Estado de Minas ARTE

Mapas ilustrados da Pampulha viram itens de decoração e coleção

Distribuídas gratuitamente pela Belotur, ilustrações destacam atrativos da região e ganham novos usos nas mãos de moradores e turistas


postado em 08/09/2026 06:11 / atualizado em 08/09/2026 06:24

A tradutora Anna Carolina Alves com o quadro da Igreja de São Francisco de Assis: ela é uma das colecionadoras dos desenhos ilustrados (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
A tradutora Anna Carolina Alves com o quadro da Igreja de São Francisco de Assis: ela é uma das colecionadoras dos desenhos ilustrados (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Belo Horizonte tem pontos turísticos que merecem ser conhecidos ou revisitados em detalhes, melhor maneira de desfrutar inteiramente de cada lugar. A Pampulha, por exemplo, é uma região rica em natureza, arquitetura e lazer, mas muitos atrativos passam quase despercebidos no turbilhão dos dias corridos e na pressa que sempre rege a vida de quem mora em grandes cidades. Desbravar ruas, praças, parques e monumentos do entorno da lagoa e endereços bem próximos a ela é uma tarefa aprazível para todas as idades. Mas, nem sempre as informações sobre esses lugares são detalhadas, o que dificulta o acesso, especialmente para quem não mora na capital mineira.
 
Foi para tornar essa missão mais fácil e divulgar as atrações para moradores e visitantes que a Belotur lançou, no fim do ano passado, os mapas ilustrados da região da Pampulha. São cinco os lugares registrados nas ilustrações criativas e bem coloridas da artista plástica Anna Brandão: a Avenida Fleming, a Lagoa, o Museu de Arte, a Casa do Baile e a Igreja de São Francisco de Assis. Na parte frontal, as ilustrações trazem não só esses lugares, mas referências de cada um deles, como uma capivara, animal muito encontrado nas cercanias da lagoa, ou um ciclista, já que o local é muito buscado para a prática de esportes. No verso, um mapa turístico da região, com os atrativos e outras informações necessárias para o passeio ser completo. Todas as ilustrações foram criadas a partir de fotografias do acervo da Belotur. 
 
Os desenhos – dois no formato vertical e três, no horizontal – têm cerca de 40 cm de largura e 28 cm de altura. Eles são colecionáveis e podem ser obtidos, gratuitamente, em papel, nos CATs (Centros de Atendimento ao Turista), como o que fica ao lado da Casa do Baile, na orla da Pampulha; ou no formato digital (download) por meio do Portal Belo Horizonte (PBH). E, por serem colecionáveis, esses mapas têm despertado a criatividade artística de muita gente, que os transforma em quadros, revestimentos de mesas, estampas de roupas, jogos americanos e outras utilidades. 
 
 (foto: Reprodução/Divulgação)
(foto: Reprodução/Divulgação)
A tradutora audiovisual paulistana Anna Carolina Alves, de 34 anos, optou por colocar o mapa em uma moldura de 50x40 cm e conta que vai trocando as ilustrações à medida quer renova o visual de sua sala. “A ideia desses mapas me lembrou as lâminas descartáveis das bandejas do McDonald’s, ilustradas pelo Hiro Kawahara, no início dos anos 2000”, diz. Irmã da artista Anna Brandão, a tradutora veio a BH pela primeira vez no ano passado e conta que sua “melhor memória da Pampulha foi poder caminhar tranquilamente à noite até alguns pontos, como a lagoa, a Igreja de São Francisco, com seus painéis e jardins, e, principalmente, o Parque Guanabara”. Anna Carolina diz ainda que coleciona pôsteres, cartazes, cartões-postais, folders e outros materiais ilustrados e informativos dos lugares que visita, como BH. Para ela, os mapas da Pampulha fazem com que “as pessoas valorizem e aproveitem o que a própria região tem a oferecer, algo tão difícil de se ver em uma metrópole nos dias de hoje”.  
 
