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Estado de Minas PREVENÇÃO

Vacina protege contra nove subtipos de HPV associados ao câncer

Patologista comenta a importância do imunizante recém-chegado ao Brasil para pessoas com idade entre 9 e 45 anos


postado em 09/08/2023 00:59 / atualizado em 09/08/2023 01:01

(foto: Freepik)
(foto: Freepik)
Em Minas Gerais, dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam 1.670 novas ocorrências de câncer do colo do útero para cada ano do triênio 2023-2025, sendo considerado a terceira neoplasia que mais afeta o sexo feminino. O tumor cervical é mais comum em mulheres na faixa dos 35 a 44 anos, já os tumores de útero e ovário são mais prevalentes naquelas acima de 50 anos e são responsáveis por 720 e 640 novos diagnósticos no estado a cada ano, respectivamente.

A maioria dos casos de câncer do colo do útero está associada ao HPV. "Sete tipos de HPV, dentre os mais de 200 existentes, são responsáveis por 70% dos cânceres do colo do útero e de lesões pré-cancerosas. A infecção pelo papilomavírus humano pode ser evitável pelo uso de preservativo e pela vacina quadrivalente, disponível no SUS para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos e pacientes imunossuprimidos de 9 a 45 anos", informa Paula Távora, patologista do Hospital Vila da Serra e coordenadora da clínica Vacsim.

A médica patologista Paula Távora(foto: Divulgação)
A médica patologista Paula Távora (foto: Divulgação)
A boa notícia é que a partir deste ano, pessoas com idade entre 9 e 45 anos podem tomar uma nova vacina que chegou ao Brasil, a nonavalente, sem prescrição médica, e acima desse grupo etário, com receita médica. Recentemente, acompanhando a diretriz da Organização Mundial de Saúde (OMS), a Gradasil 9 foi aprovada para aplicação em vítimas de estupro e violência sexual.

"É um avanço significativo para a saúde da população, pois trata-se de um imunizante que protege contra 9 subtipos de HPV, sendo 7 com elevado risco para câncer do colo do útero e 2 responsáveis por verrugas genitais. Ajuda ainda a prevenir tumores de vulva e vagina, ânus e pênis nos homens, orofaringe e boca. Por enquanto a vacina HPV nonavalente está disponível apenas na rede particular", esclarece a médica.

Para pacientes imunocomprometidos, a vacina contra o vírus é uma prioridade: segundo a OMS, o risco de desenvolver câncer associado ao HPV é quase quatro vezes maior entre transplantados e quem vive com HIV em comparação ao restante da população. "Ainda de acordo com a agência, em mulheres com o sistema imunológico saudável o processo de formação do câncer do colo do útero leva entre 15 e 20 anos; naquelas com o sistema imune comprometido, o período cai para 5 a 10 anos", comenta Paula Távora.

A patologista alerta que embora cerca de 10 milhões de brasileiros estejam infectados pelo vírus HPV, conforme dados da OMS, a adesão à vacina ainda é baixa. "O Ministério da Saúde divulgou que de 2019 para 2022 houve uma queda de 11% no número de meninas que receberam a primeira dose, e entre os meninos, de 7%. Isso sem falar na segunda dose, que alcançou no ano passado apenas 58,29% das meninas e 38,39% dos meninos. A educação é a chave para conscientizar a sociedade sobre a importância do imunizante para prevenir o câncer e outras doenças relacionadas ao HPV", finaliza.

Imunizante é o primeiro inativado contra o herpes-zóster

Outra vacina recém-chegada ao país evita a manifestação de uma doença conhecida por causar dor intensa, o herpes-zóster, e que pode ser aplicada em maiores de 18 anos e imunodeprimidos. "A Shingrix é um imunizante recombinante inativado com mais de 90% de eficácia que, diferentemente da vacina viva atenuada, pode ser aplicado em pacientes oncológicos, transplantados, que vivem com HIV, indivíduos com alta prevalência de casos de herpes na família e que têm menos de 50 anos", esclarece a especialista.

O infectologista Cristiano Galvão de Melo(foto: Divulgação)
O infectologista Cristiano Galvão de Melo (foto: Divulgação)
"O herpes-zóster tem como agente o vírus varicela-zóster - o mesmo que provoca a catapora - e caracteriza-se pela presença de bolhas em um único lado do corpo, comumente no tórax ou na face, formigamento, dor e queimação. O indivíduo que teve catapora permanece com o vírus adormecido no organismo durante toda a vida, podendo ser reativado na idade adulta ou em se estiver com a imunidade baixa. O tratamento deve começar nas primeiras 72 horas de sua aparição e consiste em medicamentos antivirais e analgésicos. Os sintomas têm duração de sete a 10 dias", descreve Cristiano Galvão de Melo, infectologista do Hospital Vila da Serra.

Além de reduzir o risco de desenvolvimento da inflamação viral, a imunização é importante para prevenir as complicações prolongadas da doença, como explica o infectologista. "As principais são o acometimento ocular, que é mais incomum, e a neuralgia pós-herpética, uma condição crônica e debilitante que causa dor aguda nos nervos, queimação e ardência, persiste por mais de três meses após o início da lesão cutânea do herpes-zóster ou até mesmo por anos. Afeta até 30% dos pacientes, especialmente pessoas acima de 60 anos", informa o infectologista. A vacina ainda não está disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

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