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Estado de Minas ACUPUNTURA

Acupuntura pode ajudar crianças autistas e com Down, afirma especialista

Marcelo Stehling usa a técnica sem agulha como parte da terapia para melhorar a cognição, as características típicas e o desenvolvimento dos pacientes


postado em 30/10/2023 15:57

(foto: Freepik)
(foto: Freepik)
Para os adeptos da prática, os benefícios da acupuntura passam pela diminuição de dores, tratamento de disfunções psíquicas, hormonais e físicas e outras doenças. A técnica da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), que supostamente promove o equilíbrio energético por meio de aplicações de agulhas, sementes, laser e até pastilhas de silício, também vem sendo utilizado no tratamento multidisciplinar, para promover bem estar e estimular o desenvolvimento físico e cognitivo de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e com síndrome de Down, segundo o acupunturista Marcelo Stehling, que há mais de 20 anos atende pacientes neurodivergentes.

O acupunturista Marcelo Stehling(foto: Divulgação)
O acupunturista Marcelo Stehling (foto: Divulgação)
Stehling se especializou em acupuntura há 24 anos, e dois anos depois descobriu a eficácia da técnica na terapia de crianças atípicas ao atender o primeiro paciente de Down. "Depois do primeiro atendimento vieram os outros e não parei mais", afirma o acupunturista, que já tem mais de 300 casos registrados. O atendimento é feito na Casa Ninho, clínica especializada em desenvolvimento global de crianças e adolescentes em Juiz de Fora (MG). Stehling também ministra cursos pelo Brasil, compartilhando seus conhecimentos e experiência. 

O especialista afirma que a Medicina Tradicional Chinesa, integrada à terapia multidisciplinar e acompanhamento médico, ajuda a melhorar as condições características, disfunções e outras patologias inerentes a Down e TEA, que possuem fatores congênitos e não têm cura.

A intervenção com a acupuntura não é um avanço dos tempos modernos. "Registros da Medicina Tradicional Chinesa mostram que o autismo já era tratado há mais de 5 mil anos", explica o acupunturista. A patologia é descrita como a Síndrome dos Cinco Atrasos, cujas características seriam associadas ao desequilíbrio energético dos órgãos e vísceras - baço-pâncreas, rins, fígado e coração.

Em autistas que apresentam sensibilidade à dor, ao toque e etc, os pontos são estimulados com as pastilhas Stiper (silício) ou laser, em vez das agulhas. Entre os benefícios verificados com as aplicações, Stehling destaca a redução de muitos sintomas característicos, maior tolerância a ruídos, noites de sono menos agitados, diminuição da enurese noturna, redução da fala repetitiva e estereotipias. "Ao deixar o paciente mais calmo, a acupuntura, juntamente com a orientação médica, pode inclusive ajudar a reduzir a dosagem de medicamentos psiquiátricos", afirma o terapeuta.

A acupuntura sem agulha, como a stiperterapia, auxilia no tratamento de doenças respiratórias e cardiopatias, muito comuns nas pessoas com essa síndrome. Segundo Stehling também foram constatados outros benefícios como a redução na salivação excessiva (sialorreia), melhora do tônus muscular (hipotonia), melhora da fala e da concentração, ajudando a criança no aprendizado, e até ganho de estatura.

A intervenção precoce é a melhor forma de se obter os melhores resultados. A importância de um bom diagnóstico é fundamental associada a uma equipe multidisciplinar. "A acupuntura sem agulha pode ser ministrada em bebês e inclusive em gestantes", aconselha Stehling.

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