Estado de Minas HOMENAGEM

Milton Nascimento ganha mural gigante no centro de BH

Obra de Kaká Chazz retrata diferentes fases de Bituca e traz referências a Minas Gerais em empena na avenida Álvares Cabral


postado em 28/09/2026 08:45 / atualizado em 28/09/2026 08:50

Mural tem mural de 1.600 m²(foto: Reprodução/Instagram @fabricadegraffiti)
Mural tem mural de 1.600 m² (foto: Reprodução/Instagram @fabricadegraffiti)
Milton Nascimento agora também faz parte da paisagem do centro de Belo Horizonte, com uma homenagem à altura da grandeza do artista. Isso porque diferentes fases da trajetória de Bituca ganharam as paredes de um prédio da avenida Álvares Cabral em um mural de 1.600 m², concluído na última sexta-feira (25). A homenagem, que tinha tido os trabalhos inciados em 8 de setembro, é assinada pelo artista mineiro Kaká Chazz e integra a 20ª edição da Fábrica de Graffiti.

Localizada no nº 347 da avenida, próximo à rua Timbiras, a obra reúne diferentes representações de Milton e elementos relacionados a Minas Gerais. A paleta de cores foi inspirada no pôr do sol mineiro, enquanto detalhes dourados fazem referência ao barroco e ao ouro. O mural trará a representação dos diferentes tempos de Milton, “incluindo uma que o retrata atualmente, no topo, como o manto da sua Última Sessão de Música. A paleta de cores é inspirada no pôr do sol mineiro para transmitir a beleza e o calor de Minas. Os arabescos dourados remetem aos ornamentos barrocos de Aleijadinho e ao ouro, evocando a arte e cultura como nossas verdadeiras riquezas”, explica Kaká Chazz. “Bituca sempre teve uma grande influência sobre mim como artista, especialmente por eu também ter crescido em Três Pontas [MG]. Ele me lembra constantemente que vale acreditar na força da arte”, destaca.

Para Augusto Nascimento, filho do músico, a homenagem simboliza o vínculo entre Milton e Minas. “Sempre digo que meu pai merece todas as homenagens e honrarias deste mundo. Mas ver o rosto dele tomando as ruas de Belo Horizonte traz uma emoção muito particular. Não tem como pensar em Minas sem pensar em Milton Nascimento, Lô Borges e no Clube da Esquina. Através da música, eles acrescentaram muito à identidade e à cultura do povo mineiro”, afirma. “Nossa família é profunda admiradora da arte de rua. Os cenários das duas últimas turnês que fizemos foram feitos pelos OSGEMEOS, gênios da arte urbana. E o Kaka Chaz, responsável pela empena em Belo Horizonte, é um artista que admiramos muito aqui em casa desde que homenageou lindamente o meu pai em Três Pontas, cidade em que ele cresceu e pela qual guarda enorme carinho. Foi uma homenagem que ele aprovou e adorou. Essa é uma das homenagens mais bonitas e simbólicas já prestadas a esse cara tão maravilhoso que é o meu pai”, comenta.

A produtora executiva da Fábrica de Graffiti e idealizadora do projeto, Paula Mesquita Lage, também relaciona a escolha de Milton à identidade mineira. “Qual a melhor forma de reverenciar Minas Gerais senão pelo maior artista mineiro?”, diz. “Milton é uma lenda viva da música brasileira e mundial, dono de uma voz primorosa, uma vez descrita como ‘a voz de Deus’”, lembra.

Fábrica de Graffiti

Desde 2019, a Fábrica de Graffiti desenvolve projetos de arte urbana em cidades e espaços industriais, além de ações de formação de novos artistas em parceria com escolas públicas. Segundo o projeto, a iniciativa soma mais de 50 quilômetros grafitados, 300 artistas contratados e 800 novos artistas formados.

A trajetória da iniciativa inclui murais de 7 mil m² em Minas Gerais e na Bahia, além de um painel de 8,5 mil m² em Barra Mansa, no Rio de Janeiro. O projeto também assina uma empena de 1 mil m² no interior de Minas Gerais.

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