
Como avalia o momento atual do mercado livre de energia no Brasil, especialmente o da Cemig? Crescimento do mercado, maior adesão, mudanças regulatórias...
O mercado livre de energia vive um momento importante no Brasil. Estamos falando de um segmento que cresce de forma consistente há mais de duas décadas e que, agora, entra em uma nova fase, com maior adesão de consumidores, evolução regulatória e perspectiva concreta de abertura para novos perfis de clientes, inclusive da baixa tensão nos próximos anos. Esse avanço decorre de uma combinação de fatores. O primeiro é o próprio amadurecimento do consumidor, que passou a enxergar a energia não apenas como custo, mas como um insumo estratégico para competitividade, sustentabilidade e previsibilidade. O segundo é a evolução regulatória, que tem ampliado o alcance do ambiente livre e criado as condições para um mercado mais dinâmico. E o terceiro é o avanço da tecnologia, que permite ofertas mais customizadas e uma jornada mais simples para o cliente. No caso da Cemig, vemos esse momento com muito otimismo. A companhia apostou no mercado livre de energia desde o início, quando esse segmento ainda era restrito a grandes consumidores e poucos acreditavam na dimensão que ele poderia alcançar. Hoje, essa visão se confirma. A Cemig é líder nesse ambiente e está se preparando para a próxima etapa de expansão do setor, que será a abertura total do segmento.
Quais foram as principais conquistas da Cemig no mercado livre de energia? Algum projeto ou contrato recente que represente um marco para a companhia?
A principal conquista recente da Cemig no mercado livre foi consolidar uma trajetória de liderança construída ao longo de mais de 20 anos. Temos nos direcionado para o mercado livre desde a criação da Cemig GT, em 2005. Nossas ações têm sido importantes para impulsionar esse mercado, começando lá atrás com os clientes de grande porte e depois evoluindo, na década seguinte, para os clientes de fontes incentivadas. Mais recentemente, com a ampliação do mercado para todos os clientes do grupo A, que é o chamado “mercado varejista”, a Cemig assumiu a liderança do mercado nacional desde setembro de 2024, posição mantida até hoje. Esse é o segmento que mais tem crescido. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, esse mercado se expandiu em 60%. No mesmo período, a Cemig cresceu 70%, ou seja, com um desempenho muito forte e maior do que a média dos demais concorrentes. No ano passado, a companhia foi a primeira a atingir 10 mil unidades consumidoras no Mercado Livre de Energia, tendo sido a primeira empresa do setor a alcançar essa marca. Esse é um número relevante quando se considera o universo de unidades consumidoras hoje presentes nesse ambiente. Esse resultado demonstra duas coisas. Primeiro, que a Cemig acreditou nesse mercado antes de ele ganhar a dimensão que tem hoje. Segundo, que a empresa conseguiu transformar essa aposta em escala, relacionamento e conhecimento profundo do cliente.
Como a Cemig tem se destacado neste mercado?
A Cemig tem se diferenciado por uma combinação de fatores. Um deles é a força da marca. Outro é a experiência acumulada, que permite à companhia entender com profundidade as necessidades de cada perfil de consumidor. E há também um diferencial operacional e comercial importante: a Cemig não enxerga o cliente apenas como um comprador de energia, mas como alguém que precisa de uma solução energética mais ampla, combinando preço, previsibilidade, fonte renovável, perfil de consumo e, em alguns casos, integração geração distribuída e novas tecnologias.
Quais projetos de implantação no mercado livre de energia a empresa tem desenvolvido recentemente?
A Cemig tem desenvolvido projetos importantes para tornar a experiência do cliente no mercado livre mais simples, mais digital e mais personalizada. Um dos destaques é o e-commerce energialivre.cemig.com.br, pioneiro no setor, que permite ao consumidor realizar praticamente toda a jornada de contratação em ambiente digital, desde a comparação de ofertas até a assinatura do contrato. Além disso, a companhia tem avançado na oferta de soluções mais sofisticadas para sua base de clientes. Isso inclui análises mais detalhadas de perfil de consumo, ofertas específicas por tipo de fonte e etc. O que está em construção é um modelo em que a Cemig deixa de ser apenas fornecedora de energia e passa a atuar como uma plataforma de soluções energéticas, capaz de olhar para a curva de consumo do cliente e oferecer a combinação mais adequada entre diferentes produtos e fontes. Esse é, na nossa visão, um dos caminhos mais promissores para a evolução do mercado livre.
Quais são os principais pilares do planejamento estratégico para os próximos anos?
A Cemig tem desenvolvido projetos importantes para tornar a experiência do cliente no mercado livre mais simples, mais digital e mais personalizada. Um dos destaques é justamente o e-commerce de energia, pioneiro no setor, que permite ao consumidor realizar praticamente toda a jornada de contratação em ambiente digital, desde a comparação de ofertas até a assinatura do contrato.
Como a companhia se prepara para acompanhar o crescimento da demanda por energia no país? O investimento em tecnologia (IA e inteligência de mercado) faz parte desse planejamento?
