Estado de Minas BASTIDORES ELEITORAIS

Saída da Fiemg marca entrada de Flávio Roscoe na disputa política estadual

Roscoe se filia ao PL, deixa Fiemg e pode concorrer ao governo de Minas; empresário descarta cargo no Legislativo, mas aceita compor chapa ao Executivo estadual


postado em 02/04/2026 08:02 / atualizado em 02/04/2026 08:11

O empresário Flávio Roscoe(foto: Sebastião Jacinto Júnior/Divulgação )
O empresário Flávio Roscoe (foto: Sebastião Jacinto Júnior/Divulgação )
 
Em conversa com a imprensa nesta quarta-feira (01/04), Roscoe fez um balanço da sua gestão e falou sobre o futuro político. “Amanhã, eu me licencio da Fiemg, mas sem nenhum cargo ou projeto definido, ainda que já filiado ao PL. O afastamento é para me manter elegível. Neste momento, acho importante fazer um balanço de tudo que foi feito. São dois mandatos, com esta gestão se encerrando em dezembro. Eu retornarei à entidade, disputando ou não a eleição, até entregá-la ao sucessor, em janeiro de 2027.  Nesta gestão, focamos as ações da entidade em sintonia com os interesses da sociedade. Uma voz que leva visão de mundo, ou seja, quem gera riqueza é inovação e quem faz inovação é o empreendedor e o trabalhador, não é o governo. O Governo se apropria de parte do que a sociedade produz e redistribui conforme as prioridades políticas. Mas quem gera, efetivamente, a riqueza é o ganho de produtividade”. 
 
De acordo com Flávio Roscoe, outra visão sob seu comando foi fazer com que o desenvolvimento econômico seja impulsionado para que todo o conjunto da sociedade se enriqueça. “Saímos de um déficit operacional de R$ 50, R$ 60 milhões por ano para um superávit de 550. Fazendo muito mais pelo social, já que crescemos mais de 20 vezes a receita na prestação de serviço da indústria. Então, é possível aumentar a produtividade e gerar riqueza. O nível salarial e de benefícios dos funcionários hoje é maior do que era antes e a satisfação da indústria, que é quem banca o sistema, é maior. Ela contrata mais do que antes e nossos alunos são em maior número e mais impactados. Elevamos a perspectiva de futuro dos alunos, treinando a nova geração do Sesi com robôs colaborativos, espaço maker, curso de robótica. Cumprimos nossa missão social de maneira relevante. E sem diminuir o patrimônio da entidade. Ele era de R$ 800 milhões e hoje é de R$ 5 bilhões. Na área de pesquisa e desenvolvimento, fizemos várias iniciativas. Hoje, tem um laboratório de terra-raras, que está no centro da discussão geopolítica mundial. Fizemos um investimento na hora certa, colocamos para funcionar. Esta gestão vem fazendo inclusão social por meio do aumento da produtividade e da meritocracia, valores que estão em desuso no Brasil e, por isso, muitas vezes, em situação precária, com investimentos das vias públicas precários, com problema de segurança, na área da saúde porque a gestão é relegada para o segundo plano e a política para o primeiro plano”.
 
Quanto aos desafios para a Fiemg, o presidente destacou o ambiente de negócio, que precisa ser transformado e ter mais diálogo com sociedade mostrando “que o interesse dela caminha passo a passo com o setor produtivo porque ela integra este sistema de maneira determinante e, na medida que ele cresce e gera renda, enriquece a sociedade”.  Para ele, quem acredita que o governo gera riqueza precisa revisitar o conceito, já que “o governo redistribui riqueza e, muitas vezes, impulsiona a geração de riqueza com políticas públicas corretas. O governo, sim, consome riqueza”.  Por isso, Roscoe alerta, que “os desafios da Fiemg são tão grandes quanto os da sociedade, e a comunicação é um deles”.
 
O jogo da política 
 
Flávio Roscoe reforça que não tem um projeto de poder, mas coloca seu nome como forma de contribuir estando ou não à frente de uma chapa para as eleições de 2026. No entanto, ele precisa estar alinhado com o projeto que acredita ser o certo. “É preciso ter coerência. Tanto posso ser candidato, fazer parte de uma chapa ou apenas contribuir com ideias e propostas. Não ventilo, hoje, nada no Legislativo. Eu me filiei ao PL porque tem uma sintonia com o que prego e defendo. Quero contribuir no processo. E é preciso ter alinhamento. Não fiz nenhuma composição, não coloquei nenhuma condição ou recebi qualquer condição em retorno. Meu nome está à disposição. E não tem prazo para a decisão porque o diálogo político é dinâmico”. Ele não quis revelar nomes que lhe são mais próximos, no entanto, disse que se alinharia com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que não é candidato. “Só um exemplo”.  
 
Mas revelou que já conversou com todos que já se colocaram como candidatos. “Mantive interlocução com vários atores e minha função é essa, conversar com todos. Estarei sempre dialogando, dentro ou fora do processo eleitoral, porque assim se faz a construção de um denominador comum. E na política está precisando de empatia”.
 
