
“Vinte anos de Escola de Artes são também vinte anos de vidas que se transformaram. Cada aluno que passou por aqui levou um pedaço da escola e deixou a sua marca. Esse espetáculo é a celebração desse organismo vivo que se reinventa a cada geração, mas continua sendo reconhecido como um só”, afirma Lilian Nunes, diretora artística e executiva da Coreto Cultural e uma das responsáveis pela direção do espetáculo.
Inês Amaral, que também dirige a montagem, destaca que, ao longo das edições, a Escola de Artes se tornou, para muitos, um lugar de pertencimento, de encontro e de descoberta. “Um espaço onde cada corpo pode se expressar, onde talentos podem ser reconhecidos e onde relações podem ser construídas. Talvez esse seja o maior legado: ter ajudado a formar pessoas mais conscientes de si, mais confiantes para enfrentar a vida e mais disponíveis para construir algo junto. Porque, no fundo, não se trata apenas de formar bailarinos ou artistas. Trata-se de oferecer ferramentas para que cada indivíduo possa descobrir quem é, reconhecer sua potência e compreender que faz parte de algo maior. E é justamente essa ideia que está no coração do 20º ano: começamos com um pulso, um coração individual. Aos poucos, outros corações se aproximam, até que percebemos que aquilo que pulsa em cada um de nós pode formar um grande organismo vivo. São 20 anos de muitos indivíduos que, juntos, construíram uma história que continua pulsando”, acredita.
Inspirado na canção de Beto Guedes e Ronaldo Bastos que dá nome ao espetáculo, “Tudo que Move é Sagrado” tem como eixo a ideia de que o sagrado está nas relações. A circulação de sangue, ritmo, memória, afeto e conhecimento entre diferentes gerações orienta as cenas da montagem.
O elenco reúne 138 alunos de balé clássico, 49 percussionistas, 35 integrantes das turmas de danças urbanas, 33 de jazz, além de participantes do Grupo Somos, 16 bailarinos da Cia Masculina e do Grupo Mira, 73 integrantes do Coral Unimed-BH e da Orquestra SABRA e 40 participantes do Bloco Saúde e da Sociedade do Riso. Também integram a apresentação o Agbara, solistas e músicos convidados.
A abertura do espetáculo terá cinco bailarinas de diferentes idades apresentando solos em sequência ao som de “Amor de Índio”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Cada uma representa uma fase das duas décadas da escola, enquanto o telão exibe imagens em preto e branco de espetáculos anteriores, acompanhadas por pinceladas de cor.
A montagem percorre diferentes grupos e gerações da Escola de Artes Instituto Unimed-BH, das turmas de pré-clássico aos bailarinos profissionais do Grupo Mira e da Cia Masculina. Uma das cenas reúne pela primeira vez professores de dança e percussão da escola. Com figurinos produzidos a partir de camisas doadas por médicos, eles apresentam uma versão de “Carnavália”, de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, com letra sobre o Morro das Pedras e suas sete vilas.
O Coral Unimed-BH e a Orquestra Jovem SABRA também dividem a apresentação de “Clareou”, de Serginho Meriti e Rodrigo Leite. Na cena, os cantores se deslocam da plateia em direção ao palco enquanto as cordas ocupam o fosso do teatro.
O espetáculo ainda presta homenagem a Gilvan de Oliveira, diretor musical das edições anteriores do Somos Comunidade. O repertório inclui “Maria Maria”, de Fernando Brant e Milton Nascimento; “De Toda Cor”, de Renato Luciano; “Mortal Loucura”, de José Miguel Wisnik e Gregório de Matos; “Inclassificáveis”, de Arnaldo Antunes; “Paciência”, de Lenine; “Bola de Meia, Bola de Gude”, de Fernando Brant e Milton Nascimento; “Feliz, Alegre e Forte”, de Marisa Monte, Pretinho da Serrinha e Rachell Luz; “Anima”, de Zé Renato e Milton Nascimento; “Pescador de Ilusões”, d’O Rappa; “Felicidade”, de Marcelo Jeneci; “Carinhoso”, de Pixinguinha, e “Amarelo Azul e Branco”, da dupla Anavitória.
Serviço
"Tudo que Move é Sagrado"
"Tudo que Move é Sagrado"
Espetáculo comemorativo dos 20º ano da Escola de Artes Instituto Unimed-BH
Programa Somos Comunidade, Coreto Cultural
Data: 27 de setembro (domingo) de 2026
Horário: 18h
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, Belo Horizonte (MG)
Ingressos: gratuitos, via Sympla