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Museu de Arte da Pampulha recebe exposição sobre música caipira

Projeto do artista Benedito Ferreira reúne instalação e gravação audiovisual com violeiros para explorar as transformações do gênero musical


postado em 26/10/2026 10:56 / atualizado em 26/10/2026 11:09

O trabalho reúne uma instalação e uma gravação audiovisual com os violeiros Zé Canhoto e Caio Yanni, conhecido como Caxeado(foto: Michele Rodrigues/PBH )
O trabalho reúne uma instalação e uma gravação audiovisual com os violeiros Zé Canhoto e Caio Yanni, conhecido como Caxeado (foto: Michele Rodrigues/PBH )
A música caipira, suas transformações ao longo do tempo e as relações entre Goiás e Minas Gerais são o ponto de partida do projeto “Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim”, em cartaz no Museu de Arte da Pampulha (MAP), em Belo Horizonte, até 22 de novembro. Desenvolvido pelo artista visual Benedito Ferreira, o trabalho reúne uma instalação e uma gravação audiovisual com os violeiros Zé Canhoto e Caio Yanni, conhecido como Caxeado. A obra integra a 10ª edição do Programa de Residência Artística do MAP/Bolsa Pampulha.

Com curadoria de Augusto Fonseca, o projeto investiga a música caipira e suas transformações até a consolidação do sertanejo romântico, gênero cuja popularização ampliou a presença da cultura sertaneja nos centros urbanos. A pesquisa também aborda a difusão de um repertório marcado por narrativas de amor e despedida.

A instalação consiste em uma grande faixa de tecido com a frase “Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim”, posicionada entre duas colunas internas do salão nobre do museu. Visível também do lado de fora do MAP, a obra utiliza um formato comum em ruas e festas populares para apresentar uma declaração de caráter íntimo. “O título anuncia uma separação e deixa em suspenso aquilo que pode existir depois dela”, explica Benedito Ferreira.

Além da instalação, o projeto prevê uma gravação audiovisual aberta ao público no dia 15 de novembro, em frente ao museu. A atividade contará com a participação dos violeiros Zé Canhoto e Caxeado, que se reunirão para executar uma composição improvisada.

Com aproximadamente 40 anos de diferença de idade, os músicos participam de encontros de violeiros realizados na capital mineira. A apresentação promove um encontro entre diferentes gerações ligadas à viola e à música caipira.

A gravação faz parte da pesquisa audiovisual desenvolvida por Benedito durante sua participação no Bolsa Pampulha. Ao relacionar a frase de despedida à música interpretada pelos violeiros, o artista retoma questões presentes em sua produção recente, especialmente a permanência de imagens associadas ao sertão e suas transformações ao longo do tempo e em diferentes lugares.

Natural de Itapuranga, em Goiás, e radicado em Goiânia, Benedito Ferreira é artista visual, cineasta e pesquisador. Nos últimos anos, apresentou sua produção em países como Portugal, França, Holanda, Armênia, Polônia, Geórgia, Romênia, Uruguai, Colômbia e Coreia do Sul.

Durante a residência artística no MAP, Benedito tem percorrido Belo Horizonte com uma câmera para registrar imagens relacionadas ao universo sertanejo presentes na cidade. A investigação dialoga com sua produção desenvolvida em Goiás e com uma prática recorrente em seu trabalho, caracterizada pelo deslocamento e pela observação das paisagens encontradas ao longo dos percursos.
 
Serviço
"Nunca mais vamos abraçar o que vem depois do fim" 
Artista: Benedito Ferreira
Curadoria: Augusto Fonseca
Participação: Zé Canhoto e Caxeado
Período: até 22 de novembro
Local: Museu de Arte da Pampulha (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Pampulha)

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