
“Estamos em estágio avançado de elaboração do dossiê. A perspectiva é que em agosto, no máximo setembro, tenhamos a declaração do Conselho de Políticas de Patrimônio de Minas Gerais aprovando a cachaça como patrimônio do estado. Depois, vamos levar o pleito para ser reconhecido como patrimônio histórico do Brasil”, revelou o secretário.
Conforme Leônidas Oliveira, a regulamentação dos alambiques traz uma série de exigências, que são necessárias, como sanitárias e de produção. No entanto, o secretário alertou que é necessário olhar para o produtor bicentenário, tricentenário e o pequeno produtor que faz sua cachaça na forma de manufatura, artesanal, que é o olhar do patrimônio histórico. Caso contrário, ele reforça, “corremos o risco de a indústria varrê-los do território”.
Por isso, a necessidade da proteção da cachaça mineira artesanal: “A regulamentação deve considerar a história, a tradição, o modo de fazer e as pessoas. O processo é muito parecido com o que ocorreu com o modo de fazer o queijo artesanal”, lembrou Leônidas Oliveira. O modo de fazer o queijo minas artesanal é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, desde dezembro de 2024, e Patrimônio Cultural do Brasil com a chancela do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2008.
Milho, mandioca e cachaça
Leônidas Oliveira disse ainda que o reconhecimento da cachaça tradicional mineira é uma ação que se junta ao projeto Cozinha Mineira, de 2023, “quando protegemos o milho e a mandioca, dois substratos importantes oriundos dos povos indígenas e africanos. A cachaça é uma mescla disso tudo e é usada na cozinha. Assim, vamos completando este arcabouço que faz parte da tradição da cozinha mineira”.
Turismo da cachaça
Com o título da cachaça regulamentado, a previsão de Leônidas Oliveira é o aumento do turismo pelas rotas da bebida, já premiada e reconhecida internacionalmente: “Nossa cachaça passa por um processo de exportação avançado neste momento e as rotas permeiam todo o estado. Existem várias e cada uma tem sua especificidade. Temos a região Norte com cachaça mais forte, densa, que conversa com aquele território semiárido; a do Sul de Minas, que é uma outra cachaça; no Centro, no século 18 e no Ciclo do Ouro, temos uma cachaça envelhecida, tricentenária. Tudo isso se torna objeto de visitação para que as pessoas conheçam o processo, a experiência e possam experimentar”.
A iniciativa pela cachaça integra o programa Minas Essencial, que articula patrimônio, cultura, gastronomia, turismo e desenvolvimento territorial a partir das expressões mais autênticas da mineiridade.
Liderança mineira
Minas Gerais ocupa posição de liderança nacional no setor. Dados do Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apontam o estado como o maior produtor do país, com mais de 500 estabelecimentos registrados e cerca de 40% da produção formal brasileira.