Estado de Minas VIAGEM SENSORIAL

Casa Luzitana aposta na cultura do vinho português em BH

Adega no Belvedere aposta em curadoria de rótulos portugueses e experiências que unem cultura, gastronomia e acolhimento


postado em 10/06/2026 08:08 / atualizado em 10/06/2026 09:31

Osmar Santos, sommelier & curador de experiências da Casa Luzitana(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Osmar Santos, sommelier & curador de experiências da Casa Luzitana (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
A Casa Luzitana fica no Bairro Belvedere(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
A Casa Luzitana fica no Bairro Belvedere (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Imagine fechar os olhos em pleno coração de Belo Horizonte e, no gole seguinte, ser transportado para as colinas do Douro ou para as brisas do Alentejo. Essa é a viagem sensorial proposta pela Casa Luzitana, um refúgio que vai além de uma simples adega para se consolidar como um verdadeiro pedaço de Portugal em Minas Gerais. Com uma curadoria afiada que investiga o terroir, a história e a alma de cada rótulo, o espaço une a sofisticação dos vinhos à calorosa hospitalidade mineira. A Casa abre as portas para quem deseja desacelerar, aprender e descobrir a cultura portuguesa de maneira viva, transformando cada taça em uma ponte de conexão e celebração.
 
É o que propõe a Casa Luzitana, no Bairro Belvedere, que nasceu de uma visão de Tiago Monteiro, o fundador. Ele é português, carrega Portugal no DNA, e quando veio construir um grupo empresarial em Belo Horizonte, sentiu que faltava um espaço que fizesse jus à cultura do vinho de onde ele vem. “Isso faz toda diferença na forma como a Casa foi pensada. Não é um projeto de prateleira. É um projeto de identidade. O Tiago queria que qualquer pessoa que entrasse aqui sentisse um pouco do que é estar em Portugal, a hospitalidade, o orgulho do que é bom, a vontade de contar história”, explica Osmar Santos, sommelier & curador de experiências da Casa Luzitana. 
 
Osmar Santos ressalta que, por BH ser uma cidade com muita cultura e curiosidade, eles sabiam que havia espaço para a proposta da Casa Luzitana. “O retorno que a Casa tem tido desde a abertura (novembro de 2025) confirma que as pessoas estavam esperando por um lugar assim. Clientes que voltaram, que indicaram, que trouxeram amigos. Esse é o melhor termômetro. Percebemos que existe uma demanda real e represada por um espaço assim. O mercado de vinhos em BH amadureceu nos últimos anos, mas o vinho português ainda é uma fronteira a ser explorada. Há muito desconhecimento, e o desconhecimento, para a gente, é oportunidade”, comemora. 
 
A curadoria
 
O sommelier assegura que, ainda que a palavra curadoria tenha virado moda, na Casa Luzitana ela tem peso real: “Antes de qualquer rótulo entrar na Casa, a gente faz uma série de perguntas: quem é o produtor? Qual é a filosofia dele? O vinho tem identidade ou é genérico? Ele conta algo sobre o lugar onde nasceu? Se não tem história, não entra. Trabalhamos com foco total em Portugal, o que já é uma curadoria em si, porque Portugal tem mais de 250 castas autóctones, uvas que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Isso garante uma diversidade absurda dentro de um portfólio que tem identidade clara”.
 
Osmar enfatiza que Portugal é, provavelmente, “o país mais injustiçado do mundo do vinho”. Conforme o sommelier, por décadas o país ficou na sombra de França, Itália e Espanha. Mas, enquanto isso, “foi construindo algo que nenhum desses países têm. Variedades que só existem lá. Isso cria vinhos impossíveis de imitar. Temos rótulos de todas as principais regiões, e cada uma tem um caráter completamente diferente. Portugal tem isso, cada região é um universo. E nós trouxemos esses universos”.
 
Experiência além dos produtos premium
 
A Casa Luzitana fica no Bairro Belvedere(foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
A Casa Luzitana fica no Bairro Belvedere (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Além dos produtos premium, a Casa promete entregar uma “experiência”.  Osmar Santos conta que ela está no acolhimento, já que “existe um jeito português de receber que é particular, caloroso, sem afetação, genuíno. E isso a gente tentou traduzir no espaço”. Ele destaca o fato de o espaço não ter aquela atmosfera de loja fina onde a pessoa tem medo de tocar em qualquer coisa. “Aqui você é convidado a explorar, a perguntar, a provar. A conversa faz parte da experiência”.
 
Além disso, o sommelier reforça que o espaço foi pensado para ser bonito e funcional: “Você pode vir comprar uma garrafa, ou pode vir passar uma tarde. Tem quem chegue para uma degustação e fique duas horas. Tem quem entre com pressa e saia com um sorriso porque descobriu um vinho que nunca imaginou. O propósito da Casa Luzitana é aproximar as pessoas de Portugal de forma sensorial depois de cada taça e cada conversa”.
 
