
A questão é importante, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 5% da população terá ao menos uma crise epiléptica na vida, sendo que a crise é um período transitório em que o paciente tem descargas elétricas anormais e excessivas, suficientes para causar sintomas clínicos. A forma de crise mais comum é popularmente conhecida como convulsão, quando a pessoa debate o corpo todo. No entanto, dependendo da região do cérebro acometida, os sintomas podem variar.
Segundo a neurologista e neurofisiologista clínica Maria Alice Horto Bicalho, uma crise epilética, contudo, não significa ter epilepsia. "A epilepsia é uma doença neurológica em que o paciente tem tendência a ter crises epiléticas decorrentes", explica. Ela diz que o quadro pode se iniciar em qualquer idade e que algumas formas de epilepsia têm cura. "É importante ressaltar que 70% dos casos têm bom controle, desde que com tratamento adequado. As pessoas podem ter vida normal, e hoje em dia há várias opções de tratamentos", diz.
A neuropediatra Marli Marra ressalta a importância de se fazer o diagnóstico da crise convulsiva o mais rápido possível, para que, com o início do tratamento, a qualidade de vida da pessoa possa melhorar. "Não só a rapidez de se fazer o diagnóstico, mas fazer um diagnóstico bem feito do tipo de crise ou epilepsia, para se poder realizar o tratamento adequado", afirma. De acordo com a especialista, mais de 80% dos pacientes com epilepsia necessitam do uso de apenas um medicamento, sem precisa associar com outros. "A média de tratamento, desde que tudo esteja controlado, é de dois anos, sem crises e com uso de medicamento", diz.
Apesar disso, especialistas afirmam que muitos pacientes não gostam de dizer que são epiléticos, por medo de ter restrições no trabalho e até nos relacionamentos. "Precisamos conversar sobre a doença para que, com mais conhecimento, esse estigma diminua", afirma Maria Alice.
Confira mitos e verdades sobre a epilepsia:
1) Durante uma crise, deve-se segurar língua da pessoa
MITO
Nunca se colocar nada na boca da pessoa em crise. É mito de que o paciente engasga com a língua. A pessoa que presenciar a crise deve procurar cronometrá-la (a maioria dura menos de 5 minutos; se demorar mais, é preciso chamar auxílio médico), virar rosto da pessoa de lado, se for possível, e colocar algum apoio na cabeça. Evite forçar qualquer movimento. Mesmo depois que a crise cessa, o paciente passa por período de confusão, então também é importante esperar que chegue o auxílio ou pessoa de confiança.
2) Pessoas com epilepsia não podem dirigir
DEPENDE
Pelo código de trânsito, o paciente que estiver há pelo menos um ano livre de crises e fizer uso regular de medicação, com laudo médico favorável, pode dirigir veículos da categoria B. Se está livre de crises há 2 anos, e há seis meses sem medicação, com laudo médico, também pode.
3) Todo mundo que tem uma crise epiléptica é epiléptico
MITO
Para ser conceituado como epilético, a crise tem que ser recorrente. Algumas condições podem gerar crises sintomáticas agudas (como hipoglicemia e traumatismo craniano).
4) Epilepsia é contagiosa
MITO
Epilepsia é uma doença neurológica não contagiosa. É mito que a saliva da pessoa pode transmitir a doença.
5) Epilepsia não tem cura
DEPENDE
Algumas têm. Há tratamentos que podem cessar as crises, como cirurgia. Mas vale ressaltar que a cirurgia não é tratamento para todos os pacientes que tenham epilepsia.
6) Pode acometer pessoas de qualquer idade
VERDADE
Desde o período neonatal até idosos, sendo que algumas podem ser hereditárias.
7) Estresse pode desencadear uma crise
VERDADE
No caso de quem já tem epilepsia, o estresse pode até ser fator que leva a aumento da frequência em quem já estava com o quadro bem controlado.


