Estado de Minas TECNOLOGIA

Hospital Vila da Serra realiza cirurgia inédita em Minas Gerais

Técnica de prótese reversa de ombro por navegação envolveu equipe dos Estados Unidos, que auxiliou no planejamento cirúrgico


postado em 09/02/2023 21:00 / atualizado em 09/02/2023 21:02

(foto: Freepik)
(foto: Freepik)
Médicos do Hospital Vila da Serra realizaram uma artroplastia reversa de ombro por navegação. Trata-se de um procedimento inovador realizado pela primeira vez em Minas Gerais e apenas pela quinta vez no Brasil. O método ajuda a corrigir deformidades graves na articulação, decorrentes de uma artrose (omartrose) avançada, trazendo benefícios em relação à cirurgia convencional.

"A artroplastia tem como objetivo substituir a articulação por componentes metálicos e de polietileno de alta resistência. Nos estágios mais avançados, a doença causa destruição da cartilagem e deformidades nos ossos, o que dificulta a colocação precisa dos implantes. A navegação ajuda a identificar como essas alterações podem ser corrigidas com precisão máxima. Com a técnica, os componentes também são posicionados com risco mínimo de erro técnico para que a prótese funcione da melhor maneira e tenha maior durabilidade", explica o cirurgião André Couto Godinho, médico ortopedista assistente do grupo de ombro do Vila da Serra e responsável pelo procedimento.

A técnica de navegação é empregada durante o planejamento cirúrgico e, no caso do procedimento realizado no hospital de Nova Lima envolveu uma equipe dos Estados Unidos, que utilizou um sistema de software para reconstruir a imagem da articulação em três dimensões a partir de exames de tomografia computadorizada.

O cirurgião André Couto Godinho, do hospital Vila da Serra(foto: Divulgação)
O cirurgião André Couto Godinho, do hospital Vila da Serra (foto: Divulgação)
"Toda a cirurgia foi planejada e executada previamente sobre a imagem tridimensional do ombro. Foi realizado um estudo detalhado para que o melhor resultado pudesse ser obtido. Antes desta técnica inovadora, nós só tínhamos uma real noção de como estava a articulação durante o procedimento e as peças da prótese eram fixadas no osso sem uma visão tridimensional. No caso, o arquivo contendo o planejamento da cirurgia foi transferido para o sistema de navegação e usado no centro cirúrgico para reproduzirmos fielmente e com segurança tudo que havia sido feito nos ossos digitalizados da paciente. Tudo foi sendo montado como se fosse um lego, e as peças foram encaixadas e posicionadas adequadamente. Isso garantiu o ajuste preciso dos componentes - que antes eram calculados a olho nu", acrescenta.

Segundo o ortopedista, a paciente de 84 anos tinha um quadro importante de omartrose com fortes dores, perda dos movimentos, dificuldade para levantar o braço e fazer movimentos de rotação do ombro. "Ela teve alta hospitalar e segue em reabilitação fisioterápica, mas já apresenta ganho na qualidade de vida, o que torna os resultados animadores. Anteriormente, a paciente fez a cirurgia convencional no outro ombro e a comparação tem mostrado uma recuperação menos dolorosa até o momento. A principal vantagem do procedimento por navegação está na redução das complicações, menor risco de uma nova intervenção para correção de eventuais falhas e maior durabilidade da prótese", declara.

Consagrado nos Estados Unidos, o sistema de navegação cirúrgica tende a se firmar no Brasil, como explica o cirurgião: "Os danos causados pela artrose no ombro são irreparáveis e a cirurgia costuma ser feita em pacientes mais idosos, com artrose avançada e grandes desgastes ósseos. O procedimento traz benefícios já comprovados em publicações científicas quando comparado à técnica convencional, reduzindo as complicações e melhorando a durabilidade da prótese. Por isso, o uso da tecnologia se faz tão necessário, possibilitando ainda prever riscos e situações inesperadas, como a necessidade de reoperações", diz André Couto Godinho.

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