
A iniciativa atende prioritariamente mães de Belo Horizonte e da Região Metropolitana em situação de vulnerabilidade social. A capacitação aborda temas como formalização de negócios, marketing digital, finanças, precificação, gestão do tempo e inteligência emocional.
Na edição de 2026, foram disponibilizadas 50 vagas. As participantes cumpriram uma jornada de cinco encontros quinzenais e presenciais, com conteúdos relacionados ao desenvolvimento pessoal e à gestão dos negócios.
Entre as participantes está Alda Pereira, que se prepara para inaugurar uma cafeteria no bairro Nova Suíça. Para ela, a capacitação ajudou a lidar com um dos desafios de quem precisa administrar simultaneamente um empreendimento e a rotina familiar. “O meu negócio ainda está em fase de estruturação, mas a capacitação já me trouxe o entendimento de que esse desafio de conciliar vida familiar e empreendedorismo pode ser vencido, especialmente quando toda a família se envolve”, conta. “Meu marido e filho já me ajudam, antes mesmo do negócio abrir as portas, e a intenção é que possamos ter maior flexibilidade e liberdade para adequar nossos horários”, destaca Alda.
A conciliação entre trabalho e cuidados familiares também aparece na trajetória de Maria do Carmo Nicodemos. Ela criou o primeiro negócio, uma confeitaria, em 2019, após o nascimento da segunda filha e uma demissão. Em 2026, o empreendimento se transformou em uma empresa especializada em marmitas artesanais.
“Precisei criar um trabalho onde eu pudesse estar mais próxima às minhas filhas, especialmente a bebê, e que me gerasse renda. O negócio avançou e, em 2026, se tornou uma empresa especializada em marmitas artesanais. Hoje, além de cuidar da minha própria família, também ajudo outras a organizar a rotina de alimentação”, conta Maria.
Um estudo publicado em 2024 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), citado pelo projeto, aponta desafios enfrentados por mulheres empreendedoras.
Segundo dados da PNADC apresentados no levantamento, as microempreendedoras dedicam, em média, 17% menos tempo aos negócios do que os homens. Responsabilidades relacionadas aos cuidados com crianças e idosos, ao acompanhamento dos filhos e às tarefas domésticas estão entre os fatores que dificultam a conciliação entre as atividades profissionais e familiares. O estudo também aponta que 49% das mulheres empreendedoras ocupam a posição de chefe de domicílio.
Segundo o presidente da Fundação CDL-BH, Vilson Mayrink, a capacitação busca oferecer ferramentas relacionadas a dificuldades encontradas pelas empreendedoras. “A proposta dialoga diretamente com os principais desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem, como a conciliação entre a vida profissional e familiar, o acesso a recursos financeiros, a construção de redes de apoio e mentoria e o domínio de ferramentas e tecnologias que podem impulsionar seus negócios. Ao oferecer conhecimento e suporte, o projeto contribui para que essas mulheres tenham mais segurança para desenvolver seus empreendimentos e ampliar sua autonomia econômica”, explica.
Criado em 2023, o Projeto Afeto-Empoderamento já capacitou 83 mulheres. As participantes são encaminhadas por organizações parceiras, pela rede de proteção social e pela sociedade civil.
Maria do Carmo afirma que os conteúdos relacionados à administração do negócio têm sido aplicados em seu empreendimento. “Essa capacitação me trouxe conhecimentos que, até então, não os conhecia de forma mais aprofundada. Entender precificação, lucro real, comunicação e marketing estão me ajudando a dar passos que eu não sabia que era capaz”, conta.
Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, a conclusão da formação representa uma nova etapa para as participantes. “Celebramos a conclusão de uma capacitação e os novos passos na trajetória de mulheres que estão transformando conhecimento em oportunidade, empreendedorismo em renda e autonomia em possibilidade de escolha”, conclui.