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

A estreia na ficção surgiu após décadas dedicadas principalmente à escrita científica e acadêmica. Para Petroianu, o processo de elaboração de “Emigrados” foi diferente daquele experimentado em seus trabalhos anteriores.

“Não me percebi como escritor, mas como o primeiro leitor de uma obra que estava sendo construída à minha frente sem que eu tivesse participação alguma. Diferentemente de tudo que havia escrito racionalmente em ciência e didática, sempre fundamentado em conhecimento profissional e em literatura científica, esse livro era arte. Por seu intermédio, percebi a criação artística. Por mais estranho que pareça, compreendi que não é o artista quem cria a obra, mas é a arte que se utiliza do artista como seu instrumento para evidenciar-se. Assim surgem as músicas por intermédio dos compositores, as pinturas e esculturas artesanalmente e os textos literários em poesia e prosa das mão de escritores”. 
 

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