10 técnicas para minimizar o barulho dentro de residências

Norma da ABNT estipula índices máximos de ruído e põe limite nas discussões sobre poluição sonora

por Marinella Castro 15/06/2018 14:29

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Violeta Andrada/Encontro
A arquiteta Raquel Paiva: para vedar o som do home cinema, ela utilizou materiais como lã de fibra de vidro e tecidos (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Barulho. Um dos vilões que ameaça a boa convivência entre vizinhos. Graças a ele, até a permanência naquele imóvel minuciosamente escolhido pode estar com os dias contados. Mas muitas vezes os ruídos que incomodam tanto estão mais relacionados ao sistema construtivo, problemas no planejamento estrutural e na execução das edificações do que às regras de convivência entre moradores. Para resolver a questão, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou uma regra de desempenho para edificações habitacionais, a NBR-15.575, que em 2018 completa cinco anos. Todos os imóveis construídos a partir de julho de 2013 devem seguir as indicações da norma, que prevê critérios para o desempenho dos imóveis em alguns pontos específicos, entre eles, o conforto acústico. Para isso, paredes que dividem uma habitação, por exemplo, precisam atenuar ruídos em 45 dB (decibéis).

Desde que a norma entrou em vigor, as construções estão sendo adaptadas aos novos procedimentos. Espessura das paredes, tratamento com material acústico e qualidade das esquadrias são pontos que passaram a ser observados bem de perto. Roberto Nassif, engenheiro de produção na Conartes Engenharia, diz que reserva atenção especial às áreas que podem gerar mais ruídos, como a casa de máquinas e o espaço gourmet.  "Desenvolvemos todo um sistema construtivo que garante o bom desempenho do imóvel", diz ele. "Na maioria, atendemos as exigências no nível superior, o mais silencioso."

Ronaldo Dolabella/Encontro
Roberto Nassif, engenheiro de produção na Conartes: uso de massa sobre a laje funciona como um antirruído, com bom desempenho térmico e boa resistência (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
De acordo com o nível de ruído das edificações, o desempenho de um residencial é classificado como mínimo, intermediário ou superior, sendo esse último o nível de melhor desempenho. Roberto explica que, para alcançar o silêncio, a especificação dos materiais a serem utilizados é pensada já na etapa do projeto. As lajes maciças, por exemplo, usadas nas áreas comuns, como em salões de festa, home cinemas e academias, assim como os painéis acústicos e mantas sob o piso, são iniciativas que reduzem significativamente o barulho. A preocupação, segundo o engenheiro, não é apenas com as vibrações, mas também com o chamado ruído aéreo. Assim, as áreas comuns, como os espaços para festas, recebem tratamento para que, mesmo com música e conversas entre pessoas, exista o conforto acústico, sem ecos, por exemplo.

No espaço interno dos residenciais, as paredes com espessura dupla trazem conforto entre dormitórios. Já para evitar o barulho ouvido
entre apartamentos, como passos no andar de cima, o engenheiro explica que a espessura do contrapiso é importante. Nesse ponto, pode ser usada massa sobre a laje, além do piso vinílico, que funciona também como um antirruído, com bom desempenho térmico e boa resistência. "A atenção com as esquadrias também é outro ponto importante", observa Roberto. Segundo ele, as frestas são eliminadas e há um cuidado para instalação das janelas. "A norma técnica foi uma boa iniciativa, porque ela coloca fim à discussão se o barulho é muito ou pouco", afirma. "Serve como árbitro, porque define, de forma objetiva, os níveis que são permitidos."

O desempenho acústico dos imóveis é medido tanto entre ambientes de um mesmo apartamento quanto entre vizinhos, do mesmo andar ou de um andar para outro. Roberto Matozinhos, consultor técnico do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) e membro da comissão de desempenho da ABNT, participou da elaboração da norma. Ele explica que a regra não diz como os empreendimentos devem ser feitos, mas estabelece o desempenho que devem ter. Essa medição do barulho depende da área onde estão localizadas as construções, de maior ou menor ruído. Assim, há diferenças nos níveis permitidos para um imóvel localizado no interior de um bairro, em local de pouco ruído, para outro, construído em uma avenida de maior movimento.

Ronaldo Dolabella/Encontro
O engenheiro Cássio Costa: "A norma foi positiva porque trouxe mais segurança para os compradores e para quem constrói" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Com entrega prevista para maio de 2019, o residencial Sergipe, no Funcionários, foi o primeiro empreendimento da construtora EPO iniciado depois de julho de 2013, quando passou a valer a norma da ABNT. O engenheiro Cássio Henrique Costa conta que uma empresa foi contratada para medir os ruídos, pela manhã, à tarde e à noite. Com os resultados em mãos, a obra foi planejada. Uma das medidas tomadas foi quanto à espessura das paredes externas e internas do residencial, que ficaram um pouco mais grossas. Além disso, lãs de vidro, PET ou rocha serão colocadas dentro das alvenarias, quando necessário. Entre um apartamento e outro, as lajes são maciças, com a presença de um contrapiso e ainda revestimento cerâmico. "O forro de gesso também traz maior conforto acústico", observa Cássio. O engenheiro destaca o uso de materiais de vedação, como borrachas no entorno das esquadrias, para impedir a passagem dos ruídos.

Em um recente projeto de home cinema, a arquiteta Raquel Paiva usou revestimentos nas paredes e nas portas do ambiente, vedando totalmente a passagem do som para outros espaços da casa. O projeto evitou que os sons pudessem incomodar vizinhos. Ela conta que uma manta de fibra de vidro foi colocada na parede, revestida em pontos distintos com tijolinho, pedra mineral e tecidos, materiais que contribuíram para o conforto acústico. "Os sons produzidos não incomodam vizinhos que estão ao lado", diz. Raquel também executou em sua própria casa um projeto de redução de ruídos. "Como moro próximo a uma avenida, troquei as janelas comuns por janelas duplas, acústicas."

Depois de 2013, quando a norma foi publicada, os níveis de ruído passaram a ser aferidos por profissionais habilitados. De posse dos resultados da medição, é possível planejar os materiais mais adequados e o melhor sistema construtivo. Roberto Matozinhos observa que o "barulho" pode gerar controvérsias, já que a sensibilidade auditiva varia entre pessoas. "Uma das contribuições da nova norma foi tirar a subjetividade do tema."

Confira 10 técnicas que podem ser usadas para minimizar incômodos da poluição sonora residencial

  1. Utilizar sob o contrapiso manta de isolamento acústico

  2. Optar por pisos de materiais resilientes e mais macios, como o piso vinílico

  3. Utilizar forro com manta acústica (lã de rocha ou lã de vidro) no entreforro (entre o teto e o forro criado)

  4. Ter cuidado com luminárias, tabicas perfuradas, caixas de tomadas e interruptores, que podem prejudicar o isolamento

  5. Criar camadas separadas da parede que recebe o impacto

  6. Utilização de materiais isolantes, como lã de rocha ou lã de vidro, entre duas paredes

  7. Usar chapas duplas de drywall

  8. No caso das portas, podem-se vedar as frestas com jogos de borrachas ou com dispositivos que vedam o vão entre a folha da porta e o chão

  9. Optar por caixilhos com tratamento acústico. Os melhores são os de PVC ou de alumínio, com materiais isolantes dentro dos perfis e com as frestas vedadas com borrachas

  10. Usar vidros insulados duplos ou triplos e evitar o vidro temperado simples.
Fonte: Maurício Ruoppoli / Oficina 11.11

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