
Com direção de Leandro Porto, a produção acompanha Jaime, um professor que utiliza uma maleta-livro para viajar pelo universo da literatura. De Shakespeare a Ziraldo, o personagem passa por histórias e autores enquanto objetos retirados da bagagem são incorporados à narrativa.
A proposta, segundo Roger Santos, que assina o texto e protagoniza a peça, é utilizar a trajetória do professor para despertar o interesse do público pela literatura e pela imaginação. “Uma das frases presentes no espetáculo, e que talvez o mais represente, está em um poema de Manoel de Barros que diz o seguinte: ‘O olho vê, a lembrança revê, a imaginação transvê, é preciso transver o mundo’. Ou seja, precisamos nos permitir mais à imaginação e ao lúdico, e principalmente, nunca devemos abandonar a nossa criança interior, independente da nossa idade”, diz o autor e ator.
O espetáculo é voltado tanto para o público infantojuvenil quanto para adultos e procura apresentar não apenas obras literárias, mas também seus autores e os contextos relacionados à criação das histórias. “Quando escrevi esse texto, pensei em estimular nas pessoas a vontade de conhecer as histórias; mas também compreender também os autores e suas motivações, culminando em um espetáculo que além de entreter, promova uma ‘aula’ de literatura e história”, afirma Santos.
Na montagem, teatro de objetos, performance narrativa e ilusionismo poético são utilizados para construir as viagens do professor Jaime. O cenário também se modifica a partir das lembranças e dos objetos apresentados pelo personagem.
“O palco se transforma em um portal que conecta continentes reais a territórios puramente imaginários. O tom do ator equilibra o carisma acolhedor do educador com a deliciosa excentricidade de um viajante do tempo. O foco central está no hibridismo: o professor Jaime não apenas narra, ele vive, expande e altera o espaço cênico com suas próprias memórias e afetos", explica Leandro Porto.
“Conduzir o espetáculo através do teatro de objetos é ensinar o público a enxergar a própria alma que há nas coisas mais simples. Cada adereço que sai da maleta dita uma nova dinâmica de atuação corporal e poética", completa Roger Santos.
Além de assinarem produção, direção, texto e atuação, Leandro Porto e Roger Santos são responsáveis pela criação da trilha sonora, iluminação, cenário, adereços, figurino e maquiagem. A ideia, segundo a dupla, era desenvolver a montagem de maneira artesanal.
“Podemos dizer que esse trabalho foi todo modelado por nós, todo feito a ‘quatro mãos’, desde o texto, cenário, figurino, maquiagem, tudo foi pensado, criado e executado por mim e o Roger. Acho que isso agrega muito valor ao projeto, porque sabemos o que cada detalhe representa”, destaca Leandro Porto.
“Montar esse espetáculo ‘artesanalmente’ nos fez imergir ainda mais na dramaturgia. Conseguimos colocar os elementos cênicos dentro do texto, fazendo com que o espetáculo ficasse ainda mais bonito”, diz Roger Santos.
“Memórias da Maleta do Professor Jaime” estreou em junho, no Profesteatro – Festival Nacional de Teatro de Congonhas. Depois, passou por Conselheiro Lafaiete, Ponte Nova e Mariana, em Minas Gerais; Ibiúna, em São Paulo; e Floriano, no Piauí.
Ao longo da circulação, a montagem recebeu prêmios de Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Cenário, Melhor Figurino e o Prêmio Especial do Júri de Melhor Texto no FACE – Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete. No Profesteatro, recebeu os prêmios de Melhor Ator e Iluminação. Já no 14º Festival Nacional de Teatro de Floriano, foi premiada nas categorias Melhor Ator, Melhor Figurino e Melhor Caracterização.