Estado de Minas ENCONTRO

Minas Summit 2026 pode movimentar até R$ 100 milhões em negócios

Quarta edição do evento reúne 11 mil participantes, 400 especialistas e mais de 2 mil startups em dois dias de imersão no BeFly Minascentro


postado em 18/06/2026 08:41 / atualizado em 18/06/2026 09:05

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Com o tema "O Futuro é Agora", o Minas Summit ocupa o Minascentro com uma programação distribuída em sete palcos simultâneos (foto: BS Fotografia/Divulgação)
Belo Horizonte recebe uma verdadeira maratona de inovação, empreendedorismo e negócios. Consolidado como um dos maiores fóruns do setor no Brasil, o Minas Summit 2026 chega à sua quarta edição, no BeFly Minascentro, em Belo Horizonte, com números robustos e a promessa de conectar empresas, startups, investidores e lideranças que estão moldando o futuro da economia. O evento começou ontem e segue nesta quinta-feira (18/06) com uma programação extensa de palestras, rodada de negócios, painéis e networking do universo corporativo conectando mentes diversas, de grandes organizações às marcas da quebrada; dos executivos aos desenvolvedores de games; de empresários e profissionais consolidados a estudantes inquietos e empreendedores. 
 
Com o tema "O Futuro é Agora", o Minas Summit ocupa o Minascentro com uma programação intensa distribuída em sete palcos simultâneos. Ao longo de dois dias, serão mais de 100 horas de conteúdo, reunindo cerca de 400 especialistas para discutir tendências, inteligência artificial, tecnologia, transformação digital, novos modelos de negócios e os desafios do mercado contemporâneo. A expectativa é receber aproximadamente 11 mil participantes. O evento conta ainda com presença de cerca de 80 expositores fomentando conexões e oportunidades.
 
Um dos destaques desta quarta edição é o potencial de geração de negócios. Segundo os organizadores, o ambiente foi desenhado para estimular encontros entre empresas, startups e investidores, com rodadas de negócios e espaços dedicados ao networking. A previsão é reunir mais de 2 mil startups e movimentar até R$ 100 milhões em negócios fechados durante o evento que, em 2025, gerou R$ 70 milhões.
 
A programação inclui ainda áreas de exposição, ativações de marcas, experiências imersivas e ambientes voltados à criação de parcerias estratégicas, reforçando o papel de Minas Gerais como um dos principais polos de empreendedorismo e tecnologia do país. 
 
GENTE QUE FAZ E INOVA
 
Entre os participantes, a “Fazendinha em casa”, da CEO Cláudia Ligório, chama a atenção. A startup nasceu em 2017 com o objetivo de conectar produtores da agricultura familiar a compradores preocupados com meio-ambiente, com a sustentabilidade como um todo e com economia local: “Permitimos essa conexão por meio de uma plataforma que oferece serviços de comercialização, logística, marketing e relacionamento. Atendemos muito o mercado B2B, restaurantes, empórios, revendedores e chefs de cozinha. Tanto em BH, Minas, quanto nacionalmente”, explica Cláudia. Na plataforma há milhares de produtos de vinho a doce e embutidos, pães, verduras, uma linha ampla.
 
Cláudia Ligório, CEO da Fazendinha em casa(foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
Cláudia Ligório, CEO da Fazendinha em casa (foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
A “Fazendinha em casa” surgiu a partir da convivência de Cláudia com o chamado sistema de inovação de Belo Horizonte, no auge do nascimento do ecossistema San Pedro Valley. Achei tudo legal, conheci o movimento slow food, e pensei em reunir tudo isso numa atividade. Daí nasceu a Fazendinha, há nove anos, onde o produtor cria sua loja on-line dentro da plataforma e já coloca se quer vender atacado, varejo, cadastro dos produtos e também uma rede que busca se conectar”. Inclusive, Cláudia lançou na Minas Summit uma linha de produtos, chamada Fora da Curva, de produtores selecionados com café de alta pontuação e doce de leite sem conservantes da região Campo das Vertentes, que já é sucesso.  “Fizemos uma curadoria dentro da plataforma e até criamos uma rotulagem especial para apresentar aqui”. 
 
Caio Arimura, gestor da Startup da Quebrada(foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
Caio Arimura, gestor da Startup da Quebrada (foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
Já o desenvolvedor de inteligência artificial Caio Arimura, é o gestor da Startup da Quebrada. Ele conta que sua iniciativa tem como propósito democratizar o acesso ao ecossistema de inovação para jovens da periferia, oferecendo conhecimento sobre a estruturação e criação de novos negócios. “Nesta edição do Minas Summit 2026, estamos promovendo o ‘Desafio das Quebradas’, um hackathon que conecta quatro empreendedores de favela a equipes multidisciplinares. O objetivo é que os participantes desenvolvam soluções tecnológicas, como softwares ou aplicativos, para sanar as dores reais apresentadas por esses empreendedores. A equipe vencedora será premiada com R$ 18 mil em prêmios”. Os interessados podem participar de trilhas da gastronomia, da beleza, da economia criativa e do comércio varejista. 
 
Caio conta que a Startup da Quebrada atua há quatro anos, “tendo iniciado como uma incubada no Cotemig, em BH. Convidamos todos a acompanharem nosso trabalho pelas redes sociais, buscando por Startup da Quebrada”.
O Minas Summit é marcado pela diversidade de negócios. E a Geoflora Connect, de Conceição do Mato Dentro, da CEO Carolina Alvarenga, bióloga, é outro exemplo. Carolina Mesquita, diretora de ativos ambientais e sustentabilidade da startup, explica que “a empresa é especializada na comercialização de ativos e áreas florestais voltadas à compensação ambiental. Atuamos por meio de uma plataforma digital que conecta empreendedores que têm a obrigação legal de compensação ambiental aos proprietários de áreas disponíveis para esse fim”.
 
