
O Instituto Capim Santo oferece capacitação profissional gratuita com cursos, programas e oficinas que ensinam desde técnicas básicas de cozinha, panificação e confeitaria até noções de boas práticas e empregabilidade. Em BH, o projeto tem como parceiro o Instituto Localiza, que também apoia a instituição de Morena Leite nas instalações de Trancoso e Itacaré, ambas na Bahia.
A chef Morena Leite esteve em BH, deu as boas-vindas aos alunos e ressaltou o propósito do Instituto Capim Santo: “Acreditamos que mais que cozinhar, estamos conectando com pessoas que querem este mundo melhor, que vão agir para não ser melhor que ninguém, mas a sua melhor versão. Dificuldades todos vão passar, mas é pensar no que cada um pode ser e fazer de melhor. Quando nos modificamos, temos um retorno. O Capim Santo tem um coração verde porque é de cura. Primeiro temos de nos autocurar e, depois, curar o que está à nossa volta e o mundo. Temos um coração que quer espalhar generosidade, gentileza, conhecimento, cultura e carinho por meio da comida. São as nossas crenças. E é uma emoção estar em Minas”.
O presidente do Instituto Capim Santos, Luccio Oliveira, explicou que as aulas vão ocorrer no contrafluxo escolar, na estrutura da cozinha da Le Cordon Bleu, no UniBH. Ao todo, são 50 vagas, sendo duas turmas de 25 alunos, 100 horas de curso, 80 horas só de prática, com duração de dois meses. A segunda turma começa logo após o encerramento da primeira. As aulas ocorrem de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, e sem qualquer custo, inclusive, com os alunos tendo o transporte pago pela instituição.
“O Instituto tem três pilares: gastronomia social, sustentável e brasileira e, por isso, Minas Gerais não poderia ficar de fora. Era normal que nosso caminho se cruzasse. Além do desenvolvimento técnico-gastronômico, vamos trabalhar as habilidades soft skills, porque a carreira gastronômica é linda, mas demanda muito do lado emocional. E não é só a formação, já que no final fazemos o encaminhamento das pessoas para o mercado de trabalho e as acompanhamos por seis meses”, revelou Luccio.
Luccio Oliveira enfatizou que o curso é voltado para quem quer se capacitar para trabalhar em cozinha profissional e não tem foco no empreendedorismo, ainda que haja esta formação no portfólio do Instituto. Ele contou que o aluno vai aprender todas as técnicas gastronômicas, desde o básico, como o corte, passando por molho, massa fresca, risoto, ovos, tortas, bolos, enfim, um cardápio amplo: “É um curso intenso e temos certeza de que, ao concluírem, os alunos terão capacidade de acessar como assistentes em qualquer cozinha profissional”. O curso será ministrado pelo conector geral do Instituto, Isaías Santos, ex-aluno do projeto em Itacaré, e o assistente do conector Iuri Trevizani, de BH.
Luccio destacou que, apesar da procura ser grande, há uma seleção criteriosa, e este é um setor que vive um dilema: “A demanda de alunos é muito maior do que a quantidade de vaga que temos. Por outro lado, a demanda de formados é muito menor do que a necessidade do mercado para empregabilidade. Uma conta complicada que tentamos equilibrar buscando a democratização das oportunidades em gastronomia, o que o Instituto vem fazendo ao longo destes 17 anos. Já são mais de 20 mil certificados emitidos, com histórias de impacto e presença na vida de pessoas, que é o nosso legado”.
Mobilidade econômica e social
Marina Horta, analista de projetos no Instituto Localiza, ao falar do investimento da entidade no Instituto Capim Santo, ressaltou que “é especial ter o Instituto em terras mineiras, já que a Localiza é uma empresa mineira. Um programa que não tem um fim lucrativo e a ideia é multiplicar o impacto, é um curso gratuito, com alto nível de qualidade e estamos apoiando para fazer a roda girar. Escolhemos a gastronomia porque a Localiza tem a ver com turismo, com gastronomia e com empreendedorismo e, no Instituto Capim Santo, encontramos os três setores. A Localiza trabalha com mobilidade e o Instituto Localiza também trabalha com mobilidade, mas a social e há cinco anos. Queremos que as pessoas conquistem sua autonomia e possam gerar renda, ascender econômica e socialmente”.
A coordenadora acadêmica dos cursos de gastronomia e nutrição do UniBH, Ana Luiza Pellegrinelli, destacou que desde 2024 foi selada a parceria entre o Grupo Ânima Educação e o Instituto Capim Santo, sendo que agora é a vez do UniBH receber o Cozinha do Amanhã: “O Instituto Capim Santo seleciona instituições para sediar este projeto que é tão grandioso e, como já conta com a participação da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, que faz parte do ecossistema do Ânima, chegou ao UniBH. É uma honra receber um projeto desta magnitude, com a chef Morena à frente, que tem uma visibilidade incrível e uma missão linda na gastronomia”.
Ana Luiza Pellegrinelli lembrou que o projeto do Instituto Capim Santo não tem relação com a formação de bacharel no curso de gastronomia do UniBH, que aliás tem parceria com a Le Cordon Bleu, com cooperação técnica e chancela da escola internacional, com os estudantes tendo na grade curricular o rigor das técnicas clássicas francesas às tradições da culinária mineira e brasileira, desde 2024, com a primeira turma sendo formada em 2027.