Estado de Minas LITERATURA

Flitabira bate recorde de público e reúne 40 mil pessoas

Sexta edição do festival literário registrou crescimento de 33,3% no público e venda de mais de 3 mil livros; próxima edição será em outubro de 2027


postado em 04/11/2026 08:56 / atualizado em 04/11/2026 09:11

Rita Von Hunty e Calila das Mercês participaram de conversa sobre linguagem, colonialismo, desigualdade e desinformação durante o Flitabira 2026(foto: @alnereis/Divulgação)
Rita Von Hunty e Calila das Mercês participaram de conversa sobre linguagem, colonialismo, desigualdade e desinformação durante o Flitabira 2026 (foto: @alnereis/Divulgação)
O 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira encerrou sua programação no último domingo (1º), com público de 40 mil pessoas ao longo de quatro dias. O número representa um crescimento de 33,3% em relação à edição de 2025 e é o maior registrado desde a criação do evento, em 2021. Realizado no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade e em seu entorno, o festival também registrou a venda de mais de 3 mil livros, outro recorde da iniciativa.

Com o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, em homenagem aos 75 anos de “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade, a programação reuniu escritores, artistas e intelectuais para discutir literatura, racismo, democracia, ancestralidade e direitos humanos. Entre os convidados estiveram Conceição Evaristo, Leda Maria Martins, Pedro Bial, Geraldo Carneiro, José Miguel Wisnik, Sérgio Abranches, Carla Akotirene, Rita Von Hunty, Fabrício Carpinejar e Marcelino Freire.

Um dos destaques foi a aula-espetáculo “A Máquina do Mundo em Nós”, apresentada por José Miguel Wisnik e pelo músico Kristoff Silva no sábado (31), data em que foram comemorados os 124 anos de nascimento de Drummond. A apresentação combinou música e análise literária do poema que inspirou o tema do festival, relacionando a obra do escritor à história da mineração e à paisagem de Itabira.

A programação também contou com um encontro entre Conceição Evaristo, Leda Maria Martins e Maria Mazzarello, homenageadas desta edição. Na mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, mediada por Afonso Borges, as três relembraram a trajetória de amizade e colaboração que contribuiu para ampliar a presença de autores negros no mercado editorial brasileiro. Entre os assuntos abordados esteve a criação da Mazza Edições, fundada por Maria Mazzarello em 1981, responsável pela publicação de obras como “Ponciá Vicêncio” e “Becos da Memória”, de Conceição Evaristo.

A obra de Drummond também foi tema de uma conversa entre Pedro Bial, que participou virtualmente por recomendação médica, e Geraldo Carneiro. Outro destaque foi a pré-estreia do espetáculo “Claro Enigma”, do Grupo de Dança Primeiro Ato, que incorporou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) à coreografia. O festival recebeu ainda a exposição “Autorretratos de Drummond”, com desenhos e caricaturas produzidos pelo poeta.

Na programação educativa, o Prêmio de Redação e Desenho mobilizou 45 escolas, correspondentes a quase 90% da rede de ensino pública e privada de Itabira. Ao todo, foram inscritos 60 textos e 51 desenhos, incluindo trabalhos de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). As atividades voltadas ao público infantojuvenil também incluíram oficinas, contação de histórias e encontros com escritores. No encerramento, Paula Pimenta conversou com leitores e apresentou o livro “A Música da Minha Vida – Volume 1”.

O festival homenageou Dona Rosinha, Dona Tita e Dona Joana Zeferina, lideranças quilombolas de Itabira recentemente falecidas. A cerimônia reuniu familiares e representantes do poder público. Já a exposição “Correspondências: memória, imagem e presença”, do projeto Memorial Vale Itinerante, apresentou fotografias, releituras artísticas e cartas narrativas sobre a presença negra na formação de Poços de Caldas.

Na área de incentivo à leitura, o Ministério da Educação apresentou o MEC Livros, plataforma gratuita de biblioteca digital com mais de 25 mil títulos. A Livraria do Flitabira, por sua vez, reuniu um acervo de 12 mil exemplares e 2.300 títulos. A programação também abriu espaço para autores locais e independentes, além de artesãos, empreendedores e produtores da gastronomia da cidade.

A próxima edição do Flitabira já está confirmada para os dias 27 a 31 de outubro de 2027, quando serão lembrados os 40 anos da morte de Carlos Drummond de Andrade. As atividades da sexta edição foram gratuitas, e as gravações das apresentações e dos debates estão disponíveis no canal do festival no YouTube.

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