Azeites, doces e queijos portugueses
 
Portugal não é só vinho, e Osmar garante que a Casa Luzitana reflete isso. Ele conta que trabalham com azeites portugueses de alta qualidade e pouco conhecidos no Brasil. Além de conservas, queijos, doces tradicionais e produtos artesanais. “Cada produto foi escolhido porque faz sentido, tem história e uma dimensão sensorial nessa combinação que é difícil de descrever. Quando você harmoniza um tinto do Alentejo com um queijo curado e um fio de azeite de qualidade, você está fazendo uma viagem, sem passaporte e sem embarque à Portugal aqui em BH”, garante.
 
Eventos e cursos 
 
Outra particularidade da Casa, apontada por Osmar, é a grade variada de eventos e cursos: “Fazemos degustações temáticas com frequência, por região, por estilo, por produtor. Para quem está chegando agora no universo dos vinhos, temos cursos de iniciação que desmistificam tudo, sem jargão, sem intimidação. E para os mais avançados, oferecemos masterclasses com recortes específicos, uma região, uma casta, um produtor de referência”.
 
Mas Osmar afirma que a Casa se destaca nos eventos corporativos. “Empresas que querem oferecer uma experiência diferente para clientes, parceiros ou equipes encontram aqui um espaço e uma curadoria prontos. Wine tasting, jantares harmonizados, confraternizações com identidade. Esse tipo de experiência cria memória. E é o que as empresas mais buscam”. Toda a agenda é divulgada nas redes do espaço. 
 
As regiões dos vinhos portugueses (*)
  1. O Douro é a região-mãe: onde nasceu o Porto. Mas além do vinho fortificado, o Douro produz tintos de estrutura e complexidade impressionantes. Produtores como Niepoort redefinem o que essa região pode entregar em vinho de mesa.
  2. O Alentejo: é generoso, cheio de sol e fruta. É a região que mais encanta quem está chegando ao universo dos vinhos portugueses. Herdade do Esporão é uma referência, e não por acaso, é um trabalho sério de décadas.
  3. O Vinho Verde: traz leveza, frescor, acidez viva. Perfeito pra quem quer descobrir Portugal sem intimidação. O Soalheiro em Alvarinho é um dos mais elegantes do país.
  4. O Dão: é a região mais silenciosa de Portugal, mas quem conhece sabe: os tintos têm uma fineza que lembra Borgonha. Quinta dos Roques é um bom exemplo dessa elegância discreta.
  5. Lisboa: é uma região em ascensão, com custo-benefício excepcional e muita personalidade.
  6. A Madeira: é um capítulo à parte. O vinho mais longevo do mundo. Uma garrafa bem guardada pode durar décadas, às vezes séculos. É uma história líquida.
(*) Fonte: Osmar Santos, sommelier & curador de experiências da Casa Luzitana. 
 
A história do Pêra Manca – Brasil maior consumidor no mundo
 
A história do vinho brasileiro começa com forte influência portuguesa. Em 1532, Martim Afonso de Souza trouxe ao Brasil as primeiras mudas de videira e, menos de duas décadas depois, em 1551, produziu o que é considerado o primeiro vinho elaborado em território brasileiro. Foi o início de uma relação entre Brasil e Portugal que nasceu no século XVI e atravessa os séculos até os dias de hoje.
 
Entre os rótulos da Casa Luzitana, o Pêra Manca ocupa um lugar especial. O sommelier Osmar Santos conta que se trata de um vinho cercado por história e simbolismo. Segundo uma tradição registrada em crônicas do século XVI, ele teria sido o vinho escolhido para selar o encontro entre Pedro Álvares Cabral e os povos indígenas em 1500. “Se for verdade, o primeiro brinde feito em solo brasileiro foi com um vinho português. Existe poesia nisso”.
 
O nome, Pêra Manca, vem do terreno onde ficavam os vinhedos, um barranco com pedras soltas que mancava sob os pés, dos frades do Convento do Espinheiro, em Évora. “A produção foi interrompida pela crise da filoxera no século XIX e só retomada em 1987, quando a marca passou à Fundação Eugénio de Almeida, com a condição de identifica-lo exclusivamente como o melhor vinho da Adega Cartuxa”, explica Osmar Santos.
 
Produzido apenas em safras excepcionais, o Pêra Manca passa 18 meses em barris de carvalho francês e 48 meses em garrafa nas caves do Mosteiro da Cartuxa, em Évora, cidade declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. “O Brasil é o maior mercado do Pêra Manca no mundo. Ter o Pêra Manca na Casa não é só ter um rótulo de prestígio, é fechar um círculo histórico. É trazer para BH um pedaço da alma de Portugal”, celebra o sommelier.

Serviço
Casa Luzitana
Endereço: Rua Dicíola Horta, 77, loja 08, Bairro Belvedere, BH-MG
Contato: (31) 97149-0548 
Mais informações: casaluzitana.com
 


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