O sucesso do projeto dos mapas colecionáveis também é enfatizado pelo presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel: “Essa iniciativa reforça o compromisso de Belo Horizonte com a promoção qualificada dos seus principais atrativos turísticos. A Pampulha é um dos nossos maiores patrimônios e merece ser vivenciada em toda a sua riqueza. Ao disponibilizarmos mapas ilustrados, gratuitos e colecionáveis, ampliamos a experiência de quem visita e também de quem vive a cidade, incentivando a descoberta, o pertencimento e a valorização desse território tão simbólico”, diz. 

Igreja de São Francisco de Assis
 
 (foto: Reprodução/Divulgação)
(foto: Reprodução/Divulgação)
O monumento mais visitado do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, tombado pela Unesco em 2016, foi finalizado em 1945, mas somente em 1959 foi consagrado pela igreja católica. Desde 2021, ela ostenta o título de Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis e é um templo destinado a missas e casamentos. Outra obra com a assinatura do genial Oscar Niemeyer, a Igrejinha, como é conhecida, tem em seu interior a Via-Sacra com 14 painéis de Candido Portinari e baixos-relevos de bronze de Alfredo Ceschiatti. Os jardins de Burle Marx são um destaque à parte. Assim como os azulejos azuis e brancos que retratam o santo que dá nome à capela. O mapa ilustrado traduz a beleza desses azulejos e a importância da Igrejinha na paisagem arquitetônica de BH. 

Lagoa da Pampulha
 
 (foto: Reprodução/Divulgação)
(foto: Reprodução/Divulgação)
A ilustração reúne dois cartões-postais da região: a Igrejinha e o Parque da Guanabara, citados pela tradutora Anna Carolina Alves. As cores verde e azul que traduzem bem as belezas naturais da Pampulha se misturam às imagens de animais que habitam as margens da lagoa e ainda às pessoas que caminham, andam de bicicleta, correm e fazem da avenida Otacílio Negrão de Lima um dos pontos mais procurados na cidade por esportistas de todas as idades.   

Museu de Arte
 
 (foto: Reprodução/Divulgação)
(foto: Reprodução/Divulgação)
Além do monumento projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para ser um cassino em 1943, e hoje sede do Museu de Arte Moderna de BH, com um acervo de 1.400 obras, suas linhas arredondadas e os vidros que proporcionam vizualizar a lagoa e seu verde, o desenho destaca os jardins de Roberto Burle Marx e as esculturas “O Abraço/Duas Amigas”, de Alfredo Ceschiatti, e “Nu”, de August Zamoyski. Atualmente, o museu está fechado para obras de restauro.

Casa do Baile
 
 (foto: Reprodução/Divulgação)
(foto: Reprodução/Divulgação)
Criada para ser um espaço de diversão, a edificação toda em formato arredondado desde 2002 é sede do Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design, vinculado à Fundação Municipal de Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura e apresenta exposições, mostras, seminários, encontros e outras atividades ligadas à arte. Inaugurada em 1942 para ser um pequeno restaurante, foi fechada pouco depois com a proibição do jogo de azar no Brasil. Mais recentemente já foi anexo do Museu de Arte da Pampulha e restaurante novamente, até ganhar nova destinação. Circundada pela lagoa, ela é também fruto da parceria Niemeyer-Burle Marx.

Avenida Fleming
 
 (foto: Reprodução/Divulgação)
(foto: Reprodução/Divulgação)
A gastronomia da região da Pampulha também é destacada no projeto, com a ilustração de um dos lugares mais famosos da cidade por concentrar restaurantes, bares, hamburguerias, cafeterias e outros estabelecimentos dedicados do gênero. Do café ao chope, passando por quitutes mineiros e pratos da culinária de outros países, a avenida do bairro Ouro Preto é cenário para almoços e jantares e tem um público variado, principalmente nos fins de semana, em busca de lazer. Os desenhos de Anna Brandão contam toda essa história.





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