Carolina Mesquita, diretora de ativos ambientais e sustentabilidade da Geoflora Connect(foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
Carolina Mesquita, diretora de ativos ambientais e sustentabilidade da Geoflora Connect (foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
Carolina enfatiza que o Minas Summit é um palco relevante para a rede de contatos e apresentação das soluções da startup para o mercado. Ela conta que a Geoflora teve o projeto estruturado a partir da observação do cenário de Conceição do Mato Dentro, município com forte incidência de atividades mineradoras. “Considerando que Minas Gerais concentra cerca de 30% da mineração do país, identificamos uma demanda latente dessas empresas por mecanismos eficientes de regularização ambiental. Criamos uma solução tecnológica que otimiza o processo de compensação ambiental, não apenas para o setor minerário, mas para todos os segmentos que necessitam cumprir as exigências legais”.
 
O CÃO-ROBÔ
 
Quem também faz sucesso no Minas Summit, é o estande do Núcleo de Inovação Tecnológica da UFMG (CTIT), unidade responsável por centralizar e gerir as inovações desenvolvidas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Nosso trabalho começa no momento em que o pesquisador submete a notificação de invenção. A partir daí, realizamos a análise técnica preliminar e conduzimos todo o processo de proteção intelectual e patenteamento. Somos o setor que protege as tecnologias criadas dentro da UFMG, mas também temos programas para incubar outras empresas dentro ou fora da universidade”, explica Gabriel do Nascimento, representante CTIT.
 
Diego Cardoso Cabanellas e Gabriel do Nascimento, representante CTIT (foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
Diego Cardoso Cabanellas e Gabriel do Nascimento, representante CTIT (foto: Lilian Monteiro/Divulgação)
Gabriel reforça que no Minas Summit a tarefa é apresentar “como uma empresa externa pode ser protegida pela UFMG, seja proteção de pesquisa, inovação, licenciamento, além da incubadora, com a Inova, onde auxiliamos desde a formalização do CNPJ até o direcionamento estratégico para o desenvolvimento de tecnologias ou processos de licenciamento”. 
 
Aliás, a aglomeração no estande do CTIT também se deu pela presença do cão-robô, desenvolvido pelo Departamento de Ciência da Computação (DCC), uma das tecnologias de ponta em robótica da universidade, acompanhado de soluções avançadas em mapeamento 3D. “Este cão-robô é resultado de anos de pesquisa e exemplifica o alto nível de inovação produzido pela equipe de engenharia e robótica da UFMG. Ele tem uma ampla gama de movimentos, de todas as ações de um cão, e sabe até fazer um coração e brincar com o público”, conta Gabriel.  
 
DISCUSSÕES AMPLAS DE IA AO HUMANO
 
Vale destacar a diversidade das palestras e discussões levadas por especialistas ao Minas Summit.  Sim, a inteligência artificial está na ordem do evento e do mundo. Na fala de Ottavio Santana, fundador da ClearChat, alertou sobre a importância de fugir do modismo para que o uso da IA realmente funcione. “A taxa de sucesso de projetos de IA é baixa, 85% falham no primeiro ano. Apenas 15% entregam melhor efetividade. E isso não é porque a IA não está adequada, mas porque não sabemos utilizá-la da maneira correta. É preciso repensar o que a IA pode fazer por nós e este é o gargalo. A maioria a utiliza para vender mais, como vitrine, pula etapas ao implementá-la, não sabe o desempenho real e vira a automatização do caos. O caminho para a empresa acertar é a decomposição em: saber quais são as tarefas; quais são repetitivas; e quais seguem regras claras e consomem tempo”.
 
Mas também teve no primeiro dia de Minas Summit, Bruno Vasconcelos falando do case da sua empresa Seu Cliente Oculto: “Uma metodologia de pesquisa em que pessoas são selecionadas e treinadas para avaliar a experiência de uma marca de forma anônima”.  A startup já fez mais de 3.500 projetos na América Latina e mapeou mais de 7 milhões de interações dos clientes, atendendo desde um micro empresário até gigantes como Burguer King, Localiza e Warner Bross. “Já encontramos desde funcionário dormindo no sofá até passando o pix errado ou indicando o concorrente”, revela Bruno.
 
Assim como Kelson Douglas, pesquisador de cultura digital, games e mídias interativas, falando do mercado de games indie no Brasil e do lançamento FCJ Game Hub: “Game é cultura e tecnologia juntos. E trabalhar com game não é trabalhar com startup. É outro cenário. O valor do mercado global de games, em 2025, foi de US.8 bilhões e a previsão para 2028 é chegar a US$ 206.5 bilhões. Há um total de 3.6 bilhões de pessoas jogando. E hoje são três caras, um cara, dentro de uma garagem desenvolvendo um jogo que pode faturar milhões em uma semana”. 
 
Ao reunir em um mesmo espaço os protagonistas da nova economia, o Minas Summit  reforça a mensagem que o futuro já começou e ele passa por Belo Horizonte.
 
SERVIÇO:
Evento: Minas Summit 2026
Data: de 17 a 18 de junho de 2026
Local: BeFly Minascentro, na Avenida Augusto de Lima, 785 Centro, em BH-MG
Horário: 9h às 18h
Ingressos no Sympla
 

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