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Estado de Minas SAÚDE

Especialista fala sobre a relação entre trombose e riscos à gravidez

Como o uso de anticoncepcionais é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de tromboses venosas, muitas mulheres podem ser afetadas


postado em 13/10/2023 15:51

(foto: Freepik)
(foto: Freepik)
Dia 13 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Trombose, uma data global de conscientização sobre essa doença que afeta atualmente cerca de 180 mil pessoas por ano no Brasil. De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), 113 pessoas, em média,  são internadas todos os dias na rede pública para tratar o problema.

A data foi criada em 2014 pela International Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH) e é comemorada neste dia por ser o aniversário do médico alemão Rudolf Virchow, pioneiro nos estudos sobre a doença. Médico, patologista, biólogo e antropólogo alemão, foi ele quem desenvolveu o conceito de trombose e avançou muito nos estudos sobre a patologia.

A trombose ocasiona a formação ou desenvolvimento de coágulos sanguíneos (trombos) que causam obstrução e  inflamação na parede do vaso. Normalmente, os trombos se formam nos membros inferiores. Trata-se de uma doença perigosa que pode levar à morte. Uma em cada quatro pessoas no mundo morre em decorrência de complicações da trombose. Os principais sintomas são inchaço, vermelhidão, calor e dor nas pernas.

A doença também pode desencadear um quadro de embolia pulmonar. Por isso é importante falar a respeito e alertar as pessoas sobre as causas, fatores de risco, sinais/sintomas, prevenção, tratamentos e consequências da trombose.

Como o uso de anticoncepcionais é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de tromboses venosas, muitas mulheres podem ser afetadas, o que acaba gerando preocupação em relação às possíveis consequências quando decidem engravidar. De acordo com a especialista em Reprodução Assistida, Cláudia Navarro, uma das principais dúvidas das pacientes é se a trombofilia pode levar a abortos e à falha de implantação embrionária. "A trombofilia, em si, não é fator preponderante da infertilidade, mas em grande parte das vezes, existem outras questões ligadas à infertilidade e associadas à condição", explica Cláudia.

A especialista esclarece que a trombofilia é uma predisposição à trombose, decorrente de alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação, que levam a estado pró-trombótico, que propicia tromboses venosas ou arteriais. O problema, geralmente, se manifesta em pessoas jovens, no auge da capacidade reprodutiva. "Existem diversos fatores que causam a trombose, como a obesidade, o uso de hormônios, cirurgia, longos períodos no leito, viagem de avião de longa distância, câncer, tabagismo e gravidez", destaca a médica.

Contudo, não é fácil chegar a um diagnóstico com relação à predisposição à trombose. É necessária avaliação laboratorial, em que são feitos diversos exames e analisados em conjunto com o histórico da paciente e de parentes próximos. Nem toda paciente com exame alterado pode ser diagnosticada como portadora de trombofilia e receber tratamentos com anticoagulantes. "Muitas vezes, encontramos algum exame alterado, mas isso não indica que a paciente tenha trombofilia. É preciso pesquisar outras possíveis causas de infertilidade ou perdas gestacionais repetidas e só tratar a trombofilia se realmente o diagnóstico for comprovado", afirma a médica.

Informações inadequadas acabam por gerar uma busca frenética por especialistas em Reprodução Assistida, sempre com a certeza de que a trombofilia é a causa de não conseguirem engravidar ou terem abortos de repetição. "Muitas já chegam ao consultório com o diagnóstico fechado. Aí, entra o trabalho do especialista, de esclarecer e buscar as causas reais com relação à infertilidade", afirma. 

Cláudia Navarro destaca que mulheres com um quadro de trombofilia conhecido ou histórico de trombose podem sim engravidar. "Sim, é possível. Contudo, é fundamental que ela esteja ciente de todos os cuidados a serem tomados e os riscos que pode correr, como hipertensão grave, restrição de crescimento do feto, parto prematuro ou abortos de repetição. Mas com um pré-natal bem feito e acompanhamento médico adequado, é possível ter uma gravidez tranquila, além de bebê e mãe saudáveis", diz.

Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida e diretora clínica da Life Search. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, Cláudia titulou-se Mestre e Doutora em medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal. Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.

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