Mapeamento genético pode ajudar na produção de leite que causa menos alergia

Estudo da Embrapa de Minas Gerais quer ampliar a produção de leite tipo A2, que provoca menos reações alérgicas

por Encontro Digital 07/11/2017 14:45

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Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite usam mapeamento genético para produzir leite do tipo A2, que não possui a proteína beta-caseína, responsável pela alergia ao produto (foto: Pixabay)
De maneira inovadora, o setor lácteo no Brasil começa a explorar um importante nicho de mercado: a produção de leite para pessoas que possuem alergia às beta-caseínas, que correspondem a 30% das proteínas do leite. Trabalhos de melhoramento genético, desenvolvidos pela Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, em parceria com as associações de criadores das raças gir leiteiro e girolando prometem revolucionar o mercado.

Segundo os pesquisadores da Embrapa, existem evidências científicas de que a beta-caseína do leite A2, de touros modificados geneticamente, não causa reações em pessoas que possuem alergia a essa proteína específica.

A alergia à proteína do leite de vaca, conhecida como APLV, é um problema mais observado na infância. Segundo dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, cerca de 350 mil indivíduos no Brasil são alérgicos. A pessoa que tem o problema terá que eliminar o leite de vaca da dieta, deixando de se beneficiar de uma importante fonte de cálcio e de outros nutrientes num momento da vida em que o ser humano mais necessita. Embora os alergistas afirmem que o leite A2 não seja indicado para todos os casos, Marcos Antônio Sundfeld Gama, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, diz que o produto diferenciado pode ser benéfico para muitas pessoas, pois a beta-caseína é a principal causadora da APLV.

Alergia x intolerância

É importante destacar que o leite A2 não é indicado para a intolerância à lactose, que pode ser confundida com a alergia ao leite de vaca. O alergista e imunologista Aristeu José de Oliveira esclarece que a APLV e intolerância à lactose são problemas distintos. A lactose é o açúcar do leite e não uma proteína. A intolerância ocorre em pessoas que têm deficiência na produção de uma enzima chamada lactase, cuja função é quebrar as moléculas de lactose durante o processo digestivo, transformando-a em energia para as células do corpo humano. Os sintomas da intolerância à lactose são dores abdominais, diarreia, flatulência e abdômen distendido.

A APLV desencadeia uma série de reações, algumas parecidas com a intolerância à lactose, o que pode gerar confusão entre os dois problemas. Mas, além dos sintomas gástrico-intestinais ocorrerem de forma mais acentuada (diarreia e vômitos), a APLV pode causar placas vermelhas no corpo, muitas vezes acompanhadas por coceiras, inchaço dos lábios e dos olhos e, na reação mais aguda, a anafilaxia, que pode levar à morte. Diferente da alergia a alguns alimentos como amendoim, castanhas e frutos do mar, que pode acompanhar o paciente por toda a vida, quando a APLV tem início na infância, após a criança ter o primeiro contato com o leite de vaca, há uma grande probabilidade de a alergia se extinguir na adolescência. Mas, até lá, os casos mais graves deverão ser constantemente monitorados.

"O leite A2 pode evitar esses transtornos, pois, quando digerido pelo ser humano, não forma a substância chamada beta-casomorfina-7, responsável por desencadear o processo alérgico", explica Marcos Vinicius Barbosa da Silva, também pesquisador da Embrapa. Alguns estudos científicos sugerem que essa substância resultante da digestão da beta-caseína A1 (do leite comum de vaca), além de provocar a APLV, pode intensificar os problemas neurológicos de indivíduos que apresentam transtorno autista e esquizofrenia. A substância pode ainda ter influências no sistema cardiovascular.

Cientistas concluíram que há oito mil anos, as vacas produziam somente o leite A2. Uma mutação genética nos bovinos levou ao surgimento de animais com o gene para a produção do leite que temos hoje. Essa característica é mais comum nas raças de origem europeia (subespécie taurus). As raças holandesa e pardo-suíça possuem 50% de chances de produzirem leite A2. Na raça Jersey esse índice é maior: 75%. Da subespécie taurus, apenas a raça guernsey, pouco comum no Brasil, possui 100% dos seus indivíduos capazes de produzir leite A2. Já nas raças zebuínas (subespécie indicus), de grande predominância na pecuária nacional, que inclui o gir leiteiro, 98% dos indivíduos têm genética positiva para a produção de leite A2.

"A alta frequência do A2 na pecuária brasileira é uma vantagem competitiva para nossos produtores explorarem o nicho de mercado que está se formando em torno do produto", comenta Marcos Vinicius Silva.

(com portal da Embrapa)

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