Agora, se aliar à esquerda não tem sentido diante de seus ideais. “Para boa parte da esquerda o governo vai resolver tudo e eu tenho consciência de que o governo não vai resolver nada. Então, não posso defender uma proposta que o governo é a solução do problema, quando na verdade ele hoje é o centro do problema, já que não é eficiente, não presta um serviço público de qualidade e eu não estou fazendo julgamento de governo A, B ou C, é realidade. O Brasil é um país de nível de desenvolvimento médio, com impostos de primeiro mundo e com serviços públicos de terceiro mundo. Nosso modelo de estado está falido, é ineficiente. Um Estado que mina o futuro das pessoas porque gasta e investe mal”.
 
Para Roscoe, uma saída tem a China como exemplo. “O segredo da China é a alocação correta de capital. Eles colocam recursos onde vai ter mais impacto para a sociedade. No Brasil, não é possível discutir isso porque ninguém calcula o impacto de gastar o dinheiro público aqui ou ali. E isso quer dizer o seguinte, quando você investe mal, aquele dinheiro se perde. Quando você investe bem, ele é multiplicado. E não tem que ter sacrifício para ninguém, tem que fazer a escolha certa. Neste país, que políticos já ouviram falar de alocação correta de capital? A população pode não saber, mas essa é a escolha certa. É igual quando a dona Maria pega o orçamento e sabe que não pode faltar dinheiro para alimentação. O estado tem que fazer isso também. Mas o Estado brasileiro é hipertrofiado, muito maior do que deveria ser e com péssimos resultados, com dados estatísticos. Gastamos muito mais para ter muito menos resultados. Tem alguma coisa errada”.
 
Caso participe do pleito e seja eleito, Flávio Roscoe assegura que pretende adotar os mesmos valores de meritocracia e equidade aplicados em sua gestão à frente da Fiemg: “Fazer um trabalho de redução efetiva de custos, no sentido do que o custo gera. Se gerar valor, vou investir, se não, cortar”. Ele também é a favor da meritocracia no serviço público. “O estado tem problemas quanto ao enxugamento de máquina em função do regime do funcionalismo público. Acho que deveria discutir, enquanto sociedade e não postulante a nada, é a meritocracia. Alguém que trabalha mal ter o mesmo reconhecimento de quem trabalho excepcionalmente bem é um equívoco e é incentivar o comodismo e não o crescimento. Temos um funcionalismo capacitado e temos de fazê-lo entregar resultado para a sociedade. Temos de criar dentro da lei ou alterar a lei mecanismos de compensação para aqueles que melhor performam”.   
 
Quanto a polarização em torno da força política das candidaturas à presidência, de candidatos apoiados pelo presidente Lula (PT) versus apostas do senador Flávio Bolsonaro (PL), Roscoe acredita que não há fórmula de sucesso e lembra que esta divisão é inegável no Brasil. “Quem representar um dos lados da polarização, certamente, já tem um afluxo de votos maior, natural do processo eleitoral. E será assim no país todo.  Agora, se conseguir juntar uma boa proposta com um bom candidato, existe uma boa probabilidade. A pesquisa agora é relevante, mas não é definitiva porque os nomes e projetos não estão postos e não há conhecimento da população. Há, sim, recall, para quem é conhecido e famoso. Mas ao longo do processo é que, efetivamente, as coisas vão ser definidas. Temos exemplos em Minas em campanhas de Fuad (prefeitura) e Zema (governo em 2018). Há inúmeras surpresas diante de projetos e conjuntura política. No meu caso, quero contribuir porque tenho um nome que tem o que mostrar, algo que já fiz e não é só promessa, com resultados para entregar e alcançados em um ambiente difuso e com diversos atores”. 
 
Números da gestão Flávio Roscoe (2018 a abril de 2026)
  • R$ 2,1 trilhões de impacto econômico, valor gerado por meio de atração de investimentos e custos evitados para a sociedade
  • R$ 22,6 bilhões em investimentos atraídos para Minas Gerais, em parceria com o Governo do Estado no ambiente de negócios do Centro Internacional de Negócios (CIN)
  • + de 39 mil atendimentos às indústrias e sindicatos
  • de 12 mil projetos de Leis ativos acompanhados
  • 22% de sucesso em pautas prioritárias em mais de 600 propostas apresentadas pela Fiemg ao Poder Público
  • de R$ 136 bilhões em valores envolvidos nas ações do setor Jurídico
  • IEL (Instituto Euvaldo Lodi) R$ 57 milhões, 185% evolução da receita
  • Fiemg lab três vezes em 1º lugar como Ecossistema de Inovação aberta para a indústria, em sua categoria, pela 100 Open Startups; sendo 477 startups impactadas e 304 indústrias impactadas
  • R$ 1,368 bilhão investido (2018 a 2025) no Sesi Senai com infraestrutura, modernização tecnológica, ampliação da capacidade educacional e fortalecimento da inovação industrial.
  • Sesi educação básica: de 25.526 matrículas em 2017 para 42.472 matrículas em 2025. Foram 19.946 matrículas a mais. Sendo 10.438 alunos matriculados com gratuidade. Saindo de 6.185 em 2018 para 16.623 em 2025.
  • Senai Educação Profissional: 250.830 total de matrículas em 2025. Crescimento de 152%. Em 2017, foram 99.484. Com gratuidade de 510.705 matrículas de 2018 a 2025.
  • Centro de Inovação e Tecnologia Senai (CIT): R$ 110,5 milhões de receita em serviços de tecnologia e inovação em 2025. Em 2019, era de R$ 28 milhões, mais que triplica.

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