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Wakeboard cresce em Minas e atrai elite mundial para Nova Lima

Brasil Wake Open, que acontece entre 15 e 17 de maio, reúne atletas de cinco países na Lagoa dos Ingleses e reforça expansão do wakeboard no estado


postado em 12/05/2026 14:05 / atualizado em 12/05/2026 14:32

Henrique
Henrique "Ganso" Daibert faz manobra durante o Brasil Wake Minas Open, na Lagoa dos ingleses (foto: Magui Zaffino/Divulgação)
O esporte é radical, mas funciona melhor em águas calmas. Para praticá-lo, você precisará de uma prancha, colete salva-vidas, botas específicas, cabo, manete e até de um barco, mas, ainda assim, pode ser mais fácil do que andar de skate. Esse é o wakeboard, uma mistura de esqui aquático, surf e snowboard, que vem conquistando cada vez mais adeptos pelo mundo. Hoje, cerca de 6,5 milhões de pessoas em todo o planeta praticam esse esporte, segundo dados da plataforma de pesquisa britânica Market Reports World (MRW). No Brasil, esse número é de aproximadamente 20 mil pessoas, conforme estimativa da Confederação Brasileira de Esqui Aquático e Wakeboard (CBEAW).

Em Minas Gerais, não é diferente. Tendo a Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima, como cenário perfeito para a prática, o esporte vem ganhando espaço. Tanto que sediará pela 26ª vez o Brasil Wake Open, competição que marca a abertura do Campeonato Brasileiro de Wakeboard e que reunirá atletas nacionais e também vindos de países como Austrália, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e Argentina. O evento acontece entre os dias 15 e 17 de maio. Na última edição, em 2025, 100 esportistas estiveram presentes, número recorde do evento. 
De acordo com Henrique “Ganso” Daibert, 29 anos, atleta e proprietário da BH Wake School, o wakeboard é muito democrático e pode ser praticado por qualquer pessoa. Também esportista, Marcelo Giardi, o Marreco, 43 anos, faz coro ao amigo, com quem divide não só a habilidade com as águas, mas também apelidos inspirados em aves aquáticas. “Já ensinei crianças de 3 anos até um senhor de 80; de gente leve a pesada, é um esporte para todo mundo”, destaca ele, que também é presidente do conselho da Confederação Brasileira de Esqui Aquático e Wakeboard e professor da Marreco Wake School, localizada em Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

O wakeboard é praticado em corpos hídricos tranquilos, como lagos, represas e lagoas, que favorecem a formação de marolas controladas, ideais para as manobras. A etimologia da palavra —  “wake” (rastro) e “board” (prancha) —  ajuda a explicar o esporte: o praticante calça botas fixadas a uma prancha e é puxado por uma lancha. Ao deslizar sobre o espelho d’água, deixa um rastro por onde passa. 

Este deslocamento na água pode ser feito também em instalações específicas, por um sistema de cabo de reboque (ou cable park), em que cabos suspensos substituem o barco e ajudam a conduzir o praticante. Em Minas Gerais, dois espaços oferecem essa modalidade: o CBL Wake Park, em Juatuba, e o BYD Wake Park, em Montes Claros. No cable park, o percurso é mais controlado, com a presença de obstáculos ocasionais, o que costuma facilitar a vida de quem está começando. 
Além de ser prazeroso, praticar wakeboard pode trazer benefícios para o corpo e mente. Em relação ao físico, a atividade trabalha com diferentes músculos, especialmente os do core, região que envolve abdômen, lombar, quadris e pelve. “É um esporte que te deixa forte”, sentencia a praticante Teca Lobato, 39 anos. Além disso, promove intenso gasto calórico. Henrique Daibert, o Ganso, por exemplo, bem que gostaria de treinar todos os dias, mas o corpo nem sempre aguenta. “É bem exaustivo. Em 20 minutos, você já está cansado”, explica. Fato é que não existe a possibilidade de sair triste depois de algum tempo sobre a prancha, garante ele. “Mesmo quando o treino não é bom, eu me sinto muito melhor. É sempre bom estar em contato com a natureza, sentindo o sol e a água”, relata. 