A tecnologia é parte central do planejamento da Cemig. O mercado de energia está ficando mais complexo, mais dinâmico e mais sensível a variáveis regulatórias, climáticas e operacionais. Para lidar com isso, é indispensável investir em inteligência de mercado, capacidade analítica e ferramentas de apoio à decisão. A Cemig vem se preparando em várias frentes. Talvez a principal delas é o fortalecimento da inteligência de mercado, com leitura mais refinada do comportamento do consumidor, análise de risco e identificação de oportunidades por perfil de carga, região e setor econômico. O uso de inteligência artificial também passa a ganhar relevância nesse contexto, tanto para melhorar processos internos quanto para tornar mais sofisticada a relação com o cliente e a precificação das soluções. Em um mercado mais aberto, competitivo e volátil, quem tiver mais inteligência e mais capacidade de resposta certamente terá vantagem.
Qual é a estratégia da Cemig para se posicionar de forma competitiva no mercado livre de energia? Como a companhia trabalha a gestão de risco, a previsibilidade de preços e aumento da eficiência energética?
A estratégia da Cemig parte de uma visão muito clara: liderança no Mercado Livre de Energia exige escala, conhecimento técnico, proximidade com o cliente e capacidade de gestão de risco. Não basta vender energia. É preciso entender profundamente o ambiente regulatório, a formação de preços, o comportamento dos submercados e, principalmente, o que o cliente precisa. Na gestão de risco, a companhia tem atuado com bastante disciplina. Em um ambiente mais volátil, com eventos recentes de inadimplência e defaults no mercado, a Cemig adota postura ainda mais criteriosa na seleção de contrapartes, no monitoramento das exposições e na definição das estratégias comerciais. Do lado do cliente, o foco é aumentar previsibilidade e eficiência. Isso significa oferecer contratos mais aderentes ao perfil de consumo, construir soluções que considerem sazonalidade, fonte de energia e, sempre que possível, agregar inteligência para otimizar o uso da energia. A lógica é sair do modelo de simples venda e evoluir para um modelo de solução energética integrada.
Como a sustentabilidade e as fontes renováveis fazem parte da estratégia para o futuro do mercado livre de energia?
A sustentabilidade está no centro da estratégia da Cemig. Hoje, 100% da energia vendida pela companhia no mercado livre de energia é renovável, o que representa um diferencial importante em um cenário em que empresas de todos os setores buscam reduzir emissões e tornar suas cadeias mais limpas. Além disso, a companhia emite certificados de energia renovável que podem ser utilizados pelas empresas para demonstrar aos seus clientes a procedência dessa energia. Mas o papel das fontes renováveis vai além da imagem ambiental. Elas fazem parte da competitividade do negócio. Consumidores querem energia limpa, sim, mas também querem previsibilidade, reputação ESG e alinhamento com suas metas corporativas. Nesse contexto, a Cemig está muito bem posicionada. No futuro do mercado livre, as fontes renováveis terão papel ainda mais estratégico. À medida que o consumidor tiver mais liberdade de escolha, a origem da energia passará a ser um elemento de diferenciação cada vez mais relevante. E a Cemig quer ocupar esse espaço com a força de quem já opera com energia renovável em escala, com credibilidade e com capacidade de entrega.
Como enxerga o futuro do mercado livre de energia no Brasil nos próximos anos? Os conflitos vividos pelo mundo atualmente e a insegurança global, de alguma maneira, afetam o setor e são um alerta para ações de prevenção e proteção?
O futuro é de crescimento. A abertura deve continuar avançando, novos consumidores devem entrar nesse ambiente e a tendência é de aumento da sofisticação dos produtos, da concorrência e da importância estratégica da energia para os negócios. Ao mesmo tempo, esse crescimento exige amadurecimento institucional. O setor precisa evoluir em temas como segurança de mercado, gestão de risco, regulação prudencial e proteção ao consumidor. Não dá para imaginar um ambiente mais aberto sem discutir mecanismos que reduzam o risco sistêmico de defaults e aumentem a previsibilidade para todos os agentes. Quanto ao cenário internacional, ele naturalmente afeta a percepção de risco, os fluxos de investimento e o comportamento dos mercados. Conflitos geopolíticos, insegurança global e volatilidade de commodities reforçam a importância da segurança energética e da solidez dos mercados domésticos. Para o Brasil, isso é também um alerta positivo: temos uma matriz renovável competitiva, um mercado em expansão e condições de construir um ambiente mais robusto e confiável. Mas isso exige atenção permanente, regulação moderna e visão de longo prazo.
Com visão de futuro, a Cemig procura enxergar além da venda de energia?
A Cemig não chegou agora ao mercado livre de energia. A companhia está nesse segmento há mais de 20 anos, ajudou a construir esse mercado e se preparou com antecedência para a sua expansão. Isso faz diferença em um ambiente cada vez mais competitivo e mais complexo. E segue avançando para além da venda de energia. Nosso objetivo é ser cada vez mais uma empresa capaz de entregar soluções energéticas completas, combinando energia renovável, gás, geração distribuída, inteligência de mercado e novas tecnologias. O cliente não quer apenas comprar energia. Ele quer segurança, previsibilidade, simplicidade e uma solução que faça sentido para o seu negócio. É exatamente nessa direção que a Cemig está trabalhando.