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Estado de Minas PET

Como lidar com animais de estimação que precisam ficar sozinhos em casa

Após seis meses de quarentena, a volta ao trabalho pode ser um problema para quem tem pets. Saiba como evitar que os bichos sofram com a Síndrome de Ansiedade de Separação


postado em 22/10/2020 00:24 / atualizado em 22/10/2020 00:33

Com carga horária em período integral em seu pet shop, a empresária Nathália Minzon Fernandes já se organizou para que as cadelinhas Shakira e Madonna não sofram:
Com carga horária em período integral em seu pet shop, a empresária Nathália Minzon Fernandes já se organizou para que as cadelinhas Shakira e Madonna não sofram: "Decidi levá-las comigo para o trabalho, duas vezes por semana" (foto: Geraldo Goulart/Encontro)
Após seis meses de quarentena, a volta ao trabalho é só alegria, correto? Do ponto de vista da bicharada, nem tanto. O cheiro de distância no ar já está deixando muitos pets de orelha em pé. A vida do maltês Chico, de 1 ano e 8 meses, por exemplo, não está nada fácil. Após passar meses do jeitinho que pediu a Deus, coladinho na dona, está à beira de perder o privilégio. Ela agora deu para sair de casa e deixá-lo sozinho, mesmo que por curtos períodos. Não bastasse isso, também tem fechado a porta do home office enquanto trabalha. Apesar da aparente insensibilidade da dona, as medidas adotadas são para o bem de Chico que, gostando ou não, vai ter de se conformar com a volta da velha rotina. "Estou tentando adaptá-lo para que não sinta tanto a minha falta enquanto eu estiver trabalhando fora", diz a administradora de empresas Amanda Pelinsari Carneiro.

Para Chico e vários outros animais, a ausência das pessoas queridas é tema preocupante, que nem petisco dá jeito. Em alguns casos, chegam até mesmo a sofrer com a Síndrome de Ansiedade de Separação. Nos humanos, o problema se apresenta como um medo intenso de ficar longe de alguém ou de alguma coisa com que se tenha um forte apego emocional. Os prejuízos causados interferem diretamente no desenvolvimento escolar das crianças e nas relações sociais dos adultos. Nos animais, a síndrome resulta em tristeza, depressão e vários distúrbios comportamentais. Segundo os especialistas, é preciso desapegar. "Tornar o animal mais independente não significa se desligar dele ou isolá-lo. Significa educá-lo para que fique bem, mesmo estando sozinho", diz a veterinária Joana Teixeira da Costa, especialista em comportamento canino.

A veterinária Joana Teixeira da Costa, especialista em comportamento canino:
A veterinária Joana Teixeira da Costa, especialista em comportamento canino: "Tornar o animal mais independente não significa se desligar dele ou isolá-lo. Significa educá-lo para que fique bem, mesmo sozinho" (foto: Arquivo pessoal)
Ao longo da história, contudo, o processo de humanização dos pets gerou uma simbiose nem sempre saudável. Cães e gatos passaram a agir como gente e a sentir angústia semelhante à sofrida por pessoas. "Os cães, assim como os lobos, se organizam em matilhas e não estão acostumados a ficar sozinhos", diz a terapeuta Joana. "Por isso se deram tão bem com a nossa espécie." Entre patadas e lambidas, erros e acertos, a humanidade segue humanizando os bichos e eles seguem agindo como adolescentes revoltados. Para chamar a atenção, caninos e bichanos latem, miam, choram, uivam e até se automutilam. Quando sozinhos, promovem uma verdadeira revolução doméstica. Destroem os móveis, arranham as portas, além de urinar e defecar por toda a casa.

Outros sofrem tanto com a distância que deixam de demonstrar reações, permanecendo em estado de apatia. Ficam tão abatidos que param de se alimentar, podendo chegar a ficar doentes. "É preciso ficar atento para não deixar o quadro evoluir para uma baixa de imunidade e exacerbação de doenças pré-existentes", diz o veterinário Denerson Ferreira Rocha, especialista em homeopatia. A resolução para o problema, que prejudica os dois lados da história, exige determinação, paciência e mudança de hábitos. "Compreender o lado emocional dos animais é uma medida fundamental para tratar as origens do transtorno", reforça o especialista.

Acostumado a ficar com a dona durante a quarentena, o maltês Chico vai ter que se adaptar:
Acostumado a ficar com a dona durante a quarentena, o maltês Chico vai ter que se adaptar: "Espero que não sinta tanto a minha falta enquanto eu estiver trabalhando fora", diz a administradora de empresas Amanda Pelinsari Carneiro (foto: Geraldo Goulart/Encontro)
A empresária Nathália Minzon Fernandes é dona do pet shop Pimp My Pet, no bairro Funcionários. Durante a quarentena, passou um bom tempo em home office na companhia das cadelinhas Shakira, de 9 anos, e Madonna, de 8, ambas sem raça definida. O retorno ao trabalho aconteceu de forma gradativa. "Como a mudança não ocorreu bruscamente, facilitou a adaptação", diz. Agora, com carga horária em período integral, já se organizou para levar as pequenas, duas vezes por semana, para passarem o dia ao seu lado no trabalho. Quem não pode se dar a esse luxo, não precisa se desesperar. A boa notícia é que são vários os recursos disponíveis para ajudar a combater a síndrome.

A homeopatia, a acupuntura e os florais são fortes aliados na busca por equilíbrio. Igualmente necessárias, são as práticas para exercitar o raciocínio dos bichos e estimular a mente de forma positiva. Mas não existe mágica. É preciso colocar os pets na lista de prioridades e suprir suas necessidades básicas com atividades físicas e mentais, possibilitando a convivência com outros animais e introduzindo brinquedos ocupacionais. Quem dispõe de pouco tempo, ainda pode contar com a ajuda de um dog walker, profissional apto a garantir a alegria e segurança dos cães durante os tão esperados passeios. A diversão também é garantida nas "creches", onde o pet pode passar o dia e se esbaldar nas brincadeiras.

Dicas para evitar ansiedade em animais de estimação quando eles ficam sozinhos*

  • Antes de ter um animal de estimação, faça um planejamento prévio de cuidados. A adaptação ao novo ambiente deve ser feita na rotina diária da família e não em dias de folga ou férias

  • Não faça festa ao chegar em casa. Dar atenção ao animal quando está no ápice da ansiedade só reforça o seu comportamento negativo. Espere ele se acalmar para se aproximar

  • Nada de despedidas na hora de sair para o trabalho. A prática cria expectativa desnecessária de que o cão vai ganhar algo ou sair para passear

  • Não exagere nos mimos. Impor regras e limites é importante para direcionar o comportamento dos pets

  • Reserve tempo para o seu amiguinho. O gasto de energia com atividades físicas e mentais ajuda a reduzir a ansiedade do animal

  • Para quem tem pouco tempo, existem duas boas opções: contratar os serviços de um dog walker para passeios diários ou deixar o animal passar o dia na "creche" para socializar e se divertir. Peça sempre a indicação de amigos e visite os locais com antecedência
*Fonte: especialistas consultados

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