Como em todo esporte, os cuidados também fazem parte da rotina. Ao evoluir e passar a executar manobras, como saltos e rotações, os iniciantes estão sujeitos a algumas lesões nos ligamentos, principalmente os do joelho e dos ombros. Para evitar, é preciso ficar atento às indicações do professor. “Sempre explico que esse esporte envolve jeito, não força. Por isso, as mulheres conseguem pegar mais facilmente que os homens, que tendem querer usar da força”, exemplifica Daibert, destacando que o público-alvo do wakeboard são essencialmente homens, com idades entre 20 e 40 anos.

A nata do wake em Minas

Tanto Marreco como Ganso figuram na lista dos melhores competidores do esporte no país  atualmente. O primeiro é dono de 11 títulos brasileiros e campeão nos Jogos Pan-Americanos de 2007, enquanto o segundo sustenta medalhas de bicampeão mundial de Wakeboard. Amigos na vida, mas rivais nas águas, eles também disputarão a edição local do Brasil Wake Open ao lado de nomes como o australiano Sam Brown, o italiano Massi Piffa, o britânico Luca Kidd, os argentinos Ulf e Kai Ditsch e os norte-americanos Guenther Oka, Gunner Daft e Jake Pelot, este último campeão da edição de 2025. 

A competição marca a abertura do Campeonato Brasileiro de Wakeboard, válido pelo ranking da Confederação Brasileira de Esqui Aquático e Wakeboard. A etapa também conta pontos para o ranking mundial da International Waterski & Wakeboard Federation (IWWF), dentro da categoria PRO WORLD, e vale ainda vaga para os XIII Jogos Sul-Americanos, que acontecem em setembro, em Santa Fé, na Argentina.

“Nova Lima vai receber a elite profissional do wakeboard, atletas top 10 do ranking que prometem um show de manobras”, espera o organizador Bruno Dib, da empresa da DIBBRA. Ele conta que o evento começou como um campeonato mineiro que evoluiu para nível nacional até alcançar o mundial, em 2009. “Também já sediamos uma etapa do Pan-Americano em 2022, mas foi em 2015 que criamos e assumimos o nome Brasil Wake Open, criando uma identidade própria”, ressalta. 

Além das disputas esportivas, o evento oferece também atividades culturais e coletivas. Os destaques incluem a première do filme “La Familia World Tour”, que será exibido na sexta-feira (15/5), com a presença de atletas e do diretor da obra. No dia seguinte, sábado (16/5), haverá aula de treinamento funcional para convidados no Clube Serra da Moeda, com Ricardo Lapa (RJ). 
 
O atleta argentino Kai Ditsch durante prova em Nova Lima (foto: BS Fotografia/Divulgação)
O atleta argentino Kai Ditsch durante prova em Nova Lima (foto: BS Fotografia/Divulgação)
Bruno Dib lembra que o evento começou como um campeonato mineiro e evoluiu para nível nacional até alcançar o mundial, em 2009. “Também já sediamos uma etapa do Pan-Americano em 2022, mas foi em 2015 que criamos e assumimos o nome Brasil Wake Open, criando uma identidade própria”, ressalta. 
 
No ano passado, a praticante de wakeboard Teca Lobato, 39 anos, ficou em segundo lugar na competição na Lagoa dos Ingleses. Ótima colocação para quem estava há um bom tempo parada. Ela se interessou pelo esporte ainda jovem, mas se deu conta de que precisaria desembolsar um alto valor para conseguir praticá-lo. “Então, foquei nas competições e comecei a evoluir a ponto de entrar em campeonatos", lembra. Vieram então os patrocínios, Teca começou a dar aulas e conseguiu comprar seu próprio barco. Tornou-se oito vezes campeã brasileira. 

