Fotos de bebês dormindo em diferentes posições estão virando moda

Profissionais especializados em books de bebês ganham espaço no mercado fotográfico

por Carolina Daher 14/10/2016 13:52

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Nina Estanislau/Divulgação
(foto: Nina Estanislau/Divulgação)
A coroa mede 7 centímetros de diâmetro. Mais ou menos o tamanho de uma laranja. A asinha de anjo de penugem branca não ultrapassa os 15 centímetros. Os ensaios fotográficos newborn - recém-nascido, em bom português - exigem grandes produções e modelos bem, bem pequeninos. Alguns acabaram de estrear no mundo, têm seis dias de vida. "Gosto de fazer a sessão entre 5 e 12 dias, porque a criança ainda está molinha e fica mais fácil de manusear para as poses", diz Nina Estanislau Machado, de 25 anos. "Além disso, ele ainda não tem cólicas e passa a maior parte do tempo dormindo." Nina foi uma das pioneiras no estilo newborn em Belo Horizonte. Bailarina, começou a fotografar espetáculos de dança até que uma integrante da companhia engravidou e pediu que ela registrasse os primeiros momentos da filha. Em 2013, com a chegada de Manuela, nasceu também a fotógrafa Nina. Com especialização em Curitiba e nos Estados Unidos, a profissional já registrou cerca de 160 recém-nascidos. "O mais importante é entender o tempo do bebê. É ele quem manda em tudo", diz ela, que tem um acervo de produções capazes de deixar muitos teatros por aí com inveja: só de tiaras, são mais de 180.

Assim como as grandes estrelas de rock ou as top models mais requisitadas do mundo fashion, os bebês recebem tratamento VIP. No estúdio de Ana Mendes, de 37 anos, a temperatura é mantida em 28 graus e a umidade do ar está sempre em 60%. "Durante toda a sessão, utilizo um aplicativo com um som que imita o barulho do útero materno, o que ajuda a manter a atmosfera ainda mais aconchegante", afirma Ana. Localizado na Savassi, o ambiente é todo limpo com álcool gel e as pessoas são convidadas a retirar os sapatos antes de ultrapassar a porta. "Essas são condições essenciais para garantir a segurança do bebê", completa. A fotógrafa explica que existem truques para que as fotos fiquem maravilhosas sem estressar ou forçar demais o modelo. A pose clássica da mãozinha do queixo, por exemplo, é feita em duas etapas e com a ajuda de uma assistente, que depois é retirada no Photoshop. "Primeiro fazemos as mãos e depois a cabeça. No computador juntamos as duas imagens", explica.

Nina Estanislau/Divulgação
Isadora ficou parecendo um anjinho: asas têm menos de 15 centímetros (foto: Nina Estanislau/Divulgação)
Já 90% dos clientes de Cristiana Freitas preferem que as fotos sejam feitas em casa. No último mês, ela fotografou Maria Rosa Alves Pinto Costa, quando completava 11 dias de vida. O cenário foi montado no apartamento dos pais, Kaene e Edney Costa. Para isso, Cristiana levou inúmeras mantas, laços, roupinhas e cestas. A sessão durou 8 horas. "Primeiro, a Maria não queria dormir e, depois, quando a colocamos deitada na primeira mantinha, ela fez cocô", conta, rindo, a fotógrafa. Paciência é o ingrediente mais importante para se conseguir cliques fofos.

Nem as mamães e papais famosos -  acostumados com os flashes - resistem a tamanha doçura e acabam se rendendo também à moda do newborn. Miss Brasil 2007, a mineira Natália Guimarães quis que suas gêmeas Maya e Kiara fossem fotografadas na primeira quinzena de vida. O resultado agradou tanto que um dos retratos virou a capa do CD do grupo KLB, do qual Leandro Finato Scornavacca, pai das meninas, faz parte. "Quando ele mostrou para os irmãos, todos concordaram que a foto era perfeita para a capa do disco", lembra Natália. Hoje com 3 anos, as gêmeas também curtem ver os registros delas tão pequeninas. "Tem um quadro com uma das fotos entre as camas das duas", diz Natália.

Nina Estanislau/Divulgação
Miguel veste a coroa de 7 centímetros de diâmetro: pequeno príncipe (foto: Nina Estanislau/Divulgação)
E como dizem por aí que "mãe só muda de endereço", não há percalços capazes de impedir uma mulher de guardar em grande estilo as primeiras lembranças da maternidade. No dia 1º de janeiro deste ano, Laura nasceu em São João del-Rey, para onde seus pais haviam acabado de se mudar. Sem pensar duas vezes, 10 dias depois do parto, a médica Patrícia Teixeira de Resende enfrentou 185 quilômetros de estrada e trouxe a pequena para ser fotografada na capital por Ivna Sá. "É uma lembrança para toda a vida. Faria tudo de novo", garante Patrícia. Há 10 anos no mercado e há quatro fazendo newborn, Ivna acha que, muito mais do que entender de lentes, câmeras e ângulos, o bom profissional é aquele que entende de fisiologia do bebê. "Nunca se deve ultrapassar a linha do desconforto. A maioria das fotos reproduz poses uterinas às quais o bebê está acostumado", diz. O valor de uma sessão começa em 700 reais e pode chegar a 3.000 reais, de acordo com a escolha do álbum e ampliações. Foi-se o tempo em que os momentos íntimos dos pimpolhos eram registrados com fotografias caseiras.

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Nina Estanislau/Divulgação
(foto: Nina Estanislau/Divulgação)

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(foto: Nina Estanislau/Divulgação)

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