No entanto, nos últimos anos, ela deixou o wakeboard em segundo plano. “É um esporte que exige muito envolvimento, e eu estava chegando na idade de querer ter filhos”, afirma. Jornalista, fez uma transição de carreira para a comunicação e engravidou. Hoje, sua filha tem 5 anos, mas ela nunca deixou o esporte totalmente de lado. “Sou desorientada pelo wake”, brinca.

História do wakeboard

O wakeboard teria começado de um momento entediante? É o que se pode pensar ao olhar para a história relativamente recente desse esporte, que nasceu nos Estados Unidos na década de 80. Em um dia de poucas ondas no mar, o surfista Tony Finn não queria ficar parado. Então, conectou cabos de sua prancha a um barco para ser puxado. A ideia logo pegou e evoluiu para o skurfer, que combina surfe e esqui aquático. Nos anos 90, a modalidade se aproximou mais do snowboard, quando foram introduzidas alças nas pranchas. 

Pouco antes disso, o esporte já tinha chegado ao Brasil, em 1987, pelas mãos do surfista Roberto Pereira Leite, o Betinho, que fabricou uma cópia da prancha de skurfer, em São Paulo. Dez anos depois, Betinho organizou o primeiro campeonato de wakeboard no Brasil, mesma época em que o esporte foi oficializado no país. Em 1999, foi enviada a primeira delegação brasileira para um Campeonato Mundial, nos EUA. Marcelo Giardi, o Marreco, esteve lá e fez história ao se tornar o vice-campeão Júnior Men, a categoria mais concorrida depois da profissional. “Não sou muito apegado a títulos, o que importa é mais o que a pessoa faz fora da água ou em prol do esporte, mas é sempre legal pra caramba competir e ganhar”, reconhece.

Teca Lobato, oito vezes campeã brasileira (foto: Carlos Hauck/Divulgação )
Teca Lobato, oito vezes campeã brasileira (foto: Carlos Hauck/Divulgação )
Foi também nesse período que Minas Gerais despontou como uma das melhores etapas do circuito brasileiro. Nos anos 2000, a região metropolitana de Belo Horizonte recebeu o primeiro campeonato local de wakeboard, realizado no Clube Serra da Moeda, às margens da Lagoa dos Ingleses, em Nova Lima. A competição foi organizada por Luciano Ballesteros, sócio do clube e praticante do esporte, ao lado dos amigos Marco Paulo e Gustavo Penna. “Na época, eu ainda não estava diretamente inserido, mas acompanhei esse movimento nascer de fora. O que me chamou atenção não foi necessariamente a prática em si, mas o estilo de vida que existia ao redor do esporte”, recorda-se Bruno Dib, organizador do Brasil Wake Open. 

O atleta Henrique Daibert, por sua vez, aponta porque a Lagoa dos Ingleses é o lugar ideal para competições. “Durante o campeonato, outros barcos são proibidos de navegar. Isso é importante porque não são formadas ondas de outras embarcações que atrapalham a competição”, indica. Daibert arremata com uma constatação fácil de identificar: “Além disso, é lugar indo!”

Confira os equipamentos para praticar o wakeboard:

  • Prancha específica com botas fixadas. De  R$ 3.500 a R$ 5.000
  • Colete salva-vidas. R$ 400 a R$ 700
  • Capacete náutico (opcional). Média de R$ 300

Onde praticar

BH Wake School (Clube Serra da Moeda, Lagoa dos Ingleses, Nova Lima)
  • Aulas de 20 minutos: R$ 400
  • Aulas de 30 minutos: R$ 500
CBL Wake Park (Rodovia BR 262, Km 362, Francelinos, Juatuba)
  • Aulas de 15 minutos em lago para iniciantes: R$ 75 durante a semana e R$ 95 aos finais de semana
  • Aulas de 15 minutos em lago para intermediários: R$ 90 durante a semana e R$ 105 aos finais de semana
  • 1 hora de prática para avançado: R$ 100 durante a semana e R$ 125,00 aos finais de semana


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